<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-2173951761233079456</id><updated>2012-02-18T14:47:45.128Z</updated><category term='Revista REIS 1985'/><category term='Revista REIS 2003'/><category term='Revista REIS 1995'/><category term='Revista REIS 1983'/><category term='Revista REIS 2008'/><category term='Revista REIS 1977'/><category term='VÁLEGA'/><category term='Revista REIS 2004'/><category term='ESCUTEIROS'/><category term='PESSOASARTISTASPROFISSÕES'/><category term='Revista REIS 2011'/><category term='Revista REIS 1998'/><category term='Revista REIS 1993'/><category term='Revista REIS 2005'/><category term='PESSOAS'/><category term='Revista REIS 2009'/><category term='PROFISSÕES'/><category term='Revista REIS 2010'/><category term='POETAS'/><category term='Revista REIS 1988'/><category term='Revista REIS 1990'/><category term='PONTES'/><category term='Revista REIS 2000'/><title type='text'>Revista REIS - Ovar</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://revistareisovar.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2173951761233079456/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://revistareisovar.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Fernando Pinto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18068174158604110968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>21</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2173951761233079456.post-6760864847451669777</id><published>2012-01-04T03:30:00.011Z</published><updated>2012-01-05T02:38:35.656Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Revista REIS 2008'/><title type='text'>A primeira planta da vila de Ovar</title><content type='html'>&lt;span style="background-color: #990000; color: white; font-size: x-small;"&gt;Revista &lt;strong&gt;&lt;em&gt;REIS&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;/2008&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;&lt;em&gt;Por&lt;/em&gt;&lt;/span&gt; &lt;strong&gt;Manuel Bernardo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;I- &lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;INTRODUÇÃO&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-4GhL4dX_jUw/TwPHBKMFxrI/AAAAAAAACjU/hR5OOkiGJ_E/s1600/planta5.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" rea="true" src="http://2.bp.blogspot.com/-4GhL4dX_jUw/TwPHBKMFxrI/AAAAAAAACjU/hR5OOkiGJ_E/s1600/planta5.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Pormenor da «PLANTA DA COSTA DESDE A VILLA DE OVAR ATÉ AO PORTO&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;com a demarcação de hum canal projetado por Izidoro Paulo Pereira» - desenho s/papel, 1778 (2261x459 mm) &lt;br /&gt;Encontra-se na Biblioteca do Instituto Geográfico Português, cota CA 277 IGP&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;br /&gt;No início de 2006, o &lt;a href="http://artigosjornaljoaosemana.blogspot.com/2010/10/dagarei-no-primeiro-mapa-impresso-de.html"&gt;&lt;strong&gt;Padre Pinho Nunes&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt; referenciou a existência de uma «Planta da Villa de Ovar» na Biblioteca do Instituto Geográfico Português.&lt;br /&gt;Vista e analisada essa planta, concluiu-se que deve ter sido desenhada nos finais do século XVIII.&lt;br /&gt;O documento em apreço&lt;span style="color: #990000; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;(1)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; é um desenho sobre papel, com um formato irregular (564 x 510 mm) e só não é uma carta muda porque nela aparecem as anotações «R. dos Pellames», «R. das Ortas» e «Pinhais».&lt;br /&gt;O Instituto não dispõe de elementos que permitam identificar o autor ou autores da planta e determinar a data em que foi produzida, limitando-se a conjecturar que este documento poderá, eventualmente, ter sido um dos que «emigrou» para o Rio de Janeiro (quando D. João VI para lá embarcou, em 1807, na sequência da 1.ª Invasão Francesa), regressando a Portugal ao abrigo de um convénio de troca de documentos, celebrado entre o nosso País e o Brasil.&lt;br /&gt;Seja como for, o documento tem uma enorme importância para a história de Ovar, uma vez que poderá ser a primeira representação gráfica da povoação, de que temos conhecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-AN97J78qdm0/TwPJp7vpipI/AAAAAAAACjg/Lowwh69J_Gg/s1600/planta1.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="264" rea="true" src="http://2.bp.blogspot.com/-AN97J78qdm0/TwPJp7vpipI/AAAAAAAACjg/Lowwh69J_Gg/s640/planta1.jpg" width="640" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;&amp;nbsp;«Mappa Thopografico da Barra, Rios e Esteiros da Cidade de Aveiro com parte do Rio Vouga, e de toda a Costa, para o Norte, desde a dita Barra athe à do Porto, e para o Sul da mesma Barra athé defronte de Mira, com as sondas dos mayores cais nos Rios Salgados»&lt;/strong&gt;, de Izidro Paulo Pereira e Manuel de Sousa Ramos (510x205 mm). Biblioteca Pública do Porto. Reservados, pasta 19/23. Refere a Capela do Furadouro (séc. XVIII), a primeira das três engolidas pelo mar.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;II - &lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;UM ALVITRE&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que razão poderia motivar a execução de uma planta de Ovar, nos finais do século XVIII?&lt;br /&gt;Salvo melhor opinião, só podemos descortinar uma, a saber: no reinado Josefino, Pombal levou a cabo uma série de políticas tendentes a reorganizar o sector das pescas e a combater a concorrência galega na comercialização do peixe salgado (especialmente sardinha), no interior do nosso País&lt;span style="color: #990000; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;(2)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;Nessa época, o peixe salgado foi ganhando cada vez maior importância na alimentação das populações do interior, sendo a produção nacional insuficiente para o consumo e abrindo espaço para a actividade dos mercadores galegos.&lt;br /&gt;Na procura de uma maior produção nacional de peixe salgado, Pombal aceitou, de bom grado, o estabelecimento, em Portugal, de catalães peritos na salga de peixe e de negociantes estrangeiros.&lt;br /&gt;Entre estes recém-vindos, arribou à nossa terra Jean-Pierre Mijoulle, francês, natural do Languedoc, que, tanto quanto sabemos, introduziu entre nós as Artes Grandes e fundou um estabelecimento de salga na Costa do Furadouro, por volta de 1772.&lt;br /&gt;Esta data, pelo menos, é a que podemos fixar, com base num documento do Arquivo Histórico da Cidade do Porto, já transcrito e divulgado por Aurélio de Oliveira&lt;span style="color: #990000; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;(3)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;Mijoulle deve ter sido um abastado comerciante e, sobretudo, um homem bem relacionado com a corte, facto que lhe permitiu estar bem no tempo do Marquês, e continuar tranquilamente os seus negócios após a queda de Sebastião José (Março de 1777), sem sair sequer beliscado pela «Viradeira».&lt;br /&gt;Jean-Pierre Mijoulle foi também homem de vistas largas e, rapidamente, percebeu que o contínuo entupimento da Barra de Aveiro não favorecia os seus empreendimentos. Daí que tivesse avançado com a proposta de construção de um canal, «como em Languedoc», entre a Ria e a foz do Rio Douro.&lt;br /&gt;Esta obra, a dar fé num documento apresentado às Cortes Constituintes realizadas no início do século seguinte, seria completamente custeada por Jean-Pierre Mijoulle&lt;span style="color: #990000; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;(4) &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;que, por isso, ficaria dono dos direitos de passagem pelo canal, que, devido ao entupimento definitivo da Barra, seria a melhor via de comunicação entre Mira e a cidade do Porto.&lt;br /&gt;Sendo, na época, o canal alvitrado por Mijoulle, uma obra que só poderia ser projectada por engenheiros militares, foi (em Novembro de 1777, já em reinado Mariano) esse plano entregue a uma equipa liderada por Gilherme d’Elsden e formada pelo Sargento-Mor Engenheiro Isidoro Paulo Pereira e por Manuel de Sousa Ramos, Ajudante Engenheiro.&lt;br /&gt;Nos documentos que possuímos, a transcrição das instruções dadas à equipa de engenheiros militares reporta-se unicamente às complexas obras de hidráulica referentes à resolução do problema da Barra de Aveiro e à navegabilidade do Vouga. Mas, na documentação cartográfica, que já foi referenciada por diversos autores e que se encontra na Biblioteca do Instituto Geográfico Português e na Biblioteca Pública Municipal do Porto, podemos verificar que aparece o traçado do canal que foi «projectado pelo Francez d’Ovar»&lt;span style="color: #990000; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;(5)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;Ora, é justamente na documentação cartográfica de que dispomos que podemos observar um facto: Isidoro Paulo Pereira e Manuel de Sousa Ramos já tinham conhecimento da topografia de Ovar, uma vez que a miniatura da planta da Vila já aparece representada em duas cartas, desenhadas em 1778.&lt;br /&gt;Ao que parece, a «Planta da Villa de Ovar» &lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; mso-ansi-language: PT; mso-bidi-language: AR-SA; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT;"&gt;–&lt;/span&gt; o desenho incompleto que possuímos &lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; mso-ansi-language: PT; mso-bidi-language: AR-SA; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT;"&gt;–&lt;/span&gt; será um desenho preparatório da planta de Ovar, levantada e desenhada por Isidoro Paulo Pereira e Manuel de Sousa Ramos.&lt;br /&gt;Com efeito, quem mais, na época, poderia ter-se ocupado do levantamento da planta de Ovar?&lt;br /&gt;A razão do traçado da planta também parece límpida. Afinal, o canal projectado pelo «Francez d’ Ovar» passaria pelo centro da Vila.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-1qc3hgTI7IE/TwPLZu8tGuI/AAAAAAAACjs/AtMFSfdDbkw/s1600/planta2.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" rea="true" src="http://4.bp.blogspot.com/-1qc3hgTI7IE/TwPLZu8tGuI/AAAAAAAACjs/AtMFSfdDbkw/s1600/planta2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Mapa com a mesma informação, mas de maiores dimensões (1470x421 mm). &lt;br /&gt;Biblioteca do Instituto Geográfico Português - Cota CA 312 (IGP)&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;III - &lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;UM DEBATE EM ABERTO&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É óbvio, que o alvitre aqui dado poderá ser alvo de contestação, por carecer ainda de base documental explícita. Repare-se que todos os trabalhos feitos pelos engenheiros militares eram descritos em ordens muito claras e ainda as não conhecemos, salvo num pequeno comentário, incluído numa obra de Adolfo Ferreira de Loureiro, transcrevendo um documento de 1780&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000; font-size: x-small;"&gt;(6)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;Todavia, é incontestável a prova documental das 2 cartas do acervo do IGP.&lt;br /&gt;Para a objecção de que em apenas um ano não seria possível a Isidoro Paulo Pereira e a Manuel de Sousa Ramos levantar e desenhar todo o litoral desde Mira ao Porto, traçar a planta de Ovar e apresentar sondas de canais e ideias de projectos para melhorar a Barra só há uma resposta: quem mais poderia tê-lo feito, antes de 1778?&lt;span style="color: #990000; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;(7)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Muitos problemas ficam, certamente, por resolver. Muitas perguntas continuarão a aguardar resposta. Por que razão se perdeu a memória desta planta? Por que é que ainda não foi descoberta documentação sobre os trabalhos de levantamento da planta de Ovar? Por que motivo os ovarenses do século XX estavam convencidos de que a planta apresentada em 6 de Agosto de 1911 era a primeira planta da sua Vila?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;Notas:&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;&lt;strong&gt;(1)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;strong&gt;&lt;span style="color: #444444;"&gt;Cota CA 397, do Catálogo de Cartas Antigas do IGP.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;&lt;strong&gt;(2)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;strong&gt;&lt;span style="color: #444444;"&gt;Cfr. OLIVEIRA, Aurélio de, Póvoa de Varzim e os centros de salga na costa noroeste nos fins do século XVIII: o contributo da técnica francesa.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;(3)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;&lt;span style="color: #444444;"&gt;Idem, p. 117-118.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;&lt;strong&gt;(4)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;strong&gt;&lt;span style="color: #444444;"&gt;V. Diario das Cortes Geraes e Extraordinarias da Nação Portugueza, Acta 173, Sessão de 11 de Setembro de 1821.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;(5)&lt;/span&gt; &lt;span style="color: #444444;"&gt;Ver «Mappa Thopografico…» que se encontra depositado na BPMP [Reservados, pasta 19 (23)]. Cfr. Reprodução em anexo. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;&lt;strong&gt;(6)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;strong&gt;&lt;span style="color: #444444;"&gt;V. LOUREIRO, Adolfo, Porto de Aveiro, p. 18. &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;&lt;strong&gt;(7&lt;/strong&gt;)&lt;/span&gt; &lt;strong&gt;&lt;span style="color: #444444;"&gt;Humberto Gabriel Mendes, que já historiou toda a actividade dos engenheiros militares na zona de Aveiro no período pombalino, só referenciou trabalhos relacionados com a Barra e com a navegabilidade do Vouga. Provavelmente, os trabalhos de engenharia e cartografia efectuados durante o reinado de D. José passaram para a posse de Isidoro Paulo Pereira e Manuel de Sousa Ramos. Sabemos, agora, através de um mapa referenciado pelo senhor Padre Pinho Nunes [documento que se encontra na Biblioteca Pública Municipal do Porto – Pasta 19 (19)], que Isidoro Paulo Pereira trabalhou na nossa região entre 1777 e 1793, e que, após essa data, foi mobilizado para participar na Campanha do Rossilhão. Com efeito, um mapa das trincheiras na fronteira do Rossilhão, que foi «tirado» por Isidoro Paulo Pereira, tem a data de 1794.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;Texto publicado no n.º 42 da revista &lt;em&gt;REIS&lt;/em&gt;/2008&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;Edição da Trupe JOC/LOC&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2173951761233079456-6760864847451669777?l=revistareisovar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://revistareisovar.blogspot.com/feeds/6760864847451669777/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://revistareisovar.blogspot.com/2012/01/primeira-planta-da-vila-de-ovar.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2173951761233079456/posts/default/6760864847451669777'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2173951761233079456/posts/default/6760864847451669777'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://revistareisovar.blogspot.com/2012/01/primeira-planta-da-vila-de-ovar.html' title='A primeira planta da vila de Ovar'/><author><name>Fernando Pinto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18068174158604110968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-4GhL4dX_jUw/TwPHBKMFxrI/AAAAAAAACjU/hR5OOkiGJ_E/s72-c/planta5.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2173951761233079456.post-3850405004201781818</id><published>2011-11-26T02:31:00.020Z</published><updated>2011-11-26T03:06:43.480Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Revista REIS 2009'/><title type='text'>A Indústria de peles no concelho de Ovar</title><content type='html'>&lt;span style="background-color: #990000; color: white; font-size: x-small;"&gt;Revista &lt;strong&gt;&lt;em&gt;REIS&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;/2009&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="background-color: #990000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;&lt;em&gt;Por&lt;/em&gt;&lt;/span&gt; &lt;strong&gt;Manuel Pires Bastos&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diz o “Almanach de Ovar” de 1911: &lt;em&gt;“Da indústria de preparos de pele, em tempos remotos tão desenvolvida no bairro chamado hoje Pelames, não restam nem vestígios”.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Por esta referência e pelo próprio topónimo Pelames, concluímos que em Ovar se curtiam peles, nomeadamente no referido local, por onde, depois de receber as águas da ribeira das Lajes, passa o rio Cáster, em direcção ao centro da cidade, no velho caminho que ligava, a norte, a Igreja Matriz à rua Alexandre Herculano&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000; font-size: x-small;"&gt;(1)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; .&lt;br /&gt;A arte de curtir voltaria a Ovar no primeiro quartel do século XX, quase um século depois de estar florescente em S. Tiago de Riba-Ul (no “alto da fábrica” desde 1845, e no Cercal desde 1858)&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000; font-size: x-small;"&gt;(2)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #b45f06;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;em&gt;Empresa Fabril &amp;amp; Comercial de Ovar, Lda.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;(“Fábrica dos coiros”)&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Destinada “a comércio e indústria de pelarias e curtumes”, foi implantada em 1920 numa extensa área de terreno a poente da então vila de Ovar, na confluência das Ruas do Loureiro e Fernandes Tomás, junto ao actual Bairro da Misericórdia (perto da Oliveirinha), tendo a sua sede na Rua Padre Ferrer, 79&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000; font-size: x-small;"&gt;(3)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-pD7SfFhvPdo/TtBRrBxW3BI/AAAAAAAACew/Il52Xjd8Vbg/s1600/LOCAL-DA-QUINTA-CURTUMES.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" hda="true" src="http://4.bp.blogspot.com/-pD7SfFhvPdo/TtBRrBxW3BI/AAAAAAAACew/Il52Xjd8Vbg/s1600/LOCAL-DA-QUINTA-CURTUMES.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Local da antiga Fábrica de Curtumes, ao cimo da Rua do Loureiro, Ovar&lt;/strong&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;table cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="float: left; margin-right: 1em; text-align: left;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-n2f4v-qpOqk/TtBTmPgbsEI/AAAAAAAACe8/Y9X7sM8Dizs/s1600/dr.