19.12.12

A Centenária Fotografia Lisboa

Ricardo Ribeiro,
fundador da FOTO LISBOA
Revista REIS/1996
TEXTO: João Costa

Já antes de se estabelecer, Ricardo Henriques da Silva Ribeiro fazia as primeiras fotografias a pessoas, no quintal da casa onde hoje está instalada a Foto Lisboa – ao tempo Fotografia de Ricardo Ribeiro.
Homem de inata e rara sensibilidade na arte de fotografar, conseguiu apurar de tal forma a sua técnica que os seus trabalhos apresentavam uma qualidade excepcional, que resistiu ao tempo. E de tal forma que muitos factos, acontecimentos e figuras de Ovar antiga puderam fazer história em revistas e jornais da época. 
Foi o primeiro fotógrafo em Ovar e dos primeiros do Distrito de Aveiro, sendo os seus estúdios escola para muitos empregados que por lá passaram e que, entretanto, se estabeleceram como profissionais, na terra e fora dela.
Os seus herdeiros deram continuidade ao trabalho de Ricardo Ribeiro. Com 8 anos de idade, fazia as primeiras fotos coloridas, autênticas maravilhas criadas por suas mãos, só ultrapassadas pelas inovações da técnica dos nossos dias. Matilde Ribeiro da Graça, casada com António Pereira Lisboa, teve nos seus três filhos outros tantos seguidores na arte da fotografia, chegando os três a trabalhar todos com os pais.
FOTO LISBOA (Ovar)
A Matilde ou Tidy, sempre acompanhou e continuou após a morte dos pais (1971 e 1977, respectivamente). Os pais em Ovar, entretanto, a Alice estabeleceu-se em Esmoriz e o António em Estarreja. A Matilde viria a casar-se com Manuel Varanda, de quem teve seis filhos, o segundo dos filhos, David Ribeiro Lisboa Varanda, verdadeiramente vocacionado para a fotografia, veio dar um rosto actualizado ao estilo e arte desta centenária casa, em parceria com a mãe. Pena foi que a morte o tenha surpreendido aos 37 anos de idade (07/08/1991), quando muito haveria a esperar de si.
Um tanto forçada às circunstâncias, sua esposa Manuela Lisboa deu continuidade ao negócio.
Tudo o que aqui registámos foi-nos relatado pela D.ª Tidy, com desvelado carinho e uma pontinha de orgulho por algo que, sendo iniciado por seus antepassados, tem também um pouco de si.
Trouxe à lembrança muitas coisas bonitas, coisas que a encantam e que a nós dá gosto ouvir.
Já lá vão os tempos difíceis em que, para colorir as fotografias, nos servíamos da amizade dum velho amigo do meu avô, um embarcadiço que nos trazia as tintas de França. Também contava a minha mãe que, para as reportagens exteriores, havia uma senhora que transportava à cabeça, num grande açafate, as pesadas máquinas de fotografar. Contava ainda que as maiores reportagens dessa época eram feitas em casa de pessoas que faleciam.
Quem se lembra já desses tempos, bem distantes, ao que se vê, da nossa época, mais virada para registar cerimónias alegres e protocolares?

Texto publicado no n.º 26 da revista REIS/1996

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