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" hda="true" height="200" src="http://3.bp.blogspot.com/-n2f4v-qpOqk/TtBTmPgbsEI/AAAAAAAACe8/Y9X7sM8Dizs/s200/dr.jpg" width="140" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Dr. António Santiago&lt;/strong&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;br /&gt;O semanário “João Semana” de 11/09/1921 refere-se a esta fábrica como sendo “nova” e “com óptimas condições”. Eram seus sócios: Banco Regional de Aveiro (cota de 10 000$00), Dr. Albino Borges de Pinho (3 000$00), Dr. António Lopes Fidalgo (3 000$00), Domingos Pereira Tavares (2 500$00), Ernesto Augusto Zagalo de Lima (3 000$00), José Pinho da Cruz (4 000$00) e Dr. António Gonçalves Santiago (4 500$00)&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000; font-size: x-small;"&gt;(4)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;Desactivada cerca de 1925, foi posta à venda em 1929&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000; font-size: x-small;"&gt;(5)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;. Cerca de 1953 o terreno foi posto de novo à venda pelo Banco Regional de Aveiro&lt;span style="color: #990000; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;(6)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;. Dela restam os tanques, desde há dezenas de anos enterrados debaixo de entulho e silvas&lt;span style="color: #990000; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;(7)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="color: #b45f06;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Silva &amp;amp; C.ª&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; &lt;em&gt;&lt;strong&gt;(Fábrica dos Calrotes)&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nasceu esta fábrica no lugar de Porto Igreja, S. Vicente de Pereira, cerca de 1925, por iniciativa de Domingos Fernandes da Silva (1888-1939), filho de João Fernandes da Silva († 05/09/1925) e de Emília Correia Gomes da Silva Leite († 18/03/1928), os Calrotes&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000; font-size: x-small;"&gt;(8)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-b3s7yjeYnvQ/TtBOm64zpnI/AAAAAAAACek/oXN2dytbWVM/s1600/s.+vicente.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" hda="true" src="http://4.bp.blogspot.com/-b3s7yjeYnvQ/TtBOm64zpnI/AAAAAAAACek/oXN2dytbWVM/s1600/s.+vicente.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;strong&gt;No Ameixial da quinta de Porto Igreja. Da esq. para a direita: Laurindo Fernandes da Silva (com arma), &lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;Caseiro Manuel Pinho; empregada; Maria, Emília, Delfina e Domingos Fernandes da Silva (com arma)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;br /&gt;A Fábrica era composta por um vasto edifício com bons maquinismos, alimentados a energia térmica e hidráulica. O negócio prosperou devido à boa técnica utilizada e à qualidade dos produtos, a maior parte dos quais importados da Argentina.&lt;br /&gt;Adoecendo Domingos Fernandes da Silva, a gestão da fábrica passou, cerca de 1938, para o sogro, Elias Correia da Silva Leite&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000; font-size: x-small;"&gt;(9)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, que assumiu os compromissos financeiros da firma. Entretanto o falecimento de Domingos Fernandes da Silva, em 1939, aos 51 anos, e a grave crise da 2.ª Grande Guerra Mundial (1938-1945), forçaram o restringimento da produção e mesmo o encerramento da empresa, com intenção de a voltar a reabrir&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000; font-size: x-small;"&gt;(10)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, o que viria a acontecer com outra gerência (Pablo Galli).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="color: #b45f06;"&gt;&lt;strong&gt;Fábrica de Curtumes Porto Rio&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;(Pablo Galí, Limitada), de Pablo Galí e Soares de Almeida&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Situava-se no Porto Igreja (Rio da Graça), sucedendo à anterior, nas mesmas instalações, mas com nova gerência. (Escritura de 21/03/1938)&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000; font-size: x-small;"&gt;(11)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;Por morte de Pablo Galí&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000; font-size: x-small;"&gt;(12)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, e após nova paragem, a empresa retomou a actividade, em menor escala, sob a orientação de António da Silva Rocha, funcionário da Quimigal e genro de Domingos Fernandes da Silva&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000; font-size: x-small;"&gt;(13)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; , em sociedade com Alberto da Silva Rocha, cessando o seu funcionamento antes de 1974, após um incêndio que destruiu o prédio, de que restaram apenas algumas paredes&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000; font-size: x-small;"&gt;(14)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, obrigando os últimos operários a procurarem outras empresas do ramo, inclusive em Alcanena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: #b45f06;"&gt;&lt;strong&gt;António J. da Silva Figueiredo&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;(Fábrica de Curtumes Marialva)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;No lugar de Aveneda, São Vicente de Pereira. O fundador e único sócio, António Joaquim da Silva Figueiredo, nascido em 11/11/1911 na Aveneda, fora empregado da Fábrica dos Calrotes, de onde saiu para tentar a sua sorte, e donde levou o fiel encarregado Augusto Araújo.&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-oPmt_VWcOG8/TtBWJOWzdFI/AAAAAAAACfc/fRh_mWQ6Ye0/s1600/curtumes3.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" hda="true" src="http://2.bp.blogspot.com/-oPmt_VWcOG8/TtBWJOWzdFI/AAAAAAAACfc/fRh_mWQ6Ye0/s1600/curtumes3.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Em 1921 tratava “peles de raposa, coelho, cabra, lontra, texugo, carneiro, cão, etc”&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000; font-size: x-small;"&gt;(15)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;. A princípio só curtia couro e sola. Mais tarde, introduziu a camurça, com empregados especializados vindos do Porto e de Loureiro&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000; font-size: x-small;"&gt;(16)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;Compravam à FANAFEL (Ovar) peças de feltro grosso (manchons) para a máquina de dois cilindros, destinada a espremer a água das peles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-Qa8Zw6F9h4Y/TtBVlgAlNJI/AAAAAAAACfU/Akws6-S-Mf4/s1600/maria-amelia-factura.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" hda="true" src="http://3.bp.blogspot.com/-Qa8Zw6F9h4Y/TtBVlgAlNJI/AAAAAAAACfU/Akws6-S-Mf4/s1600/maria-amelia-factura.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Adoecendo, o proprietário alugou as instalações, continuando a fábrica a funcionar com o seu nome durante cerca de uma década, até ao seu falecimento, aos 73 anos, em Junho de 1984, e, posteriormente, em nome da viúva&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000; font-size: x-small;"&gt;(17)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, que teve de se colectar, criando a &lt;strong&gt;firma Maria Amália Gomes da Rocha – Armazém de Solas e Cabedais&lt;/strong&gt;, até à concretização da venda das instalações à sociedade seguinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #b45f06; font-size: large;"&gt;&lt;em&gt;Curtumes Miguel Branco, Lda. &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após a compra do alvará, das instalações e da maquinaria a Maria Amália Gomes da Rocha, os sócios Miguel Félix Branco e João Carreira, de Matosinhos, e Joaquim Antenor Lopes dos Santos Silva, de Seia, ampliaram a fábrica dos Marialvas, que reiniciou a actividade em 1979, vindo a criar, pouco depois, a nova firma, que funcionou até 1998, altura em que foi alugada a novos gestores, todos pertencentes ao pessoal da empresa (encarregados de secção e de finanças), que lhe alteraram o nome, como segue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #b45f06; font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Curtumes Aveneda, Lda. &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-vZoMF4y8SVE/TtBXmoGQrdI/AAAAAAAACfo/fQjmT-PxDNo/s1600/fabrica-aveneda.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" hda="true" src="http://2.bp.blogspot.com/-vZoMF4y8SVE/TtBXmoGQrdI/AAAAAAAACfo/fQjmT-PxDNo/s1600/fabrica-aveneda.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Actual Fábrica de Curtumes Aveneda, S. Vicente de Pereira&lt;/strong&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;José Manuel Andrade, António João Rodrigues Novo, de Ovar, e Pedro João Salgueiro Marques da Silva, de Matosinhos, apostaram na actualização das estruturas fabris (com ETAR privativa) e na fabricação de produtos ecológicos (sem cromos e sem metais pesados), para exportação.&lt;br /&gt;É a única fábrica de curtumes que ainda persiste na região.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Notas:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000; font-size: x-small;"&gt;(1)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; Ainda se mantêm ali as velhas casas de moinhos e uma fonte de águas férreas. O caminho passava junto ao cemitério.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000; font-size: x-small;"&gt;(2)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; Annaes do Município de Oliveira de Azeméis, 1918.&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #990000; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;(3)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; Esta era a residência do Dr. António Gonçalves Santiago, que, como notário, era uma pessoa influente.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000; font-size: x-small;"&gt;(4)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; Cf. Jornal “A Pátria”, Ovar, 18/11/1920 e 15/09/1922.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000; font-size: x-small;"&gt;(5)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; “Povo de Ovar”, 21/11/1929, pág. 3: “Vende-se Fábrica de Curtumes desta vila. Para informações, Dr. António Santiago”.&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT;"&gt;&lt;span style="color: #990000; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;(6)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; O empreiteiro Abel Andrade tinha tentado adquiri-la, mas sem resultado.&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: PT;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000; font-size: x-small;"&gt;(7)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; A poente da fábrica ficava (junto ao referido bairro) ficava um terreno a pinhal, e a nascente um quintal com uma pequena casa de habitação com pomar e um portão de acesso às ruas do Loureiro e Fernandes Tomás, de que restam, ainda hoje, vestígios do muro exterior. Frente à fábrica, a sul da rua do Loureiro, paralela à Rua Fernandes Tomás, ficava a quinta do Dr. Salviano, onde estava instalado um armazém de marceneiro e onde existia um poço de engenho. A nascente da rua Fernandes Tomás ficava a quinta do Zezinho do Arrais.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000; font-size: x-small;"&gt;(8)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; João Fernandes da Silva e Emília Correia Gomes da Silva Leite casaram em 12/07/1877, ele com 33 anos e ela com 19. Os Calrotes tinham ares de alemães ou normandos (olhos azuis e pele muito branca) e, segundo uma versão familiar, eram monárquicos, relacionando-se com o Conde de Campo Belo (Macieira de Sarnes), e frequentando a casa dos Corte-Reais, de S. João da Madeira, vindo a ser, por isso, perseguidos pela República. Seria este o principal motivo porque vários deles preferiram permanecer no Brasil.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000; font-size: x-small;"&gt;(9)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; Além da Maria Joaquina, o casal Elias Correia da Silva Leite e Emília Alves Soares teve mais 10 filhos o mais velho dos quais foi Elias Correia Soares de Azevedo, nascido em S. Vicente de Pereira em 06/08/1911, que fez o 4.º ano no Colégio dos Carvalhos e que partiu, em 1927, com 16 anos, para o Brasil, onde trabalhou na firma F. Jorge de Oliveira &amp;amp; C.ª Lda., que comercializava couros e peles, à qual dedicou toda a sua vida, primeiro como auxiliar de armazém, depois como empregado de balcão, vendedor-viajante (cargo que lhe permitiu conhecer todo o Brasil), depois como sócio (1933) e, finalmente, quando a firma passou a Sociedade Anónima (1958), como seu Presidente.&lt;br /&gt;Pertenceu a diversas associações luso-brasileiras, tais como o Real Gabinete Português de Leitura, de que foi dos mais dedicados dirigentes (Vice-Presidente na área de finanças, com Medalha de Ouro), a Caixa de Socorros D. Pedro V (Benemérito e 1.º tesoureiro), Beneficência Portuguesa do Rio de Janeiro (Benemérito), Irmandades de N.ª S.ª da Candelária (Irmão graduado e mordomo dos educandários da instituição), e de Santo António dos Pobres (Irmão graduado), Clube Ginástico Português e Iate Clube do Rio. Foi condecorado com a Comenda da Ordem do Infante pelo Embaixador do Presidente Ramalho Eanes, e Medalha de Prata do Real Gabinete (quando do 80.º aniversario desta instituição) e a Cruz de Mérito D. João V.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000; font-size: x-small;"&gt;(10)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; Padre Augusto de Oliveira Pinto, “Resenha Histórica das Freguesias de Souto, S. Vicente de Pereira e S. Martinho da Gândara”, 1935-1937.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000; font-size: x-small;"&gt;(11)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; “O Povo de Ovar”, 27/05/1942.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000; font-size: x-small;"&gt;(12)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; Pablo Galí, conceituado comerciante espanhol ligado ao sector de curtumes e praticante de Tiro aos Pombos, residia no Porto, onde se situava o escritório da firma (na Rua Sá da Bandeira, 605, 2.º).&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000; font-size: x-small;"&gt;(13)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; Em correspondência de S. Vicente, o “Notícias de Ovar” de 14/01/1950 fala de duas fábricas de curtumes na freguesia, “que se vão aguentando apesar da crise que tudo avassala”.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000; font-size: x-small;"&gt;(14)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; No local está instalado um armazém de recolha da Junta de Freguesia.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000; font-size: x-small;"&gt;(15)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; “A Defesa”, Ovar, 28/08/1921.&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #990000; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;(16)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; De Loureiro veio o Cândido Valente (†2008).&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000; font-size: x-small;"&gt;(17)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; Nascida em Arouca em 1927.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;Texto publicado no n.º&amp;nbsp;43 da revista &lt;em&gt;REIS&lt;/em&gt;/2009&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;Edição especial comemorativa de 50 anos da Trupe JOC/LOC&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2173951761233079456-3850405004201781818?l=revistareisovar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://revistareisovar.blogspot.com/feeds/3850405004201781818/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://revistareisovar.blogspot.com/2011/11/industria-de-peles-no-concelho-de-ovar.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2173951761233079456/posts/default/3850405004201781818'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2173951761233079456/posts/default/3850405004201781818'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://revistareisovar.blogspot.com/2011/11/industria-de-peles-no-concelho-de-ovar.html' title='A Indústria de peles no concelho de Ovar'/><author><name>Fernando Pinto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18068174158604110968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-pD7SfFhvPdo/TtBRrBxW3BI/AAAAAAAACew/Il52Xjd8Vbg/s72-c/LOCAL-DA-QUINTA-CURTUMES.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2173951761233079456.post-7290928748944527844</id><published>2011-11-01T03:10:00.032Z</published><updated>2011-11-08T04:08:07.430Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='PONTES'/><title type='text'>Pontes de Ovar – Onde as margens se abraçam</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="background-color: #990000; color: white; font-size: x-small;"&gt;Revista &lt;em&gt;&lt;strong&gt;REIS&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;/1998&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;Por &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;Manuel Pires Bastos&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-oTy9dF30q8U/TrIXnbk1D6I/AAAAAAAACas/lERsLjG2ffc/s1600/Ponte-S-Roque.jpg" imageanchor="1" style="cssfloat: left; margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" ida="true" src="http://3.bp.blogspot.com/-oTy9dF30q8U/TrIXnbk1D6I/AAAAAAAACas/lERsLjG2ffc/s1600/Ponte-S-Roque.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Ponte de S. Roque (Ribeira, Ovar)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Pontes. Margens que se tocam para eliminar barreiras. Mãos que se apertam para construir fraternidade. Rodas para o progresso. Asas para a circulação da cultura.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Quem diz pontes, diz estradas. Para que a fraternidade avance, para que o progresso caminhe, para que o pensamento voe.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Primeiro, eram os vazios desertos, as perigosas veredas, os pântanos impossíveis. Depois, paulatinamente, foram as caravanas, a pertinácia dos homens e das bestas.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;E nasceram os trilhos de torna-viagem e as grandes rotas intercontinentais. Por terra e por mar, com a ajuda das pontes, fixas ou levadiças.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Ovar, no século XII (1186), segundo o Tombo do Mosteiro de Grijó, havia uma estrada (strata) que vinha daquela povoação de Gaia por Santa Marinha (Cortegaça) e Cabanões, que, &lt;em&gt;“um pouco a nascente da linha férrea, entrava em Ovar pela Ponte Nova, passava no lugar de Ações e seguia em Válega pela Ponte de Pedra”&lt;/em&gt; (Padre Miguel de Oliveira “Ovar na Idade Média”, pág. 129).&lt;br /&gt;A ser este o percurso desta estrada ao longo do litoral, deveria haver outro do lado nascente (das terras da Feira), que servia Cimo de Vila, Sande, S. Donato (1101), fazendo ligação para o sul (Pereira Jusã) e para poente (Ovar). Há que lembrar que estes itinerários eram péssimos. Ainda em 1758 (“Memórias Paroquiais”), em Arada havia só uma ponte “de um só pinheiro”, em Maceda algumas, só de pé, “a do Lambo de uma só pedra, pela qual se passa só de cavalo”), em Cortegaça cinco, todas “para gente de pé”, sendo a do rio das Cabras, de lousa, na estrada pública.&lt;br /&gt;A passagem de carros por essas estradas só era possível quando o leito dos ribeiros estava seco.&lt;br /&gt;Pedonal era também o concorridíssimo trilho próximo à linha de água do mar, que, partindo do extremo norte da Ria, no Carregal, seguia em direcção à Barrinha de Esmoriz (atravessada de barco) e ao Porto.&lt;br /&gt;No Foral de Ovar (1514) vem referida a rua direita, a mesma estrada que em 1768 é citada na Sentença dos Portados de Ovar, e que em 1857 é alvo de uma representação da Câmara a D. Pedro V. Saía do cais da Ribeira em direcção à Vila da Feira, a Arnelas e ao Carvoeiro, no rio Douro, atravessando a nossa Praça e seguindo pela rua direita da Fonte (actual Alexandre Herculano), Ponte João de Pinho (sobre o Cáster), cruzamento da Ponte Nova com a estrada atrás referida, e Sobral.&lt;br /&gt;Era neste sentido poente-nascente que se processava o escoamento do grande tráfego pedestre e comercial que vinha desde Águeda e Aveiro, através do Vouga e da Ria, e se destinava ao norte e ao nordeste do país.&lt;br /&gt;Em 1852, D. Maria II, na viagem de ida e volta às províncias do Norte, seguiu este rumo, aproveitando as beneficiações introduzidas, pouco antes, no cais e na rua direita da Ribeira.&lt;br /&gt;Em 1821 tinham sido desviadas para estas obras as verbas do real do vinho provindas de Ovar e que, até então, eram destinadas à barra de Aveiro, em construção. (Este itinerário fluvial só foi deixado com a chegada do caminho-de-ferro (1864) e com a construção da E. N. 109 (começada em 1879).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;em&gt;As pontes de Ovar&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estradas e cursos de água têm destinos cruzados. Sempre que se encontram, entram em conflito. É então que, para encontrar a paz, se criam as pontes.&lt;br /&gt;Nem sempre, porém, a harmonia é perfeita. Sobretudo quando as pontes são frágeis.&lt;br /&gt;As águas revoltas punham-nas em risco, fossem de madeira ou de pedra. Eram o seu pior inimigo.&lt;br /&gt;Em Ovar, em 9 de Fevereiro de 1879, após muitos dias de chuvas intensas, &lt;em&gt;“as pontes foram todas nas correntes, à excepção d’uma ou doutra”&lt;/em&gt;, e &lt;em&gt;“os rodízios dos moinhos voaram no torvelinho das águas”.&lt;/em&gt; Por causa disso ficou-se sem ter onde moer nos dois concelhos de Ovar e Oliveira de Azeméis. Nesse ano, a Câmara gastou 7 contos para reparos de pontes. (Almanaque de Ovar 1915, pág. 127).&lt;br /&gt;Quais seriam essas pontes de há 120 anos? Para tal inventário, bastaria traçar o mapa viário da vila de então, e marcar a sua intercepção com os diversos cursos de água.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;em&gt;A Ponte da Vila&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo as “Informações” de 1758, também conhecidas como Dicionário Geográfico, havia, então, no meio da freguesia de Ovar, uma ponte “de cantaria, com quatro arcos grandes e cinquo pequenos, e quatro vazadores, que he onde se ajunto os dous Rios chamados da Villa e Ruella”. Dela se diz que é muito vistosa, &lt;em&gt;“porque no meio dela está a Capela da Sr.ª da Graça”&lt;/em&gt;, tem &lt;em&gt;“várias árvores de huma e outra parte, que a fazem muito aprazível”.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-926OwP0Fc-E/Tq9nvr7obEI/AAAAAAAACZk/6YeASkRzvyk/s1600/1920_Ponte-Elias-Garcia_Ova.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" ida="true" src="http://2.bp.blogspot.com/-926OwP0Fc-E/Tq9nvr7obEI/AAAAAAAACZk/6YeASkRzvyk/s1600/1920_Ponte-Elias-Garcia_Ova.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;A actual Ponte da Vila em 1915, enquadrada na paisagem da época&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;Ficava no sítio da “ponte da vila”, junto à Capela de N.ª Sr.ª da Graça, de que também o rio recebia o nome, “por passarem os seus dois braços por baixo da ponte do mesmo nome contígua à capela de igual ivocação” (Corografia moderna do Reino de Portugal, Vol. 3).&lt;br /&gt;Pela descrição, tratava-se de uma ponte diferente da actual, muito mais comprida, e mais perto da Capela, onde atravessava o rio, na estrada em direcção à Igreja, seguindo por S. João, para Cucujães e Oliveira de Azeméis (Estrada Distrital n.º 40).&lt;br /&gt;O seu desmantelamento deve ter sido coevo do desvio da ribeira das Luzes para o sul, motivando a necessidade de duas pontes, uma para cada curso de água. A do rio da Vila (o Cáster) assentava (e ainda hoje assenta) sobre arcos, e mantém uma certa monumentalidade.&lt;br /&gt;Esta ponte, denominada da Vila, era não só a mais central, mas a mais estratégica de Ovar, por nela concorrerem não só a estrada da Igreja, mas ainda a que trazia à Praça, pela (Ar)ruela, os povos que vinham da parte alta de Ovar (S. Miguel, Ações, Guilhovai).&lt;br /&gt;Da Arruela partia um caminho de pé para a Igreja, pelo Serrado e pelas Luzes, onde havia uma ponte muito estreita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Ponte do Casal&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-KRTEHqPecr0/Tq9kLQfqPbI/AAAAAAAACZM/YvzmRZ8vqQQ/s1600/PONTE-CASAL2.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" ida="true" src="http://2.bp.blogspot.com/-KRTEHqPecr0/Tq9kLQfqPbI/AAAAAAAACZM/YvzmRZ8vqQQ/s1600/PONTE-CASAL2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Ponte do Casal (1913)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;A inauguração da primeira ponte do Casal deu-se, segundo informa o monumento erigido à entrada, em 21 de Abril de 1825, ao tempo de D. Carlota Joaquina. Arrasada pela cheia de 1879, foi reconstruída, mantendo-se de pé até aos dias de hoje. A sua antiguidade mostra a importância do respectivo caminho, que ligava o centro da vila, pelo exterior, do lado sul, com a Ruela, pela Rua do Sobreiro (actual Rua Camilo Castelo Branco).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Ponte do Sobral&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;(A 1.ª em betão em Portugal)&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/---luwkcZ4pM/TrWd-LLYZRI/AAAAAAAACbM/mF_v1GdTMWI/s1600/ponte-sobral+copy.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" ida="true" src="http://4.bp.blogspot.com/---luwkcZ4pM/TrWd-LLYZRI/AAAAAAAACbM/mF_v1GdTMWI/s1600/ponte-sobral+copy.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Ponte do Sobral&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;Fica na antiga Rua Direita (Distrital n.º 27), entre Ovar (Cais da Ribeira, Praça, Ponte Nova, Sobral) e Vila da Feira, com ligação ao Porto (pela antiga E. N. n.º 1) e ao Carvoeiro, nas margens do Douro.&lt;br /&gt;Nesta entrada, à saída do Sobral, há uma depressão de terreno que dá passagem a um pequeno curso de água, ainda em terras de Ovar. Quando foi necessário construir uma ponte sólida, adequada às exigências de uma nova época, estava em Ovar, às voltas com obras do caminho-de-ferro, o Engenheiro Tito de Noronha, que foi encarregado da sua concepção. Conhecedor de modernas técnicas de construção, resolveu aplicá-las ali. E o facto é que aquela pequena ponte passou a ser apontada como a primeira em Portugal em cimento armado!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Ponte João de Pinho&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-X5Hk09v_vQ8/TrWZ38dLPCI/AAAAAAAACa4/2epZhh2cIZA/s1600/ponte-joao-de-pinho1.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" ida="true" src="http://1.bp.blogspot.com/-X5Hk09v_vQ8/TrWZ38dLPCI/AAAAAAAACa4/2epZhh2cIZA/s1600/ponte-joao-de-pinho1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Ponte João de Pinho&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;﻿ &lt;br /&gt;&lt;table cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="clear: right; cssfloat: right; float: right; margin-bottom: 1em; text-align: right;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-lnvS9lyBgx4/Tq9lXKugWvI/AAAAAAAACZY/NZJMmPvPbH8/s1600/01-ponte-reada1+copy.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; cssfloat: right; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="320" ida="true" src="http://4.bp.blogspot.com/-lnvS9lyBgx4/Tq9lXKugWvI/AAAAAAAACZY/NZJMmPvPbH8/s320/01-ponte-reada1+copy.jpg" width="240" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;A velha ponte der(reada)&lt;/strong&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;Fica na mesma rua direita (ao fundo da actual Dr. José Falcão), a caminho da Ponte Nova, no atravessadouro do Rio da Vila (Cáster).&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Já citada no século XVIII, foi palco, em Março/Abril de 1809, de uma emboscada perpetrada por soldados de Aveiro contra uma guarnição francesa, comandada por Guarin, que não respondeu com represálias. (Almanaque de Ovar, 1913, pág. 154).&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Dois meses depois (11/05), 3000 soldados ingleses rechaçaram os franceses num “recontro além da Ponte Nova”, empurrando-os para a Feira e, daí, para o Porto.&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;O termo Ponte Nova, ainda hoje ligado a um conhecido lugar no cruzamento das E. N. 109 e 223, recorda o momento importante no avanço do processo viário em Ovar (construção da E. N.), e tanto poderá reportar-se à ponte sobre o Cáster, a norte, que substituiu a velha ponte der(reada), que lhe ficaria um pouco mais a nascente, como a ponte sobre o rio das Lajes, a sul.&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Nesta mesma estrada, há pequenas pontes sobre a levada dos moinhos das Luzes (a sul da estação da CP) e sobre o rio da Arruela (ou das Luzes), junto ao Lopo (Madria).﻿ &lt;br /&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: left;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-wJSHcvYiin4/Tq9i7ZLAbxI/AAAAAAAACZA/MAjVFEeLoC0/s1600/PONTE-MOITA1.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" ida="true" src="http://1.bp.blogspot.com/-wJSHcvYiin4/Tq9i7ZLAbxI/AAAAAAAACZA/MAjVFEeLoC0/s1600/PONTE-MOITA1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Ponte da Moita&lt;/strong&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;﻿No caminho da Moita, por onde o rio Cáster se estende até à Ria, há uma ponte de pedra, hoje semi-destruída. (Com o derrube da parede do lado esquerdo perdeu-se uma grande pedra de granito onde estava gravada uma legenda que tive oportunidade de ver há alguns anos atrás, mas que não consegui interpretar totalmente). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-RGDKrauBCDI/TrirCxEuFmI/AAAAAAAACbo/qLR25cKzCvA/s1600/ponte-moita-pedra.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" ida="true" src="http://2.bp.blogspot.com/-RGDKrauBCDI/TrirCxEuFmI/AAAAAAAACbo/qLR25cKzCvA/s1600/ponte-moita-pedra.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-kQYvmU925kE/TrIU7yXOlvI/AAAAAAAACag/YPPUORw5UuA/s1600/PONTE-DA-MOITA2.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" ida="true" src="http://1.bp.blogspot.com/-kQYvmU925kE/TrIU7yXOlvI/AAAAAAAACag/YPPUORw5UuA/s1600/PONTE-DA-MOITA2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;Texto publicado no n.º 32 da revista &lt;em&gt;REIS&lt;/em&gt;/1998&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;Edição da Trupe JOC/LOC&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Nota: vão ser colocadas mais fotos.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2173951761233079456-7290928748944527844?l=revistareisovar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://revistareisovar.blogspot.com/feeds/7290928748944527844/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://revistareisovar.blogspot.com/2011/11/pontes-de-ovar.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2173951761233079456/posts/default/7290928748944527844'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2173951761233079456/posts/default/7290928748944527844'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://revistareisovar.blogspot.com/2011/11/pontes-de-ovar.html' title='Pontes de Ovar – Onde as margens se abraçam'/><author><name>Fernando Pinto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18068174158604110968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-oTy9dF30q8U/TrIXnbk1D6I/AAAAAAAACas/lERsLjG2ffc/s72-c/Ponte-S-Roque.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2173951761233079456.post-5872885930084801322</id><published>2011-10-13T03:30:00.030+01:00</published><updated>2011-10-15T03:13:42.623+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Revista REIS 2011'/><title type='text'>Nos 200 anos da Banda Filarmónica Ovarense</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000; font-size: large;"&gt;&lt;em&gt;Origem da Música Velha (1811-2011)&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="background-color: #990000; color: white; font-size: x-small;"&gt;Revista&lt;strong&gt;&lt;em&gt; REIS&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;/2011&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;Por &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;Manuel Pires Bastos&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O século XIX herdou da Revolução Francesa (1789-1799) um clima de ruptura com o passado.&lt;br /&gt;Em Ovar, e no campo artístico, o Juiz de Fora António José Pereira Coelho de Melo lançou, em 1811, no rescaldo das Invasões Napoleónicas, a ideia de se organizar aqui uma sociedade musical à semelhança das de S. Tiago de Riba-Ul e de Arrifana, as quais, segundo João Frederico, seriam as únicas dignas desse nome então existentes em todo o distrito de Aveiro.&lt;br /&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-aEZn3Gi0Qw4/TpZPgmHCDQI/AAAAAAAACWk/ZnOrRYVLbZo/s1600/banda-ovarense3.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" oda="true" src="http://2.bp.blogspot.com/-aEZn3Gi0Qw4/TpZPgmHCDQI/AAAAAAAACWk/ZnOrRYVLbZo/s1600/banda-ovarense3.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;a href="http://www.bandaovarense.net/"&gt;&lt;strong&gt;Banda Filarmónica Ovarense&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;[CLIQUE NO LINK]&lt;/span&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;Após convite, frustrado, ao Padre Fernando Luís de Carvalho, que dirigira a última Capela de Música de Ovar, foi de S. Tiago de Riba Ul que veio o maestro António José Valério, sob cuja orientação se estruturou a Sociedade Filarmónica Ovarense, nascida oficialmente em 4 de Dezembro de 1811, e formada por 19 sócios, dos quais&amp;nbsp;cinco sacerdotes – Fernando Luís de Carvalho, Domingos José Rodrigues da Silva, Francisco da Costa Mendes, Dionísio de Oliveira Pacheco e António Ferreira –, um clérigo minorista – Manuel Bento –, o Capitão Manuel de Sousa Azevedo, o Alferes Bernardino José Gomes Coelho, os Boticários José Manuel Teixeira de Pinho e João Norberto da Silva, e ainda Salvador da Silva Lima, António Joaquim da Costa Monteiro, António Joaquim Gomes da Silva, João Gomes Leite, José de Oliveira Muge e José Lopes Barbosa.&lt;br /&gt;﻿﻿Pela presença de tantos clérigos e pela natureza do primeiro serviço prestado (Procissão dos Terceiros de 1812), constata-se que se tratava de uma “Música a Capella”, embora mais apurada do que as antigas Capelas de Música de Domingos Gomes Campos (séc. XVII e XVIII), de seu filho Francisco Pereira de Campos (séc. XVIII), e do citado Padre Fernando Carvalho (séc. XVIII-XIX).﻿ &lt;table cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="clear: right; cssfloat: left; cssfloat: right; float: right; margin-bottom: 1em; text-align: left;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-dCwpPLUk5xo/TpZPBcM-siI/AAAAAAAACWc/oHmeliULnyo/s1600/antonio-brandao1.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="320" oda="true" src="http://3.bp.blogspot.com/-dCwpPLUk5xo/TpZPBcM-siI/AAAAAAAACWc/oHmeliULnyo/s320/antonio-brandao1.jpg" width="275" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;António Maria Valério de Sousa Brandão&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;2.º Regente da Banda Filarmónica Ovarense&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;﻿ &lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;﻿﻿﻿﻿De facto, segundo o jornal “Regeneração Liberal do Porto” de 21/09/1820, para comemorar a vitória Liberal de 14 de Agosto houve um &lt;em&gt;Te Deum&lt;/em&gt; na Igreja Matriz de Ovar, a que se seguiu “uma iluminação nas três noites sucessivas, e uma bem concertada orquestra, em que figuravam alguns italianos, que por acaso ali se encontravam” . &lt;strong&gt;Esta “orquestra” era, certamente, a Sociedade Filarmónica dirigida por António José Valério&lt;/strong&gt; que, na Semana Santa de 1821, por motivo de indisposição física, foi substituído por seu filho António Maria Valério de Sousa Brandão (1808-1895), então apenas com 13 anos, que lhe viria a suceder na regência da Banda, onde permaneceu mais de 70 anos, com algumas interrupções.&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Sabe-se que a evolução das filarmónicas dependeu do aparecimento de novos instrumentos musicais e do incremento que lhes foi dado a partir de 1834. Pedro de Freitas acha que só depois dessa data, com a implantação efectiva do Liberalismo e a criação das bandas regimentais – antes existiam gaiteiros e charameleiros –, é que se formaram as bandas civis (que ele chama populares), e que &lt;strong&gt;a primeira delas, no distrito de Aveiro, terá sido a&lt;/strong&gt; &lt;a href="http://www.bandaamizade.com/"&gt;&lt;strong&gt;Banda Amizade&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt; (de 1834, e reorganizada em 1846 com elementos vindos da Guarda Nacional, alguns deles espanhóis), e de que &lt;a href="http://www.prof2000.pt/users/secjeste/arkidigi/mem_aveiro/bandamiza01.htm"&gt;&lt;strong&gt;Sousa Brandão&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt; &lt;strong&gt;também chegou a ser regente.&lt;/strong&gt; O facto deste maestro e de seu pai terem sido, antes de 1834, os maestros da Filarmónica Ovarense, mostra a maior antiguidade desta em relação à Banda de Aveiro.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-vB05Excryko/TpZQAQJt7uI/AAAAAAAACWs/MMdLsgpOa5k/s1600/banda-ovarense2.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" oda="true" src="http://4.bp.blogspot.com/-vB05Excryko/TpZQAQJt7uI/AAAAAAAACWs/MMdLsgpOa5k/s1600/banda-ovarense2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Banda Filarmónica Ovarense&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;No arquivo da Banda Ovarense encontrámos uma selecção da ópera “Norma”, sem data, com os seguintes oito instrumentos: 1.º e 2.º violino, violoncelo, 3.ª flauta, 1.º e 2.º clarinete, 1.ª e 2.ª trompa. Pode corresponder ao primeiro período da Filarmónica. Uma partitura de “A Traviata”, já indicia uma fase mais adulta da Banda, com flautim, requinta, 1.º e 2.º clarinete, corneta, cornetim, trompas (mib), 1.º figle, bassos e contrabasso. São, pelo menos, 12 elementos.&lt;br /&gt;O “Galucho”, um ordinário composto pelo próprio António Maria Valério da Silva Brandão, tem flautim, 1.º e 2.º clarinete, 1.º e 2.º cornetim, 1.º e 2.º “fiscornes” (fliscone, inventado depois de 1842), 1.ª e 2.ª trompa (mib), 1.º e 2.º barítono, 1.º e 2.º tenor, 1 baixo, 2 bassos e 1 bombo.&lt;br /&gt;Mas não esqueçamos que as Capelas de Música foram outra fonte, mais antiga e natural, donde brotaram muitas Bandas, como a de S. Tiago, a de Arrifana e a Ovarense, que nasceu como Sociedade Filarmónica antes das Sociedades Filarmónicas de Londres (1813) e de Lisboa (1822).&lt;br /&gt;Datas célebres figuram na história da Banda Ovarense. Uma delas é 21 de Maio de 1852, quando da passagem da Rainha D. Maria II por Ovar. Por actuar, na Praça, “para a arraia miúda”, e durante a viagem de regresso pela ria a “música dos curiosos de Ovar”, recebeu 5$000 reis. (Ao Regimento de Infantaria 6 de Aveiro foram pagos 12$000 reis pela sua actuação, que também ocorreu “durante o repasto” .&lt;br /&gt;Nessa época, ao mestre Sousa Brandão, ainda era dado o título “Mestre de Capella da Villa de Ovar” (num retrato, à pena, de 1856, e no funeral do Padre Ferrer, em 1863). Mas que também era maestro filarmónico prova-o o facto de executar peças clássicas. (Há uma cópia de “Vivandeira-Sinphonia” assinada em Lisboa em 1866 com a rubrica Br.am.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;Texto publicado no n.º 45 da revista &lt;em&gt;REIS&lt;/em&gt;/2011&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;Edição da Trupe JOC/LOC&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2173951761233079456-5872885930084801322?l=revistareisovar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://revistareisovar.blogspot.com/feeds/5872885930084801322/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://revistareisovar.blogspot.com/2011/10/nos-200-anos-da-banda-filarmonica.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2173951761233079456/posts/default/5872885930084801322'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2173951761233079456/posts/default/5872885930084801322'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://revistareisovar.blogspot.com/2011/10/nos-200-anos-da-banda-filarmonica.html' title='Nos 200 anos da Banda Filarmónica Ovarense'/><author><name>Fernando Pinto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18068174158604110968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-aEZn3Gi0Qw4/TpZPgmHCDQI/AAAAAAAACWk/ZnOrRYVLbZo/s72-c/banda-ovarense3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2173951761233079456.post-3926027397051023631</id><published>2011-08-13T00:13:00.018+01:00</published><updated>2011-10-13T03:32:05.190+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Revista REIS 1988'/><title type='text'>VAR – Vareiras e Varinas</title><content type='html'>&lt;span style="background-color: #990000; color: white; font-size: x-small;"&gt;Revista &lt;em&gt;&lt;strong&gt;REIS&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;/1988&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;table cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="float: right; text-align: right;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-eN4igDQIaiU/TkW3JpcBpaI/AAAAAAAACOI/PL8ytHgWl-o/s1600/01-varina1.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; cssfloat: right; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="400" naa="true" src="http://1.bp.blogspot.com/-eN4igDQIaiU/TkW3JpcBpaI/AAAAAAAACOI/PL8ytHgWl-o/s400/01-varina1.jpg" width="261" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Vareira&lt;/strong&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;Por &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;António Manarte&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;strong&gt;Não tem sido pacífica, através dos anos, falar do tema em epígrafe.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;strong&gt;A terra e as gentes que a cobrem têm, todavia, sua raiz própria que, nascida e desenvolvida naturalmente, sem arrebiques de erudição deve ser buscada, respeitada e amada.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;strong&gt;Pretende vestir gentes de trabalho, no campo, nos rios ou no mar, de fraque, camisas engomadas e cartola; ou saías e vestidos de seda munidos de enchumaços ou tournures, blusas de rendas, chapéus com ornamentações extravagantes de flores ou frutos, não parece coerente com enxadas e rapichéis. Mas isto se tem pretendido fazer, com menosprezo do que a História, a Sociologia, a Economia e a própria Arqueologia nos apontam. E, porque uma colaboração me foi solicitada, e eu tenho procurado responder aos apelos da terra, alguns ligeiros considerandos aqui vão sobre o tema que me foi sugerido – VARINAS. Procurarei estribar-me em realidades, que não em académicas ou laudatórias opiniões de… “sábios”.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;em&gt;1 –&lt;/em&gt; &lt;em&gt;O VAR&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A civilização castreja, tão marcante no Noroeste Peninsular, aceite pelos Celtas invasores e por eles apurada e continuada que os romanos mais tarde procuraram destruir, embora sem total sucesso, aculturou e facetou os noroestinos peninsulares. E isto nos costumes da sua vivência, inclusive na sua idiomática, muito anterior à latinização. E embora o latim dos vencedores se viesse a impor com a sua disciplina linguística, uma mestiçagem substitui com as línguas pré-latinas. O que, bem o sei, tem repugnado a “eruditos e latinistas”; mas o povo, o fazedor do idioma, não embarca facilmente em erudições que… ultrapassam seus trabalhos costumeiros.&lt;br /&gt;A alguns tem repugnado a antiga expressão popular “O VAR”, entendendo que o certo é Ovar, com “O” agarrado e aberto. Ora as línguas, através dos tempos, sofrem alterações fonéticas, morfológicas e, até, sintácticas e semânticas. E mesmo enquanto que uns termos avançam na sua evolução, outros vão ficando mais para trás.&lt;br /&gt;Nós sabemos que o idioma galego-português permaneceu unido até à independência de Portugal. Só depois é que… o Português se afastou levemente do Galego – aliás só se tornando idioma obrigatório em Portugal com o rei D. Dinis… Mas a estrutura linguística manteve-se. E não se confunda o Galego com o Castelhano, este por muitos chamado Espanhol, embora incorrectamente, já que Espanhol seria o idioma de toda a Espanha. Mas na Espanha há o Castelhano, o Basco, o Catalão… E o Galego, irmão gémeo do Português. E, no Noroeste, mantiveram-se através dos tempos, e ainda perduram, topónimos precedidos de artigo, como a seguir se transcreve: O Viceto, O Barqueiro, a Cruña, O Grove, A Toxa (La Toja), A Estrada, A Pedra (mercado típico de Vigo) – designações galegas de locais, vilas ou cidades –; e até, do lado de cá, O Porto, que os ingleses, tão avessos às alterações ortográficas, mantêm “Oporto”, designação esta muito internacional. Isto pacificamente se aceita. E, porque não, O VAR? Por causa do O aberto inicial?&lt;br /&gt;Quem ler Rosalia de Castro, que escreveu seus Cantares antes da formação da Real Academia Galega (Corunha, 1906), verá nesta obra que o artigo definido masculino aparece sempre aberto (até com acento gráfico); e a poetisa escreveu – ela o proclamou – na Língua que falava, o antigo idioma galego-português. Isto me explica como O VAR deu Ovar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;em&gt;2 – Uma terra demarcada&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-o0sROuGTawU/TkW7rtlKY-I/AAAAAAAACOQ/VmoKhnraMig/s1600/01-vista-ovar.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" naa="true" src="http://3.bp.blogspot.com/-o0sROuGTawU/TkW7rtlKY-I/AAAAAAAACOQ/VmoKhnraMig/s1600/01-vista-ovar.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Vista parcial de Ovar (princípios do séc. XX)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Rio Cáster, junto à Rua da Fonte&lt;/strong&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;br /&gt;Num litígio judicial, cerca do ano 1700, entre Aveiro e Ovar, por causa da capela da Senhora das Areias, na costa hoje de S. Jacinto, a sentença da 1.ª instância subiu à Relação. E este tribunal sentenciou que os limites de Ovar abarcavam a referida costa, indo até mais além – até à barra velha de Mira, onde foi colocado um marco de pedra com a palavra VAR a indicar-lhe o termo. Isto se lê na página 148 do “Monumentos e Instituições Religiosas”, do Padre Manuel Lírio. Certo que a palavra foi gravada de acordo com o que a entidade administrativa vareira, saída vencedora de um pleito, lhe terá ordenado. E foi gravada a forma antiga do nome, o que é muito significativo.&lt;br /&gt;E este era o limite sul da terra do VAR. E qual seria o limite norte? Costumam fixá-lo no rio Douro, embora na altura deste pleito já as administrações da Feira e de Gaia ocupassem terras a sul do Douro. Mas colónias vareiras estavam radicadas até ao Douro e ainda mais a norte – por terras de Bouças (hoje Matosinhos), onde o termo vareiro, e apelidos como hoje nós os temos, se mantêm ainda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;3- Uma gente marcada&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-zpKvO7DHU3Y/TkW4MzAdA6I/AAAAAAAACOM/g994RulLSWY/s1600/01-varina.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: right; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" naa="true" src="http://3.bp.blogspot.com/-zpKvO7DHU3Y/TkW4MzAdA6I/AAAAAAAACOM/g994RulLSWY/s400/01-varina.jpg" width="276" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Se a terra estava demarcada, as suas gentes marcadas foram com um nome – Vareiros –, ou seja, gentes do Var. Evidentemente que o sufixo – &lt;em&gt;eiro&lt;/em&gt;, de índole popular (e é o povo quem faz a língua!), denuncia duas coisas: naturalidade e actividade. E, assim, teremos de entender vareiros em sentido lato: vareiros são os naturais das terras do Var. Isto ainda se mantém válido. Em sentido estrito: vareiros (mais ainda vareiras) são os naturais do Var, que se dedicam a determinada actividade – apanha ou venda de pescaria. Ainda hoje, as vendedeiras ambulantes de sardinha (e outros peixes miúdos) são chamadas vareiras na zona litorânea do norte. E, até, a par dos seus típicos pregões “,éer-cáa-sar-díin-nha-frêes-câa!” (fresquinha do nosso mári!), um género musical surgiu em canções, designadas vareiras pelos musicólogos.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;E era vê-las, no tempo da safra, corre que corre, “descalças de pé e perna”; saia grossa, ensacada com cinto preto para elevar a roupagem; avental; blusa; xale traçado; lenço na cabeça atado na nuca; rodilha na cabeça para assentamento na canastra… Preferindo a roupa escurinha, mais de acordo com o recato no trajo e também praguejando, por vezes, em modos de desabafos de indignação. Mas, aos domingos e para as procissões (então muito frequentes) com sua roupa melhor, roupa de missa, saia comprida, xale em bico nas costas (com a ponta maior para fora) e, por vezes, com chapelete preto… mas sempre preferindo o escurinho; – que não para a blusa ou volta.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: left;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Até que… aconteceram traineiras e motoras, que a princípio ainda descarregavam sardinha nas praias, com suas chalandras. E, então, os navios arrastões?... E as companhas (artes de xávega) foram decaindo, a sardinha emigrando e os homens também. A costa ia ficando rapada. Melhores ganhos se vislumbravam lá para as Lisboas. Os homens… para as fragatas do Tejo, por lá se iam ficando. E as vareiras, suas mulheres, os acompanhavam. E então… nasceram as Varinas. O sufixo – eira não agradava, por certo, aos delicados ouvidos alfacinhas, por demasiado provinciano. Agradaram-se mais os lisboetas do sufixo – ina. Assim a vareira de cá, vendedora ambulante, surgiu varina em Lisboa, terra onde até havia poetas e fadistas que a cantavam.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Em “O Livro de Cesário Verde” (1901, pág. 60), no poema Avé-Marias, podem ler-se estas quadras finais:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-id6v0p9X0HM/TksmBRuSkkI/AAAAAAAACQo/ztfaDqJYwHs/s1600/vareira3.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; cssfloat: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" naa="true" src="http://1.bp.blogspot.com/-id6v0p9X0HM/TksmBRuSkkI/AAAAAAAACQo/ztfaDqJYwHs/s400/vareira3.jpg" width="275" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Vazam-se os arsenais e as oficinas;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Reluz, viscoso, o rio, apressam-se as obreiras;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;E num cardume negro, hercúleas, galhofeiras,&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Correndo com firmeza, assomam as &lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;Varinas&lt;em&gt;&lt;strong&gt;.&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Vêm sacudindo as ancas opulentas!&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Seus troncos varonis recordam-me pilastras;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;E algumas, à cabeça, embalam nas canastras&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Os filhos que depois naufragam nas tormentas.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Descalças! Nas descargas do carvão,&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Desde manhã à noite, a bordo das fragatas;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;E apinham-se num bairro aonde miam gatas,&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;E o peixe podre gera os focos de infecção! &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;E porque Lisboa é um empório comercial, a varina tornou-se mais conhecida e a vareira mais apagada. E até numa fábrica de conservas “A Varina”, com estabelecimentos fabris em Ovar, Furadouro e Matosinhos, levou aos quatro cantos do mundo o nome e a figura da varina. Mas a varina é menos autêntica que a vareira. Esta, é nortenha, é legítima representante do seu habitat: aquela é da capital (talvez, até, mais capitalista!), mas menos representativa, porque arredada do seu habitat. Esta, como peixe na água; aquela, peixe fora da água que lhe é própria.&lt;/div&gt;Mas, ambas mulheres de trabalho, duras de perna para as caminhadas e firmes de voz para os seus pregões, bem merecem da terra de origem. E até, bem pensando, talvez que em nossos brasões, a par de uma enxada se deva pôr um rapichel – símbolos que engrandeceram a nossa terra, hoje feita cidade, ainda em dívida escultórica para quem a faz grande – em evocação de respeitandas memórias e para exemplo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porto, 08/12/1987&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;Texto publicado no n.º&amp;nbsp;22 da revista &lt;em&gt;REIS&lt;/em&gt;/1988&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;Edição da Trupe JOC/LOC&lt;/span&gt; &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;img height="96" src="http://3.bp.blogspot.com/-zpKvO7DHU3Y/TkW4MzAdA6I/AAAAAAAACOM/g994RulLSWY/s400/01-varina.jpg" style="filter: alpha(opacity=30); left: 537px; mozopacity: 0.3; opacity: 0.3; position: absolute; top: 1596px; visibility: hidden;" width="66" /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2173951761233079456-3926027397051023631?l=revistareisovar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://revistareisovar.blogspot.com/feeds/3926027397051023631/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://revistareisovar.blogspot.com/2011/08/var-vareiras-e-varinas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2173951761233079456/posts/default/3926027397051023631'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2173951761233079456/posts/default/3926027397051023631'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://revistareisovar.blogspot.com/2011/08/var-vareiras-e-varinas.html' title='VAR – Vareiras e Varinas'/><author><name>Fernando Pinto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18068174158604110968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-eN4igDQIaiU/TkW3JpcBpaI/AAAAAAAACOI/PL8ytHgWl-o/s72-c/01-varina1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2173951761233079456.post-2193791398044968027</id><published>2011-07-21T02:48:00.003+01:00</published><updated>2011-07-22T02:25:56.737+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Revista REIS 1985'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='PESSOAS'/><title type='text'>José Maria Fernandes da Graça – Corre-lhe nas veias um puro “vareirismo”…</title><content type='html'>&lt;span style="color: #b45f06;"&gt;&lt;span style="background-color: #990000; color: white; font-size: x-small;"&gt;Revista &lt;em&gt;&lt;strong&gt;REIS&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;/1985&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #b45f06;"&gt;&lt;em&gt;“… Nem pensem nisso. Falar de mim está totalmente&lt;/em&gt; &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #b45f06; font-size: large;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;fora da minha maneira de ser”!&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;table cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="float: right; margin-left: 1em; text-align: right;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-RrZbAudT3zs/TieEtoii3dI/AAAAAAAACMI/152exM6dJRA/s1600/jose+maria+fernandes+graca.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; cssfloat: right; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="296" src="http://4.bp.blogspot.com/-RrZbAudT3zs/TieEtoii3dI/AAAAAAAACMI/152exM6dJRA/s320/jose+maria+fernandes+graca.jpg" t$="true" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;José Maria Fernandes da Graça&lt;/strong&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;Foi assim que José Maria Fernandes da Graça – ou simplesmente o &lt;strong&gt;Zé Maria “do Turismo”&lt;/strong&gt;, como é conhecido – nos passou a certidão de óbito ao projecto de entrevistá-lo.&lt;br /&gt;Desconsolados, isso, ficámos! Pudera…&lt;br /&gt;Mas desistir de falar desta conhecida figura, tão reservada quanto cheia de dedicação pelas melhores tradições e progresso de Ovar, estava fora dos propósitos da &lt;strong&gt;revista&lt;em&gt; REIS&lt;/em&gt;/1985&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;Assim, trocámos as voltas e, em vez da conversa amena sobre os seus quarenta anos de experiência em múltiplos trabalhos da comunidade, pusemo-nos a rebuscar ajudas de quem melhor o conhece. E… episódio dum, lembranças doutro – sempre às esquivas, porque ninguém quer perder a amizade deste homem cioso da sua privacidade –, juntámos os flashes que ouvimos.&lt;br /&gt;E resultou este esboço de retrato.&lt;br /&gt;Também a nós não interessam os vedetismos que por aí pululam e lhe desagradam. Mas a feição gratificante da gente que dá a esta Terra o melhor de si, essa, não podemos dispensá-la destas páginas natais.&lt;br /&gt;Que ele nos desculpe a indiscrição, mas a Revista é assim mesmo: teimosamente vareira. E, contra isto, não há nada a fazer…&lt;br /&gt;De forma simples, avançamos um pouco, e nem será necessário utilizar adjectivos.&lt;br /&gt;Os depoimentos que se seguem falam por ele, José Maria da Graça, que já aos 7/8 anos acompanhava, de porta em porta, fascinado pela sua magia, &lt;strong&gt;as trupes de Reis&lt;/strong&gt;; que veio a ser componente da ADO durante dois ou três anos; e que muito lutou pelo “Cantar os Reis”, fomentando, teimosamente, o uso de músicas originais em todas as trupes, com vista a uma melhor qualidade e a uma maior propaganda de Ovar; ele que formou equipa – pois nunca quis encabeçar fosse o que fosse, fugindo a títulos directivos – para a revitalização de manifestações públicas quer de carácter religioso quer culturais ou de diversão; ele que, mais como vareiro do que como profissional – aliás exemplar e dedicadíssimo –, granjeou dos seus superiores do Pelouro do Turismo – Francisco de Oliveira Gomes Ramada, Dr. Lamy Laranjeira, Dr. José Carvalho da Silva, Manuel Ramada, Dr. José Fragateiro e Afonso Themudo, entre outros – &lt;strong&gt;o lugar de colaborador ímpar com suas achegas e com a sua rara sensibilidade para tudo o que de melhor se pensasse em ordem ao engrandecimento de Ovar&lt;/strong&gt;; ele que, quantas vezes no anonimato, contribuiu, como mola real, para muito do que hoje nos orgulha como vareiros: – a adaptação da actual esplanada do Furadouro, a transformação luminosa da Praia do Areinho, sua ilha e restaurante, o primeiro desdobrável turístico, o empenhamento e valorização do Rancho da Marinha, crismado, mais tarde, de “Rancho Folclórico de Ovar”, a actualização da Biblioteca Municipal, e a criação, na mesma, duma secção da Biblioteca da Gulbenkian, e a edição do Guia Turístico, Comercial e Industrial de Ovar de parceria com o artista Zé Penicheiro.&lt;br /&gt;Por toda uma vida de disponibilidade a Ovar, achamos de toda a justiça a resolução tomada pela nossa edilidade ao conceder-lhe recentemente a “Medalha de ouro de Bons Serviços”.&lt;br /&gt;A José Maria Fernandes da Graça aqui deixamos também a nossa homenagem. &lt;em&gt;(Pela equipa da revista REIS/1985)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #b45f06; font-size: large;"&gt;&lt;em&gt;Reiseiro em busca de qualidade &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #b45f06; font-size: large;"&gt;&lt;em&gt;e pureza da tradição&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No meu contacto quase diário com o Zé Maria, ao longo de tantos anos, pude aperceber-me do grande interesse e amor que ele tem dedicado a todas as coisas de Ovar, particularmente às suas realizações e tradições. Mesmo quando não participou directamente em alguma actividade, não deixou nunca de manifestar por ela um cuidadoso interesse, como nunca faltou com uma palavra de incentivo, uma crítica saudável, ou um elogio oportuno.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A tradição vareira do “Cantar os Reis” não podia, por isso, ser excepção&lt;/strong&gt;. Se bem que, tanto quanto me lembro, ele nunca tenha participado numa trupe, nem por isso foi menos importante a sua influência nos Reis. De facto, foi por sua sugestão, por seu interesse ou por sua acção directa, que foram tomadas algumas medidas que tiveram indiscutível impacto quer na consolidação da tradição, quer na sua mais perfeita caracterização, ou mesmo na procura de uma maior pureza. Refiro-me, concretamente, à ajuda material dada às trupes para o trabalho de impressão dos folhetos com os versos das suas canções, à melhoria das condições acústicas e de apresentação no cumprimento da “obrigação” tradicional de cantar para o povo na Praça da República, à divulgação desta manifestação vareira quer pela Rádio quer pela TV, e, finalmente, &lt;strong&gt;à adopção de músicas originais de compositores vareiros ou radicados em Ovar, em vez das adaptações musicais&lt;/strong&gt;, na verdade pouco características, que ao longo de tantos anos serviram de base às canções de Reis.&lt;br /&gt;Felicito a JOC por ter decidido prestar esta homenagem a um homem que muito amor tem dado à sua e nossa Terra. &lt;em&gt;(TEXTO: António Coelho)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #b45f06; font-size: large;"&gt;&lt;em&gt;Dar às procissões quaresmais &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #b45f06; font-size: large;"&gt;&lt;em&gt;o seu antigo esplendor&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouco depois do primeiro quartel deste século, começou a declinar o brilhantismo e imponência das nossas Procissões Quaresmais. Era notória a falta de participantes. Reinava a indiferença por este legado religioso dos nossos antepassados, indiferença que se patenteava ainda no desleixo pelas nossas tradições e pelos próprios monumentos que chegaram até nós.&lt;br /&gt;Na hora em que tudo parecia ter o seu fim, surgiram alguns homens devotados à sua terra que procuraram reacender o acendrado bairrismo dos vareiros em ordem a salvar as nossas tradições.&lt;br /&gt;Foi num fim de tarde de Junho de 1964 que o meu grande Amigo José Maria Fernandes da Graça, pondo, uma vez mais, o seu indesmentível vareirismo ao serviço da nossa terra, me falou na possibilidade de se organizar uma Comissão de rapazes com o fim de se reatar o fulgor e grandeza das nossas &lt;strong&gt;Procissões Quaresmais.&lt;/strong&gt; A semente germinou e, apesar da indiferença de uns tantos, aqueles trinta rapazes conseguiram dar nova vida às Procissões Quaresmais. E tudo isto se deveu ao incansável obreiro José Maria Fernandes da Graça.&lt;br /&gt;E todo esse historial está por fazer!...&lt;br /&gt;Obrigado, Amigo! &lt;em&gt;(TEXTO: Arada e Costa)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-rHjfuKwAOYg/TieFXrDgQfI/AAAAAAAACMM/fi4QUIQzLdM/s1600/desenho-artigo-revista-reis.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://1.bp.blogspot.com/-rHjfuKwAOYg/TieFXrDgQfI/AAAAAAAACMM/fi4QUIQzLdM/s1600/desenho-artigo-revista-reis.jpg" t$="true" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #b45f06; font-size: large;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;… e o Carnaval impôs-se como Festa n.º 1&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também me pedem uma ligeira achega a respeito do Zé Maria, mas que, especialmente focasse a sua acção e interferência no lançamento e criação do Carnaval de Ovar.&lt;br /&gt;Já que teve de ser, por se tratar do Zé Maria, não posso ser “ligeiro”, nem, especificamente, só tocar a tecla do Carnaval. É que ELE foi, sempre, um extraordinário “músico” que tocou todos os instrumentos possíveis e imaginários, desde que os seus sons e notas levassem, pelo éter, o nome de OVAR! &lt;br /&gt;Prefiro focar, essencialmente, &lt;strong&gt;o Homem que, sempre, soube SERVIR e, nunca, servir-se.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;E isto porque o José Maria Fernandes da Graça foi sempre, e sempre, um Vareiro incomum, que deveria andar na boca de todos os seus conterrâneos e muito especialmente como vero exemplo de todos os actos dos filhos da sua OVAR!&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E também porque, tendo sido, durante 40 anos, o verdadeiro e o mais castiço Anfitrião e Embaixador da nossa Terra&lt;/strong&gt; (sem ninguém lhe encomendar ou muito menos impor o “sermão”), o fez, sempre, com uma lhaneza, discrição, competência e modéstia invulgares, unicamente por feitio, educação, temperamento e nítida visão do lugar que oficialmente ocupava, chegando até a impor um total e absoluto anonimato em muitas das suas atitudes, iniciativas ou sugestões, sempre, e sempre, todas viradas e devotadas à propaganda, progresso e bom nome da nossa Ovar, que ele sempre amou, e ama, como raríssimos.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Anfitrião e Embaixador, inexcedível, perante quem quer que fosse, que desejasse ou procurasse saber algumas coisa sobre a nossa Ovar&lt;/strong&gt;, os primórdios da sua multissecular história, as suas diversificadas actividades, as suas extraordinárias belezas naturais e, até (justiça se lhe faça como vareiro honesto e conhecedor do seu meio) as tão gritantes carências de que sempre enfermou e ainda enferma.&lt;br /&gt;Era quase chocante a maneira como se apagava ao ver uma sua ideia ou sugestão, sempre pertinentes, tornadas realidades ou a dar frutos, tanto mais que nunca ninguém o fez com tão acendrado desinteresse pessoal.&lt;br /&gt;Estamos até convencidos de que deve ter sido ELE que descobriu essa mágica palavra, hoje tão correntíssima, chamada &lt;strong&gt;VAREIRISMO&lt;/strong&gt;, enraizando-a e fazendo-a florescer, frondosa e rica.&lt;br /&gt;Desde que o conhecemos, há tantas décadas, para o Bem de Ovar – o Zé Maria nunca se furtou a dar a sua valiosa contribuição ou colaboração, apesar da falta de saúde e dos muitos afazeres, que os tinha efectivamente, ao contrário dos milhentos que, nada fazendo ou tendo feito pela sua terra, desta tão elástica palavra se servem para sempre se escusarem a fazer seja o que for, por ELA!&lt;br /&gt;ELE foi, na realidade, um dos principais motores da criação do nosso Carnaval; do ressurgimento da belíssima tradição das Procissões Quaresmais; da manutenção da cerimónia, tão tocante e ingénua, da bênção do gado no dia de Santo António; da lembrança à Câmara de Lisboa para que perpetuasse, numa das suas ruas, com o nome de OVAR, a passagem e vivência da “Varina e do Fragateiro” na capital, ele que fez despertar as seculares raízes entre a Régua e a sua “Rua das Vareiras” para com Ovar e que, pelo menos, alimentou e desafiou esses dois espíritos de artistas – o vareiro já falecido, Mário Almeida, e o sanjoanense tão amigo de Ovar, Carlos Costa, para fixarem, no celuloide, as belezas naturais e os usos e costumes da nossa terra.&lt;br /&gt;Finalmente, quase posso afirmar que, nestes 40 anos, nada se fez em Ovar, nos mais variados campos de actividades artísticas, associativas, desportivas ou culturais, desde a arte popular à modernista, da alegre romaria ao circunspecto congresso, da tradição dos Reis à Festa do Mar, etc., sem que o José Maria Fernandes da Graça tivesse posto o selo e o zelo da sua presença ou colaboração, como funcionário do Turismo ou Vareiro, anónimo, mas amante da sua Ovar! &lt;em&gt;(TEXTO: António Coentro de Pinho)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #b45f06; font-size: large;"&gt;&lt;em&gt;Disponibilidade e vocação, &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #b45f06; font-size: large;"&gt;&lt;em&gt;para que Turismo se traduza em progresso&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro com satisfação os anos que contactei com ele como membro da Comissão de Turismo do Furadouro.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Zé Maria, como eu lhe chamava na intimidade, era profissionalmente um indivíduo cheio de amor e de entusiasmo por tudo quanto envolvia Ovar.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O seu Furadouro com a sua praia.&lt;br /&gt;A sua Ria.&lt;br /&gt;O seu Carnaval.&lt;br /&gt;Eram para ele como entes queridos.&lt;br /&gt;Sendo respeitador de todos e respeitado por todos, tinha sempre tempo disponível e boa vontade para ajudar em todos os problemas que na sua mente fossem para o bem de Ovar.&lt;br /&gt;Contar com ele para o desenvolvimento de Ovar era coisa certa, mas, além de tudo, a sua divisa era trabalhar para bem da causa, e não apenas conversar.&lt;br /&gt;Formulo os mais sinceros votos de felicidade e de saúde para o Zé Maria, e resta-me esperar que o Turismo saiba encontrar um substituto que o defenda com tanto ardor, trabalho e boa vontade quanto o Zé Maria o fez durante tantos anos. &lt;em&gt;(TEXTO: Manuel Ramada)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;Texto publicado no n.º&amp;nbsp;19 da revista&lt;em&gt; REIS&lt;/em&gt;/1985&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;Edição da Trupe JOC/LOC &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #741b47; font-size: large;"&gt;&lt;em&gt;José Maria Fernandes da Graça (1921-2011)&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;José Maria Fernandes da Graça&lt;/strong&gt;, que foi "Figura Vareira" da nossa revista em 1985, faleceu em 15 de Julho de 2011. Aqui lhe prestamos, uma vez mais a nossa homenagem, mostrando dois momentos da sua acção interventiva em Ovar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-Y7r82Fh-M7w/Tid-rFGRCeI/AAAAAAAACMA/4DkdThuKa0s/s1600/grupo-pro-ovar2.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="364" src="http://3.bp.blogspot.com/-Y7r82Fh-M7w/Tid-rFGRCeI/AAAAAAAACMA/4DkdThuKa0s/s400/grupo-pro-ovar2.jpg" t$="true" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;José Maria Fernandes da Graça (o 2.º a contar da direita),&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;numa&amp;nbsp;visita a lugares de memória vareira &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;(aqui no Largo Santa Camarão).&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-9ekUxASLWy8/TieD4ezm1NI/AAAAAAAACME/VIBxzXyQEuQ/s1600/grupo-pro-ovar.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/-9ekUxASLWy8/TieD4ezm1NI/AAAAAAAACME/VIBxzXyQEuQ/s1600/grupo-pro-ovar.jpg" t$="true" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Em Espinho, em casa da escritora Fernanda Miguel, descendente &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;de ilustres ovarenses e&amp;nbsp;defensora de uma maior ligação entre as&amp;nbsp;duas cidades&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&amp;nbsp;(José Maria Fernandes da Graça é o 2.º da esquerda)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2173951761233079456-2193791398044968027?l=revistareisovar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://revistareisovar.blogspot.com/feeds/2193791398044968027/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://revistareisovar.blogspot.com/2011/07/jose-maria-fernandes-da-graca-corre-lhe.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2173951761233079456/posts/default/2193791398044968027'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2173951761233079456/posts/default/2193791398044968027'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://revistareisovar.blogspot.com/2011/07/jose-maria-fernandes-da-graca-corre-lhe.html' title='José Maria Fernandes da Graça – Corre-lhe nas veias um puro “vareirismo”…'/><author><name>Fernando Pinto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18068174158604110968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-RrZbAudT3zs/TieEtoii3dI/AAAAAAAACMI/152exM6dJRA/s72-c/jose+maria+fernandes+graca.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2173951761233079456.post-2774318446640724231</id><published>2011-07-20T23:06:00.001+01:00</published><updated>2011-07-21T03:22:48.640+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Revista REIS 2010'/><title type='text'>Arte do bronze em Ovar</title><content type='html'>&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/TUdBChKSmcI/AAAAAAAAB5c/rPXVMD5c4e8/s1600/francisco-augusto-da-silva.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; cssfloat: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" s5="true" src="http://3.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/TUdBChKSmcI/AAAAAAAAB5c/rPXVMD5c4e8/s320/francisco-augusto-da-silva.jpg" width="280" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;Por &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;Manuel Pires Bastos&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;Não serão muitos os vareiros que reconhecem o mérito da personagem retratada na pequena placa de bronze que aqui trazemos a público, da autoria do escultor vareiro Luís de Matos, que se encontra no topo norte do talhão 4 do Cemitério de Ovar.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #660000;"&gt;Diz respeito a Francisco Augusto da Silva (1888-1969), que foi mestre na fundição, com oficina, a &lt;em&gt;Bronzearte&lt;/em&gt;, na Rua do Temido, S. João de Ovar, onde produziu obra de excelência espalhada pelo país, e particularmente na nossa cidade, onde avultam os bustos de Francisco Marques da Silva, da escultora vareira Lúcia Maia, e de Júlio Dinis, do escultor Raul Xavier.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Francisco Augusto da Silva (1888-1969)&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Quem foi Francisco Augusto da Silva?&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Filho de João José Rodrigues da Silva e de Maria Augusta da Silva, &lt;strong&gt;Francisco Augusto da Silva nasceu em 1888 em Pardilhó&lt;/strong&gt;, dali partindo com os pais, ainda criança, para&lt;strong&gt; Lisboa&lt;/strong&gt;, onde aprendeu a arte da fundição, vindo a estabelecer-se com oficina própria, produzindo peças de metal para a indústria mecânica.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;table cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="float: right; margin-left: 1em; text-align: right;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-lei3fiyfYl8/TVaZsU_FvzI/AAAAAAAAB9Y/ZkXRgG8dgK8/s1600/escultura-Francisco-marques.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; cssfloat: right; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" h5="true" height="400" src="http://3.bp.blogspot.com/-lei3fiyfYl8/TVaZsU_FvzI/AAAAAAAAB9Y/ZkXRgG8dgK8/s400/escultura-Francisco-marques.jpg" width="220" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Busto de Francisco Augusto da Silva,&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;da escultora ovarense Lúcia Maia&lt;/strong&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Porque na sua oficina foi encontrado, pela PIDE, algum material explosivo, teve que fugir precipitadamente, abandonando a empresa (confiscada por 80 contos) e &lt;strong&gt;refugiando-se no Brasil&lt;/strong&gt;, onde casou e ficou viúvo, com 3 filhos, um dos quais viria a ser fundidor em Lisboa.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Casou, em segundas núpcias, na Igreja do Santo Cristo, no Rio de Janeiro, com Rosa Augusta de Oliveira Duarte, da família Duarte, de S. João de Ovar, de quem teve três filhos: Custódio (n. 15/5/1936), Maria Augusta (4/2/1938) e Umbelina (9/4/1939).&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;De regresso a Portugal, &lt;strong&gt;viveu em Vila Nova de Gaia&lt;/strong&gt;, e trabalhou, como responsável, na secção de fundição da Ourivesaria Aliança, na Rua das Flores, no Porto, onde lhe coube orientar a execução da &lt;strong&gt;estátua de Viriato&lt;/strong&gt;, do escultor Mariano Benlliure, destinada a Viseu, e da gigantesca coroa/miradouro que remata a torre sineira do Santuário de Fátima, um dos trabalhos artísticos, cuja feitura maior prazer lhe deu.&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Vindo para Ovar, montou oficina de artigos de menage na Rua de Baixo, S. João, com o nome próprio, &lt;strong&gt;Francisco Augusto da Silva&lt;/strong&gt;, onde, com sua esposa, produzia peças de latão, cobre, bronze e zinco, tendo como ajudantes três catraios de 10/12 anos: o filho Custódio, o José Oliveira Duarte (n. 22/2/1938) e o José Catraio, que preparavam o carvão, enrolavam a sucata para o fogo e limpavam os lixos. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Por 1952, comprando uma parcela de monte no Temido, ali edificou oficina própria, sob a designação &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Bronzearte&lt;/strong&gt; &lt;/em&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Lda&lt;/em&gt;.&lt;/strong&gt;&amp;nbsp;tendo como encarregado (1956 a 1964), &lt;strong&gt;José Oliveira Duarte&lt;/strong&gt;, e onde trabalharam o &lt;strong&gt;Custódio&lt;/strong&gt;, o &lt;strong&gt;Manuel Oliveira&lt;/strong&gt; (hoje residente em S. João), o &lt;strong&gt;Fernando Sabino&lt;/strong&gt;, o &lt;strong&gt;José Rodrigues Valente&lt;/strong&gt; (Abelhão, n. 14/3/1949) o &lt;strong&gt;Eduardo Duarte&lt;/strong&gt;, o &lt;strong&gt;António Carmo Silva&lt;/strong&gt; e seu irmão &lt;strong&gt;Carlos Alberto Silva&lt;/strong&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/TUdDNB8nFFI/AAAAAAAAB5o/yw4ulaaK8dQ/s1600/julio-dinis.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: right; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" s5="true" src="http://2.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/TUdDNB8nFFI/AAAAAAAAB5o/yw4ulaaK8dQ/s320/julio-dinis.jpg" width="209" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Ali se fundiam peças em bronze, latão e alumínio (turbinas e outras peças de motores eléctricos e de rega, ventoinhas e caixas), com encomendas de empresas da região: Rabor, que crescia a grande ritmo, Cavan (aros para postos eléctricos), SMOL, Fanafel (bronze fosforoso) e Adico (Avanca), e bem assim peças ornamentais, como castiçais, custódias, etc.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;table cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="float: right; margin-left: 1em; text-align: right;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/TUoKdo0iQmI/AAAAAAAAB7o/dVoF0EVf-ro/s1600/Jose-Duarte.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; cssfloat: right; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="200" s5="true" src="http://3.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/TUoKdo0iQmI/AAAAAAAAB7o/dVoF0EVf-ro/s200/Jose-Duarte.jpg" width="176" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;José Oliveira Duarte, &lt;br /&gt;na actualidade&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Ali fundiu em bronze, com o filho Custódio e os empregados Francisco e José, o &lt;strong&gt;busto de Marques da Silva&lt;/strong&gt; (no campo da A. D. Ovarense). Dali saíram também os &lt;strong&gt;bustos de Albano Borges&lt;/strong&gt; (na Rabor), de &lt;strong&gt;Manuel Soares Pinto&lt;/strong&gt; (Hospital) e o de &lt;strong&gt;Júlio Dinis&lt;/strong&gt; (no Largo dos Campos), estes fundidos por &lt;a href="http://artigosjornaljoaosemana.blogspot.com/2011/02/memoria-de-um-aprendiz-de-fundidor.html"&gt;&lt;strong&gt;José Oliveira Duarte&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;, bem como pequenas estátuas da Flor Agreste (de Teixeira Lopes), do Navegador e dos Três Mosqueteiros (José Borges).&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;Nos últimos anos, cego de uma vista, continuava a ser assíduo à sua oficina, só deixando o escritório para se entreter com alguns amigos no Café Parque, no Jardim Almeida Garrett.&lt;br /&gt;Faleceu em 10/01/1969, na sua casa do Temido, S. João, sendo sepultado no cemitério de Ovar &lt;br /&gt;Foi-lhe atribuída uma rua (na zona do Temido, perto do “Modelo”).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Custódio Duarte da Silva (1936-2004)&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;table cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="float: left; margin-right: 1em; text-align: left;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/TUdBzSVBVWI/AAAAAAAAB5g/4Fs67-y9htw/s1600/custodio-duarte-da-silva2.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="200" s5="true" src="http://3.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/TUdBzSVBVWI/AAAAAAAAB5g/4Fs67-y9htw/s200/custodio-duarte-da-silva2.jpg" width="152" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;CUSTÓDIO DUARTE DA &lt;br /&gt;SILVA (1936-2004)&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Trabalhou com o seu pai, Francisco Augusto da Silva, desde a infância, e mais responsavelmente após os 14 anos, ajudando-o na confecção de trabalhos para a indústria (em bronze, latão e alumínio) e das primeiras obras de arte, de que avultam os bustos de Marques da Silva e de Júlio Dinis, implantados em Ovar.&lt;/div&gt;Do seu casamento com Maria Orquídea Marques de Oliveira (1/9/1957), em Ovar, nasceram 3 filhos: Rosa Bela, professora de Desenho, com trabalhos em pintura, Adélia, residente em Setúbal, e Óscar Marques da Silva (S. João de Ovar), todos casados.&lt;br /&gt;Após a morte do pai (10/1/1969), Custódio Duarte da Silva assumiu o comando da Bronzearte, propondo-se a alargar o seu raio de acção.&lt;br /&gt;Entretanto, esculturando o rosto do seu pai, fundiu-o em bronze, com a ajuda dos empregados, fixando-o no túmulo da família em 1 de Novembro de 1969.&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Passando a deslocar-se com frequência à capital, ali contactou com escultores de nomeada, que lhe confiaram a fundição de estátuas de grande porte: &lt;strong&gt;Nun’Álvares Pereira&lt;/strong&gt;, para Cernarche do Bonjardim, e &lt;strong&gt;Carmona&lt;/strong&gt;, para as Caldas da Rainha (hoje em parte incerta). A de &lt;strong&gt;Vasco da Gama&lt;/strong&gt; (na foto), do escultor Luís de Matos, foi para Luanda (1971-72). Algumas destas estátuas, com cerca de 4 metros, estiveram expostas frente à Câmara Municipal de Ovar. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="clear: left; cssfloat: left; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: left;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/TUi_wLc9OBI/AAAAAAAAB6A/0ON16RodpYo/s1600/VASCO-DA-GAMA2.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="400" s5="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/TUi_wLc9OBI/AAAAAAAAB6A/0ON16RodpYo/s400/VASCO-DA-GAMA2.jpg" width="380" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Estátua de Vasco da Gama após a fundição no lugar do Temido, Ovar&lt;/strong&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-v0IaZ1YWuDo/TiY1N50BM9I/AAAAAAAACL0/_pO9uewMlpY/s1600/Largo_Vasco_da_Gama.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/-v0IaZ1YWuDo/TiY1N50BM9I/AAAAAAAACL0/_pO9uewMlpY/s1600/Largo_Vasco_da_Gama.jpg" t$="true" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;A estátua Vasco da Gama no seu pedestal no Largo com o seu nome, em Luanda, &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;junto à marginal atlântica.&lt;/strong&gt; (Foto &lt;a href="https://picasaweb.google.com/jclpaiva/FotosLuandaAnos60E70#"&gt;daqui&lt;/a&gt;)&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-wpuy7h5rRrI/TieNPvrzfhI/AAAAAAAACMQ/S1SlAxl8OKU/s1600/vasco-gama-fortaleza-2.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="276" src="http://3.bp.blogspot.com/-wpuy7h5rRrI/TieNPvrzfhI/AAAAAAAACMQ/S1SlAxl8OKU/s400/vasco-gama-fortaleza-2.jpg" t$="true" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Estátua no Largo Vasco da Gama, em Luanda (1972)&lt;/strong&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-TyVkSd56G0Q/TiY3FbuvJ0I/AAAAAAAACL4/Eh_H897sL5k/s1600/vasco-gama-fortaleza-de-s.-.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="300" src="http://3.bp.blogspot.com/-TyVkSd56G0Q/TiY3FbuvJ0I/AAAAAAAACL4/Eh_H897sL5k/s400/vasco-gama-fortaleza-de-s.-.jpg" t$="true" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Após a independência as estátuas foram "deportadas" para a &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Fortaleza_de_S%C3%A3o_Miguel_de_Luanda"&gt;Fortaleza de S. Miguel&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;, em Luanda&lt;/strong&gt; (Foto &lt;a href="http://www.trekearth.com/gallery/Africa/Angola/North/Luanda/Luanda/photo904665.htm"&gt;Maria Rego&lt;/a&gt;)&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/--_wzvgbNnWw/TiY3NQwWx-I/AAAAAAAACL8/vEpOwdKhzcg/s1600/luanda-00_640x480.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="301" src="http://2.bp.blogspot.com/--_wzvgbNnWw/TiY3NQwWx-I/AAAAAAAACL8/vEpOwdKhzcg/s400/luanda-00_640x480.jpg" t$="true" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Pormenor da estátua de Vasco da Gama, fundida em Ovar&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;(Foto &lt;a href="http://picasaweb.google.com/mariobula/FortalezaDeSMiguelEmLuanda#"&gt;Mário Bula&lt;/a&gt;)&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;﻿Outros trabalhos artísticos saíram da Bronzearte, tais como uma placa em alto-relevo de 4x4 m para o Palácio da Justiça de Arcos de Valdevez, uma Vénus de Milo de cerca de 1 m (1968-70), de que foram feitas réplicas, e outras pelas artísticas e figuras públicas (Salazar, Kennedy, etc.). &lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/TUjE3Tci5nI/AAAAAAAAB6I/Z2yVs8ffEpM/s1600/Venus-de-Milo.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" s5="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/TUjE3Tci5nI/AAAAAAAAB6I/Z2yVs8ffEpM/s320/Venus-de-Milo.jpg" width="116" /&gt;&lt;/a&gt;Neste período, trabalharam com o Custódio alguns mestres de Valadares (o Nito, o Aureliano e o Joaquim) e diversos empregados, como o António do Carmo Silva (n. 1946), desde 1960, o seu irmão Carlos Silva, o Manuel Melindra (de Guilhovai), e seu irmão Alcides de Abreu Melindra, os serralheiros Gama e Renato, o Fernando Sabino (Ponte Nova), o Ernesto, o Rogério (da Ponte Nova, que teve oficina no Carregal), o Manuel de Oliveira (das Pedreiras, Salgueiral), o Meno, o José Rodrigues Valente (S. Vicente), e o Olímpio (de Guilhovai).&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;﻿﻿Ali se fundiram peças menores, como cavalos dos CTT, moldes para chapéus em alumínio (para S. João da Madeira e Arrifana), Santo António (40 cm, em prata, com moedas derretidas), Últimas ceias de Cristos (foram aos milhares para escolas primárias, até em África). &lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Por falência, ao fim de 14 anos de actividade, a Bronzearte passou para Eduardo Leite (da Carmel), que se apoiou na experiência de Fernando Sabino, Carlos Rogério e Olímpio, apostando, durante mais alguns anos, na fabricação de peças mecânicas.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;O Custódio, com a assistência do José Rodrigues Valente (Abelhão) e do António Silva tentou, desesperadamente, manter a sua arte, alugando ali bem perto, um antigo armazém de caulinos.&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;O Marnoto (1974?), uma escultura grande que produziu e que, por desentendimento com os clientes de Aveiro, acabou por ser derretida, ficou como símbolo do extertor da sua actividade do bronze em Ovar.&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/TUdCNnQMFgI/AAAAAAAAB5k/M9qCDAd7KpQ/s1600/SCRISTOVAO1.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; cssfloat: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" s5="true" src="http://3.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/TUdCNnQMFgI/AAAAAAAAB5k/M9qCDAd7KpQ/s400/SCRISTOVAO1.jpg" width="185" /&gt;&lt;/a&gt;Nem a boa vontade e experiência de José Rodrigues Valente, que assumiu o negócio por inteiro, em trabalhos mecânicos, com Carlos Silva, foram capazes de travar a derrocada, que teve o seu fim dois anos depois (1975-76).&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Regressado do Canadá, para onde se tinha retirado, o Custódio instalou-se na &lt;strong&gt;Moita do Ribatejo&lt;/strong&gt;, com nova oficina (1972-73), apoiado por José Rodrigues Valente, e, depois, pelo Sabino, Olímpio, Quim, Nito, João Fiúza e Manuel Eduardo (V. N. de Gaia), e tendo, mais tarde, a ajuda do seu filho Óscar, que foi acompanhando até ao fecho da oficina na década de 80. Entre as obras desta fase conta-se “O Salineiro”, de Alcochete (3 m de altura).&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;De feitio demasiado turbulento na vida social e familiar, e arruinado nos negócios, passou ainda pela &lt;strong&gt;Venezuela&lt;/strong&gt; (onde executou uma estátua de Simão Bolívar) e pela &lt;strong&gt;França&lt;/strong&gt;, vindo a falecer na Moita do Ribatejo, depois de ali ter executado uma das suas últimas obras de arte: o &lt;strong&gt;São Cristóvão, do Salão Paroquial de Ovar&lt;/strong&gt;, esculpido em barro por D. Beatriz Campos e que ele, graciosamente, moldou em gesso e fundiu em bronze em 1985 (na foto). &lt;br /&gt;Sepultado em Ovar, jaz sob a sombra tutelar de seu pai e mestre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;Texto publicado no n.º 44 da revista&amp;nbsp;"Reis" 2010&lt;br /&gt;Edição da Trupe JOC/LOC&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: left;"&gt;LEIA&amp;nbsp;&lt;a href="http://artigosjornaljoaosemana.blogspot.com/2011/02/memoria-de-um-aprendiz-de-fundidor.html"&gt;&lt;strong&gt;AQUI&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt; O ARTIGO "MEMÓRIA DE UM APRENDIZ DE FUNDIDOR", DE JOSÉ DUARTE, PUBLICADO NO JORNAL "JOÃO SEMANA"﻿&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2173951761233079456-2774318446640724231?l=revistareisovar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://revistareisovar.blogspot.com/feeds/2774318446640724231/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://revistareisovar.blogspot.com/2011/01/arte-do-bronze-em-ovar.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2173951761233079456/posts/default/2774318446640724231'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2173951761233079456/posts/default/2774318446640724231'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://revistareisovar.blogspot.com/2011/01/arte-do-bronze-em-ovar.html' title='Arte do bronze em Ovar'/><author><name>Fernando Pinto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18068174158604110968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/TUdBChKSmcI/AAAAAAAAB5c/rPXVMD5c4e8/s72-c/francisco-augusto-da-silva.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2173951761233079456.post-6000294422903387154</id><published>2011-07-06T04:23:00.000+01:00</published><updated>2011-07-12T02:01:40.281+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Revista REIS 1990'/><title type='text'>Uma figura dinisiana – Mestre Bento Pertunhas</title><content type='html'>&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;“Chefe Postal provinciano do seu tempo”&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="background-color: #990000; color: white; font-size: x-small;"&gt;Revista &lt;strong&gt;&lt;em&gt;REIS&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;/1990&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;Por&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;strong&gt;João Campelo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Tal como Mestre Alberto de Sousa no-lo apresenta num belo trabalho artístico da sua autoria, e também como o próprio Júlio Dinis no-lo descreve, parece-me que estou a ver Mestre Pertunhas, não tanto como nos surge nas páginas de “&lt;strong&gt;A Morgadinha dos Canaviais&lt;/strong&gt;”, com um ar um tanto severo, para mostrar ao seu interlocutor, Henrique de Souselas, a sua importância e o apreço em que é tido pela gente da sua terra como homem dos sete instrumentos, mas sim em Ovar, como chefe do correio local, o tal “homem a quem chamam aqui doutor”.&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-Mk41QHwlEug/ThPUuJProdI/AAAAAAAACKE/vG-nFsBW7v0/s1600/pertunhas.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" i$="true" src="http://1.bp.blogspot.com/-Mk41QHwlEug/ThPUuJProdI/AAAAAAAACKE/vG-nFsBW7v0/s400/pertunhas.jpg" width="298" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;Parece-me que estou a vê-lo, óculos encarrapitados na ponta do nariz, fixando, atentamente, o endereço da carta que empunha na mão esquerda&lt;/strong&gt;, “todo cheio de nove horas”, segundo a expressão feliz do nosso Povo, como se todo o mundo dele dependesse. É, no entanto, mais uma daquelas figuras criadas pelo génio de Júlio Dinis, figura plena de bondade e de bons sentimentos.&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Não consigo dissociar duas figuras: a de Mestre Pertunhas, tal como nos surge em “A Morgadinha dos Canaviais” e a do chefe do correio de Ovar que é referido numa carta de Júlio Dinis para seu amigo Passos, datada de 16 de Maio de 1863, e na qual descreve, em pormenor, a chegada e distribuição do correio. Pelo seu pitoresco e, até, por ser a única referência conhecida aos correios da época, não resisto à tentação de, mais adiante, a transcrever na íntegra.&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;O escritor viveu, como se sabe, em Ovar, no curto período que vai de Maio a Setembro de 1863, procurando cura para o seu mal: uma doença pulmonar. Relacionado como era, esperava sempre, com natural ansiedade, notícias da família e dos amigos nas terras onde acidentalmente se encontrava, único meio de comunicação então existente.&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;Diz a carta:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Entre as poucas distracções que esta vila oferece aos seus visitantes, nenhuma tanto do meu gosto como a da chegada do correio.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Todos os dias me levanto mais cedo para estar às nove horas na loja em que distribuem as cartas. Imagina tu uma pequena sala humildemente mobilada, com bancos e mesas de pinho e uma estante ao fundo, contendo “in-fólios” de formidável aspecto. Um idoso, a quem chamam aqui doutor mas de cujo grau ainda não tive informações, como decerto teria já feito um nosso conhecido, toma, fleumaticamente, a sua pitada conservando, ele só, uma imperturbável indiferença no meio da curiosidade de quantos o rodeiam.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Mais de trinta pessoas, homens e mulheres e crianças, sentadas no chão, no limiar da porta e na rua fitam com impaciência a esquina donde deve surgir o portador das cartas.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Quando ele aparece, todos se levantam a um tempo e apinham-se sobre o mostrador, como se pretendessem abafar o pobre do doutor.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Este, cônscio da importância da sua pessoa, retira-se, de uma maneira grave, ao seu gabinete, sujeita a cartas recebidas a uma tal ou qual classificação e volta para distribui-las . O homem lê, pausadamente, o nome da pessoa a quem vem sobrescritada, estende-se um braço, entrega-se a carta e, às vezes, é ali mesmo aberta e lida. À medida que o maço se vai esgotando, é para ver as transições por que passa a fisionomia dos&amp;nbsp;que ainda nada receberam desde que principia o recreio até quando se desvanece de todo a última esperança.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Faz pena vê-los partir tão desconsolados. Escuso dizer-te que eu não sou espectador desta cena, mas actor e dos mais possuídos do seu papel. É com uma grande sofreguidão que eu recebo a correspondência do Porto, que leio ali mesmo pela primeira vez”.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-uvTrAXhKfZg/ThTmOm2RK8I/AAAAAAAACKQ/tHvugXcE2Ck/s1600/morgadinha-canaviais.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; cssfloat: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" m$="true" src="http://2.bp.blogspot.com/-uvTrAXhKfZg/ThTmOm2RK8I/AAAAAAAACKQ/tHvugXcE2Ck/s200/morgadinha-canaviais.jpg" width="153" /&gt;&lt;/a&gt;A identidade das duas figuras – Mestre Pertunhas de “A Morgadinha” e o chefe da estação de correio de Ovar – parece-me tanto mais exacta quando é certo que Júlio Dinis, inicialmente, começou a escrever um romance em Ovar e, mais tarde, talvez pela variedade e riqueza dos personagens criados, talvez, até, por querer dar a um ou outro, papel mais relevante, decidiu cindir a obra e escrever “&lt;strong&gt;As Pupilas do Senhor Reitor&lt;/strong&gt;”. Assim fez, e, mais tarde, “A Morgadinha”, aproveitando, para o efeito, alguns personagens então imaginados ou mesmo reais. Segundo a opinião autorizada do falecido Professor Egas Moniz, a recolha dos materiais feita em Ovar pelo autor de “As Pupilas” teve em vista a realização deste romance e, também, de “&lt;strong&gt;A Morgadinha&lt;/strong&gt;”. E isso leva-me a crer que Mestre Bento Pertunhas seria “o chefe de correios de Ovar, o tal homem a quem chamam aqui doutor", e que Júlio Dinis resolveu transportar para o outro romance, como personagem inconfundível, possivelmente porque a sua visita diária à loja o levasse a criar especial simpatia por esta figura.&lt;/div&gt;Da própria loja, onde o correio era distribuído, na vila de Ovar, diz para o seu amigo Passos: “Imagina tu uma pequena sala humildemente mobilada, com mesas e bancos de pinho”. Daquele recanto minhoto onde decorre a acção de “A Morgadinha”, lê-se, acerca da “repartição” onde trabalha Mestre Pertunhas: “consistia esta numa loja apenas, mobilada com um banco de pinho e dividida por um mostrador”, para dentro do qual se alojava o pessoal de serviço, isto é, um homem por junto: e era esse o Sr. Bento Pertunhas.&lt;br /&gt;Creio, pois, que Mestre Pertunhas é bem o chefe postal provinciano do seu tempo, mas em Ovar, vila já de&amp;nbsp;certa importância naquela recuada época. Assim, aceita-se, perfeitamente, que esteja investido de tais funções num meio já desenvolvido; porém, já custa acreditar que numa aldeia perdida num qualquer recanto do Minho existisse alguém a desempenhar aquela função. O autor transporta-o para ali com intenção, sem dúvida louvável, de lhe atribuir um papel de maior relevo, até porque, como já vimos, as descrições das próprias estações postais – chamemos-lhes assim – quer em Ovar quer na aldeia minhota, são idênticas, como idênticas são ainda, e como se poderá ler, a chegada e a distribuição do correio.&lt;br /&gt;Dá-me a impressão de que Júlio Dinis escreve cenas de “A Morgadinha” com os olhos postos em Ovar. Olhos postos naquele chefe postal, então anónimo, o tal homem “cônscio da importância da sua pessoa que se retira de uma maneira grave ao seu gabinete, sujeita as cartas recebidas a uma tal ou qual classificação e volta para distribui-las”.&lt;br /&gt;Tudo isto tem, realmente, muita importância porque é Júlio Dinis o único escritor da época – que eu saiba – que nos dá uma imagem viva, real, humana, da distribuição da correspondência naquele recuado tempo; precisamente dez anos (10) após a emissão dos primeiros selos postais adesivos, que surgiram, como se sabe, em 1853, com a efígie de D. Maria II.&lt;br /&gt;Em “A Morgadinha dos Canaviais”, embora de modo diferente, repete-se a cena da chegada e distribuição do correio, tal como na carta ao seu amigo Passos é descrita cena idêntica, mas em Ovar.&lt;br /&gt;Henrique de Souselas procurou Mestre Pertunhas na sua repartição com a mesma ansiedade com que, em Ovar, Júlio Dinis o fazia, diariamente, em busca de notícias de familiares e amigos. Até nesse pormenor a mesma identidade de pensamento e acção. Ou terá sido Júlio Dinis, ele próprio, enroupado de Henrique de Souselas?&lt;br /&gt;Era, pois, Mestre Pertunhas personagem importante na terra. À sua inteligência e solicitude estavam confiadas mais que uma função. Além de servir, em interinidade permanente, como muitas vezes são as interinidades no nosso País, este cargo, dito por ele, de “director do correio”, “estava na posse de S. S.ª uma das cadeiras de latim e de latinidade com que se procura, em Portugal, fomentar nos concelhos rurais o gosto pelas letras antigas; era ainda regente e director da filarmónica da terra, armador de Igreja em dias festivos, ensaiador de autos e entremezes populares e, quando Deus queria, autor de alguns também”.&lt;br /&gt;Era, ao fim e ao cabo, o homem dos sete instrumentos.&lt;br /&gt;Para Mestre Pertunhas tudo estava bem, tudo corria certo, menos o latim. Odiava-o! E não o escondia a Henrique de Souselas. Enquanto aguardavam a chegada do homem com o correio, trocavam impressões, e o nosso homem (Pertunhas) não se cansava de vincar bem a sua aversão a latinidade.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;“Ai meu caro senhor, se me vejo livre um dia deste amaldiçoado latim, faço uma fogueira, na qual me hei-de regalar de ver arder o Tito Lívio e os Virgílios todos três”.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; (Quer-me parecer – Dizia Júlio Dinis – que para este intérprete da literatura latina tinham, de facto, existido três Virgílios, possivelmente irmãos, e cada um autor de cada um dos três volumes da edição, que lhe servia de texto. Dizia Virgílio 1.º, 2.º e 3.º, como quem se refere aos monarcas homónimos, que se sucederam no mesmo reino).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-fT0RjAZSJDA/ThTqYfmhExI/AAAAAAAACKU/knFPTatfMgk/s1600/casa-julio-dinis2.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" m$="true" src="http://1.bp.blogspot.com/-fT0RjAZSJDA/ThTqYfmhExI/AAAAAAAACKU/knFPTatfMgk/s1600/casa-julio-dinis2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Estado actual da Casa-Museu Júlio Dinis (2011)&lt;/strong&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;Como outras figuras da galeria de personagens criadas por Júlio Dinis, é Bento Pertunhas uma figura que não esquece, que permanece viva na nossa memória. “Director do correio”, director e regente da banda, armador da Igreja, ensaiador e autor de autos, com aspirações a recebedor da comarca, eis uma figura que ficou para a posteridade, graças ao talento de Júlio Dinis, que tão bem o retratou, e a Mestre Alberto Sousa, que o imaginou, possivelmente, tal como era, muito senhor do seu nariz, homem dos sete instrumentos, mas avesso ao latim. O tal “senhor doutor” integrado nas funções de “chefe postal provinciano do seu tempo”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;Texto publicado no n.º 24 da revista &lt;em&gt;REIS&lt;/em&gt;/1990&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;Edição da Trupe JOC/LOC&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2173951761233079456-6000294422903387154?l=revistareisovar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://revistareisovar.blogspot.com/feeds/6000294422903387154/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://revistareisovar.blogspot.com/2011/07/uma-figura-dinisiana-mestre-bento.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2173951761233079456/posts/default/6000294422903387154'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2173951761233079456/posts/default/6000294422903387154'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://revistareisovar.blogspot.com/2011/07/uma-figura-dinisiana-mestre-bento.html' title='Uma figura dinisiana – Mestre Bento Pertunhas'/><author><name>Fernando Pinto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18068174158604110968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-Mk41QHwlEug/ThPUuJProdI/AAAAAAAACKE/vG-nFsBW7v0/s72-c/pertunhas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2173951761233079456.post-2827910902937489156</id><published>2011-06-08T23:50:00.000+01:00</published><updated>2011-07-12T02:02:56.760+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='PESSOASARTISTASPROFISSÕES'/><title type='text'>Os caminhos do sonho – Lembrando Lúcia Maia, escultora</title><content type='html'>&lt;table cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="float: right; margin-left: 1em; text-align: right;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-1_vj8KvsxGc/TcwCyH-YFdI/AAAAAAAACHU/PGUju_--T6M/s1600/LUCIA-MAIA-foto.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; cssfloat: right; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="200" j8="true" src="http://1.bp.blogspot.com/-1_vj8KvsxGc/TcwCyH-YFdI/AAAAAAAACHU/PGUju_--T6M/s200/LUCIA-MAIA-foto.jpg" width="186" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Lúcia Maia&lt;/strong&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;Por&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt; &lt;/span&gt;Emerenciano&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: #741b47;"&gt;“É preciso que o meu olhar se reflicta no olhar do outro para que eu veja nele e para que, ao mesmo tempo, nele veja um olhar outro &lt;span style="font-size: x-small;"&gt;(in IMAGEM-NUA E AS PEQUENAS PERCEPÇÕES, José Gil)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;O busto em bronze de Francisco Marques da Silva que se encontra no jardim que precede a entrada do campo de futebol da Associação Desportiva Ovarense é da autoria de uma escultora natural de Ovar, a viver presentemente em Coimbra. A revista REIS/1995, nas suas curiosidades, referiu esta circunstância, mas impunha-se dedicar mais espaço à pessoa e à artista que é a &lt;a href="http://santiagoribeiro.ning.com/photo/angustia-1/next?context=user"&gt;&lt;strong&gt;Lúcia Maia&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-size: x-small;"&gt;[CLIQUE NO LINK]&lt;/span&gt;, e fazê-lo de uma forma condigna. Neste sentido foi-me pedido que escrevesse algo e, aceitando o desafio, desde logo me envolvi na tentativa de uma resposta. Mas porque o espaço não permite falar de todos os aspectos representativos da obra desta escultora, o presente texto releva uma ideia que julgo determinar-se desde o tempo de formação escolar. E interrompida uma prática de escultura, devido ao rumo da vida, a ideia é retomada na pintura. E se me é permitido estabelecer aqui alguma aproximação simbólica com a obra desta escultora-pintora, saliento essa ideia baseada na figura feminina.&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;table cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="float: left; margin-right: 1em; text-align: left;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-4YnWLnbC3O8/TcwDu40HqOI/AAAAAAAACHc/F4C17Y3sjVY/s1600/LUCIA-MAIA-escultura.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="320" j8="true" src="http://1.bp.blogspot.com/-4YnWLnbC3O8/TcwDu40HqOI/AAAAAAAACHc/F4C17Y3sjVY/s320/LUCIA-MAIA-escultura.jpg" width="222" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Uma estátua que muitos conhecem, mas &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;poucos aliam à inspiração de uma &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;grande artista vareira&lt;/strong&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;Conheci a Lúcia há relativamente pouco tempo, em 1993, quando da realização de uma exposição de pintura e escultura que reuniu um pequeno grupo de autores na sua Galeria, a Galeria Santa Clara.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;– “Era minha intenção ser uma Galeria de Arte, mas, mais do que isso, um espaço de encontro de artistas”&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; – diz-me a Lúcia, respondendo-me à intenção de lhe dedicar um trabalho escrito para esta revista. A Galeria é hoje dirigida pela filha Olga.&lt;br /&gt;Os caminhos do sonho, o da Lúcia e o meu, cruzam-se no tempo, embora em momentos diferentes. Somos naturais de Ovar, fizemos diariamente o mesmo percurso de Ovar ao Porto e do Porto a Ovar através do comboio, para frequentarmos a mesma Escola Superior de Belas-Artes. Nesta escola a Lúcia participa na 1.ª Exposição Extra-Escolar dos alunos, início de uma tradição de exposições dinamizadas pela Associação de Estudantes, e, curiosamente, participo na 7.ª e última, que se realizou dentro do mesmo espírito.&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Ninguém na vida faz totalmente o que deseja, mas, com algum empenho pessoal, as pessoas podem, de algum modo, influenciar o destino, condicionante, sobremaneira, de uma realização artística. Sabe-se que a vida é, no início, na sua abertura, uma promessa. Que poderá ser, depois, um adiamento, e, quantas vezes um lamento, compensados pelos gestos inadiáveis de uma qualquer escrita introspectiva, seja através da própria escrita, do desenho, da pintura ou da escultura. Apontar-se-ão, assim, razões subjectivas, independentemente de intencionalidades formais, para explicar uma obra, o que não tem de ser uma confissão; mas, ouvindo muitas vezes um autor, de algum modo se revelam aspectos importantes a considerar quando se tenta compreender os motivo da não aparência artística. E nós nos projectamos também. Há, por assim dizer, a idealização da abrangência de mundos que se tocam, o mundo do autor, o mundo da obra e o nosso mundo, mundo dos outros que, em conjunto, revelam a totalidade representativa dessa obra.&lt;/div&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="clear: left; cssfloat: left; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: left;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-QzHD5Uvnw5k/TcwBF2888NI/AAAAAAAACHM/f5VpAOEdM-o/s1600/LUCIA-MAIA-quadro.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" j8="true" src="http://4.bp.blogspot.com/-QzHD5Uvnw5k/TcwBF2888NI/AAAAAAAACHM/f5VpAOEdM-o/s1600/LUCIA-MAIA-quadro.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Os elementos figurativos da obra de Lúcia, apresentam, &lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;hoje, &lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;indistintos &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;seres &lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;humanos, normalmente &lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;figuras femininas &lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;sem rosto visível&lt;/strong&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;﻿Resumindo, direi que a experiência estética, não se confundindo com a vida, nem por isso deixa de a revelar. E, nesta relação, os elementos figurativos da obra da Lúcia, apresentando, hoje, indistintos seres humanos, normalmente &lt;a href="http://santiagoribeiro.ning.com/photo/angustia-1/next?context=user"&gt;&lt;strong&gt;figuras sem rosto visível&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;, pois não se vêem olhos, nariz, nem boca, por isso inquietam. Os seres anónimos apagam-se, nós não os distinguimos, e passam por nós. Uma certeza existe: a espécie humana representa-se, entre a tristeza e a luz da esperança, na presença de um pássaro que se toma na mão ou simplesmente olhado, a dizer-nos que a existência mais condicionada de um ser humano acalenta uma saída – mesmo através de companhias silenciosas, poucas mas boas companhias, as suficientes para confiarmos os nossos segredos. Esboçam-se sorrisos, desprendem-se risos e gritos mudos. E as árvores, de ramos lançados ou entrelaçados apresentam um enleado e misterioso labirinto. Também se associam panos ou xailes carregados de opacidade, a dizer-nos que, tapando o rosto ou o corpo, mais se chama a atenção para o que é suposto mostrar e esconder: a nossa nudez, de alma precisamente. Não será por isso aqui relevado o sentido real do frio ou do pudor, mas a tradução visível da manifestação fundamental de &lt;em&gt;ser&lt;/em&gt;, frente à necessidade da comunicação difícil, se não impossível. O que é íntimo e secreto dificulta, por vezes, a revelação, mas tenta-se romper com as amarras da prisão que se define dia a dia, procura-se um chão tranquilo para a interioridade, mesmo onde há muita gente. A autenticidade de uma obra de arte prescreve-se aqui, neste princípio de liberdade, reflectindo o nosso encontro, atento e perturbado, de alguma maneira, com o que se passa à nossa volta.﻿ &lt;br /&gt;﻿ &lt;br /&gt;&lt;table cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="clear: left; cssfloat: left; float: right; margin-bottom: 1em; text-align: left;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-xgiLrUHZBYk/TcwBzdpq5GI/AAAAAAAACHQ/J21HmOEgL4o/s1600/LUCIA-MAIA-escultura2.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" j8="true" src="http://3.bp.blogspot.com/-xgiLrUHZBYk/TcwBzdpq5GI/AAAAAAAACHQ/J21HmOEgL4o/s1600/LUCIA-MAIA-escultura2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Grupo escultórico de Lúcia Maia, em bronze,&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;num jardim de Santa Maria da Feira&lt;/strong&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;﻿﻿Hoje a Lúcia tem mais tempo para se dedicar à sua actividade artística: as comissões militares do marido (oficial do exército) são coisa do passado, os filhos crescem, e a aposentação de professora é uma realidade. E, conforme o que viveu na plenitude de outras realizações, igualmente importantes, a obra aqui considerada não se perspectiva em continuidade; faz-se a ponte entre os primeiros trabalhos, de que é exemplo paradigmático o grupo escultórico que fez para a Vila da Feira, ligando um tempo de amplas promessas, baseadas na crença e nos estímulos escolares e outros, ao tempo presente. Quando se é jovem, o sonho está intacto, não há qualquer hipótese considerada de que algo não se possa fazer. O futuro está todo em aberto, sem obstáculos. Depois vive-se o suficiente para se mudar de opinião sobre a realidade. E, por conseguinte, vista à luz da sua própria vida, por muito feliz que tenha sido – e foi, com certeza –, a obra da Lúcia tem de ser considerada, pelo seu interregno, como um começo a saudar. Contudo uma mesma temática, feminina no geral, se salienta, mas já não presenciamos jovens, ou serão jovens em referência a uma nostalgia do passado. Eu prefiro dizer mulheres, mulheres que se observam, que estão sob o olhar experienciado da autora e do nosso próprio olhar, mulheres que, mais do que os homens, vivem a ilusão de uma vida com projectos e uma existência sem problemas nem obstáculos. E os trabalhos de inspiração africana mostram outras mulheres, mulheres especiais, do conhecimento da autora em terras de África, aonde a circunstância de ter casado com um militar, com várias comissões realizadas, a levou: primeiro a Moçambique, depois&amp;nbsp;à Guiné e, finalmente, a Angola. &lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;– “Durante este percurso em que estive no ensino foi um correr, mudar de sítio. Foram os filhos, a casa, as viagens, os encontros e os desencontros, o instalar e desinstalar”&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; – diz a própria Lúcia. Era por isso impossível a escultura, no entanto, foram feitos &lt;strong&gt;&lt;em&gt;“muitos desenhos, muitos apontamentos para projectos futuros, pois fiquei com África no meu coração. Aquela gente, aquelas terras, aquele cheiro não se esquece”&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; – são ainda palavras significativas de alguém que pode agora realizar uma obra, emprestando-lhe toda a sua sensibilidade e saber.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;Texto publicado no n.º&amp;nbsp;32 da revista &lt;em&gt;REIS&lt;/em&gt;/1998&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;Edição da Trupe JOC/LOC&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2173951761233079456-2827910902937489156?l=revistareisovar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://revistareisovar.blogspot.com/feeds/2827910902937489156/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://revistareisovar.blogspot.com/2011/05/os-caminhos-do-sonho-lembrando-lucia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2173951761233079456/posts/default/2827910902937489156'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2173951761233079456/posts/default/2827910902937489156'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://revistareisovar.blogspot.com/2011/05/os-caminhos-do-sonho-lembrando-lucia.html' title='Os caminhos do sonho – Lembrando Lúcia Maia, escultora'/><author><name>Fernando Pinto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18068174158604110968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-1_vj8KvsxGc/TcwCyH-YFdI/AAAAAAAACHU/PGUju_--T6M/s72-c/LUCIA-MAIA-foto.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2173951761233079456.post-8959241105173145973</id><published>2011-05-24T00:21:00.000+01:00</published><updated>2011-05-24T00:51:02.316+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Revista REIS 1977'/><title type='text'>O cantador Teixeira de Guilhovai</title><content type='html'>&lt;span style="background-color: #990000; color: white; font-size: x-small;"&gt;Revista&lt;strong&gt;&lt;em&gt; REIS&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;/1977&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-F33eqNzLa90/Tdrvd6JSynI/AAAAAAAACIc/Zg6bl-a7OZc/s1600/teixeira-de-guilhovai.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; cssfloat: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" j8="true" src="http://4.bp.blogspot.com/-F33eqNzLa90/Tdrvd6JSynI/AAAAAAAACIc/Zg6bl-a7OZc/s400/teixeira-de-guilhovai.jpg" width="223" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;&lt;em&gt;Por&lt;/em&gt;&lt;/span&gt; &lt;strong&gt;António Maria Regalado&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Já vem sendo tradicional incluir no sumário da JOC-LOC uma entrevista. Este ano o entrevistado é, nem mais nem menos, do que o “&lt;strong&gt;cantador Teixeira&lt;/strong&gt;”, que todos mais ou menos conhecem. Como o espaço é pouco, vamos directamente ao assunto:&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;– Quantos anos tem? &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;– Desde o dia 9 de Novembro, conto 84.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;– Com quantos anos começou a cantar?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;– Bom, eu comecei a cantar desde rapaz ainda novo. Lembra-se de que no final das desfolhadas e das espadeladas de linho se formavam umas danças ao som da viola e dumas cantigas, e eu comecei assim. Um dia estive a ouvir cantar a Deolinda do Couto e o David Duarte, e eu, no final, disse para a Deolinda: eu era capaz de cantar consigo; pois não foi preciso mais nada porque ela mesmo me convidou para irmos cantar os dois a Gondomar, na freguesia de Taralhões, e assim cantei pela primeira vez em palco e a ganhar dinheiro no dia 18 de Outubro de 1924.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;– Quanto ganhou na sua estreia? &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;– 85$00! Eu pensei que pagavam muito menos!... &lt;br /&gt;Em tão boa hora comecei que não foi preciso mais para ficar conhecido, e daí em diante quase não tinha domingos livres.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;– Depois começou a ir cantar a outras terras?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;– Nem se podem mencionar todas, porque cantei milhares de vezes em centenas de freguesias.&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Cantei nos concelhos de Ovar, Vila da Feira, S. João da Madeira, Espinho, Gaia, Porto, Matosinhos, Vila do Conde, Póvoa do Varzim, Barcelos, Esposende, Braga, Viana do Castelo, Famalicão, Maia, Santo. Tirso, Guimarães, Penafiel, Lousada, Marco de Canaveses, Baião, Amarante, Peso da Régua, Serra do Marão, etc., etc. Mas os lugares mais privilegiados onde cantei foram 8 vezes em Lisboa, a convite da Colónia Osselense, e sempre com a presença do Sr. Governador Civil de Aveiro, Dr. Albino Borges de Pinho, escritor Ferreira de Castro, Dr. Albino dos Reis. Cantei 37 vezes no Porto, no Palácio de Cristal, convidado por o Sr. Dr. António Lopes Rodrigues para angariar fundos para a compra de mobiliário para o Hospital de Sta. Maria, daquela cidade; também cantei 3 vezes no Café Olímpia, da Avenida dos Aliados. Ainda cantei em benefício da assistência aos Tuberculosos do Norte de Portugal.&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;– Chegou a cantar com o Marques Sardinha?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;– Cantei com o Marques Sardinha, o Albino Nicolau, o David Duarte, o António Romão e o José Grilo, ambos do Porto, o Fonseca de Valongo, o Casa Nova, da Foz do Douro, o Machado, o Alberto Lima e o José Silva, todos de Sto. Tirso, o Manuel Moreira, de Gondomar, o Manuel Pereira, da Apúlia, e o Abraão de Avanca, e cantei também com o comendador Serafim Sofia. Com este senhor já eu tinha cantado quando ele era operário mineiro nas minas do Pejão; mais tarde emigrou para o Brasil, onde alcançou o título de comendador e, vindo um dia à terra, quis de novo cantar comigo e, no final de cantarmos, ofereceu-me um dos livros de sua autoria, “Tricentenário da Campo Grande”, Brasil.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;– E cantadeiras?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;– Cantei em estreia com a Deolinda do Couto, depois com a Margarida Reis, de Loureiro, a Barbuda de Estarreja, a Rocha de Vila do Conde, a Domingas Chaparrona do Bunheiro, a Laurinda de Gondomar, a Joaquina de Santo Tirso, a Joana Pereira de Esgueira, a Rita Pereira de S. Félix da Marinha, e tantos outros.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;– Lembra-se da última vez que cantou? &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;– A última vez até agora foi no dia 7 de Setembro deste ano, mas penso que ainda não foi a despedida.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;– Alguma vez saiu derrotado nas suas actuações?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;– Nós não vamos para o palco buscar derrotas ou vitórias, mas um dia apareceu-me um “espertalhão”que eu não conhecia, e entrei a cantar a medo; depois de escolhermos o assunto – a História de Portugal –, ele perguntou-me se eu sabia quem foi o 1.º rei de Portugal, eu respondi-lhe se ele sabia como se chamavam as terras antes da fundação e o que foi a Península Ibérica, e ele começou a atrapalhar-se e eu então, a esse sim, dei-lhe tamanha derrota que ele nem acabou a festa, desistiu antes do tempo!!!&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;– Vocês cantam sobre vários assuntos; quais os principais?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;– A terra e o mar, a madeira e o ferro, o rico e o pobre, vários assuntos; e depois cada um defende a sua terra o melhor pode.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;– E casos de fazer rir a assistência?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;– Quase em todos os desafios havia casos de risota, mas um dia, cantando eu e a Barbuda na Foz do Douro, eu disse-lhe que à noite ia dormir com ela e ela respondeu-me que tinha quem lhe fizesse companhia, que era uma cunhada, e eu cantei-lhe assim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;table cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="float: right; margin-left: 1em; text-align: right;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-EPGJ-S-Vhpo/TdrwvX2HlSI/AAAAAAAACIg/6DOqkhkbLig/s1600/margarida-reis.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; cssfloat: right; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="287" j8="true" src="http://3.bp.blogspot.com/-EPGJ-S-Vhpo/TdrwvX2HlSI/AAAAAAAACIg/6DOqkhkbLig/s400/margarida-reis.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Marques Sardinha (de Avanca) e Margarida Reis (de Loureiro) foram dois&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;dos muitos cantadores com quem António Teixeira se confrontou. Na foto, &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;em plena ria de Aveiro, num passeio organizado pelo Doutor Egas Moniz&lt;/strong&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Tu trouxeste companhia&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Para não perderes a fama&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Para te guardar de dia&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;E mesmo dentro da cama.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Logo que tens companhia&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Até me dá mais jeitinho&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Que durmo no meio das duas&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Ainda fico mais quentinho.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;– Resposta:&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Ó minha rica cunhadinha&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;O caso hoje está feio&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Que o maroto do Teixeira&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Quer dormir no nosso meio&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Mas s’ele for ter connosco&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;E vá com más intenções&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Eu deito-lhe as mãos às calças&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;E arranco-lhe os botões.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim acabou a conversa num momento de boa disposição, com a promessa de lhe ser remetido um exemplar do Boletim, mas que ele pediu para ser remetido em duplicado, porquanto um será para guardar e o outro será para ser lido na sua modesta loja de barbeiro, profissão que ainda hoje exerce.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;Texto publicado no n.º 11 da revista &lt;em&gt;REIS&lt;/em&gt;/1977&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;Edição da Trupe JOC/LOC&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2173951761233079456-8959241105173145973?l=revistareisovar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://revistareisovar.blogspot.com/feeds/8959241105173145973/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://revistareisovar.blogspot.com/2011/05/o-cantador-teixeira-de-guilhovai.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2173951761233079456/posts/default/8959241105173145973'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2173951761233079456/posts/default/8959241105173145973'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://revistareisovar.blogspot.com/2011/05/o-cantador-teixeira-de-guilhovai.html' title='O cantador Teixeira de Guilhovai'/><author><name>Fernando Pinto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18068174158604110968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-F33eqNzLa90/Tdrvd6JSynI/AAAAAAAACIc/Zg6bl-a7OZc/s72-c/teixeira-de-guilhovai.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2173951761233079456.post-5921178539121507779</id><published>2011-05-17T18:14:00.000+01:00</published><updated>2011-07-13T03:06:18.245+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='POETAS'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='PESSOAS'/><title type='text'>Glória de Sant’Anna em Ovar – Uma escrita de água e fogo</title><content type='html'>&lt;span style="background-color: #990000; color: white; font-size: x-small;"&gt;Revista &lt;strong&gt;&lt;em&gt;REIS&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;/1989&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;table cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="float: right; margin-left: 1em; text-align: right;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-9ysMD3-E2dw/TdKppAy8coI/AAAAAAAACH4/0TmbyEEBxHQ/s1600/gloria-santanna.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; cssfloat: right; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="320" j8="true" src="http://4.bp.blogspot.com/-9ysMD3-E2dw/TdKppAy8coI/AAAAAAAACH4/0TmbyEEBxHQ/s320/gloria-santanna.jpg" width="250" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Glória de Sant'Anna&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;(1925-2009)&lt;/strong&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;Por &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;Maria Luísa Resende&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: #444444;"&gt;Na roda desta revista, que se conversa uma só vez por ano – pela tradição dos Reis –, sempre planeja um ou outro conhecimento novo que nos faz entusiasmo acrescido. Leva-nos, então, pela nossa terra, ao encontro de ALGUÉM que já existia na nossa procura mas de quem, não raro, desconhecíamos o nome e a mensagem.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: #444444;"&gt;&lt;strong&gt;Esta foi uma dessas ocasiões. Penetramos no umbral de uma escritora de mérito, radicada em Ovar. Integramo-nos no universo – poético de&lt;/strong&gt; &lt;a href="http://artigosjornaljoaosemana.blogspot.com/2011/05/homenagem-poetisa-gloria-de-santanna.html"&gt;&lt;strong&gt;Glória de Sant’Anna&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;… DA MÚSICA DA PALAVRA…&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;De escrita branda, própria de uma identidade que se resume pelos poros das palavras. Delicada como uma renda ou pintura, na carícia às coisas belas, boas e simples: as paisagens longas e claras que recordam Lisboa, onde nasceu em 26 de Maio de 1925; ou Lagos – terra paterna, que lhe lembra a Baía de Pemba –; o mato, &lt;em&gt;“sítio lindo para estar, pela variedade e verdade das suas gentes”&lt;/em&gt;; a plantação do tabaco ou as cidades luminosas e amplas dessa África, sua saudade de sempre.&lt;/div&gt;&lt;a href="http://artigosjornaljoaosemana.blogspot.com/2011/05/homenagem-poetisa-gloria-de-santanna.html"&gt;&lt;strong&gt;Glória de Sant’Anna&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt; faz uma outra leitura da natureza, do quotidiano e dos picos da História. E dos desencontros também: a guerra da independência de Moçambique; o retorno, em 1974, à pátria e ao isolamento, após a doença e a morte do marido, em Ovar, onde se radicou com a saúde abalada. Há outros poemas inquietos de desenraizamentos e mágoas. Registo de um universo intimista interrompido, súbito. Perplexidades dos dias tranquilos trespassados por acontecimentos e situações extremos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Eu naveguei pelo interior de um longo rio humano de tempos diversos onde também há sangue vegetal, buscando o que acabei por encontrar – a imensa angústia que se reparte.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Sobre isto escrevo.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Mas cuidado: a música da palavra é um casulo de seda. Só dobando-o com olhos atentos se chega à verdade – a solidão ansiosa e disponível"&lt;/em&gt;. – escreveu a autora na contracapa do belíssimo livro “Amaranto” (da Biblioteca de Autores Portugueses).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;… DE UM LONGO RIO HUMANO…&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Desses tempos diversos”, recorde-se a seiva pujante da intensa actividade que a tornou figura prestigiada no panorama literário de Lourenço Marques.&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Sete livros publicados, seis de poesia (&lt;em&gt;Distância&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Música Ausente&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Livro de Água&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Poemas do Tempo&lt;/em&gt; &lt;em&gt;Agreste&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Um Denso Azul Silêncio&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Desde que o Mundo&lt;/em&gt;…, &lt;em&gt;Poemas de Intervalo&lt;/em&gt;) e um outro de crónicas (&lt;em&gt;Do Tempo inútil&lt;/em&gt;. Além destes, &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Amaranto&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; faz a recolha de alguns e inclui quatro outros: &lt;em&gt;A Escuna de Angra&lt;/em&gt;; &lt;em&gt;Cancioneiro Incompleto&lt;/em&gt; (sobre a guerra de Moçambique); &lt;em&gt;Gritoacanto&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Cantares de Interpretação.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;Um dos livros mereceu-lhe o prémio Camilo Pessanha, na Beira. Recebeu igualmente os maiores elogios à sua obra literária no “Diário de Notícias” e noutras publicações feitas por críticos de reconhecido prestígio.&lt;br /&gt;O resto, é trabalho disperso por revistas e jornais de lá, de cá e do Brasil. Foi conferencista e muito conhecida na Rádio Clube de Lourenço Marques, onde, durante 16 anos, animou um programa diário de duas horas com locução, programação e teatro radiofónico.&lt;br /&gt;Fala-nos ainda das suas aulas de Português, no Ensino Secundário, e da amizade com os alunos. O Artur Albarran foi um deles…&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;em&gt;– “Em minha casa, como nas minhas aulas, não havia racismo: uma pessoa era sempre uma pessoa… Os meus seis filhos aprenderam-no. Um deles foi para a Suécia para não combater contra os amigos. O que lá deixámos ficou para a terra dos meus filhos. Mas a independência devia ter sido a preto e branco”.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;Com o regresso, a pedido do marido, todo esse imenso dinamismo se confinou às lides de casa, da família, em Ovar, e a ajudá-lo num gabinete de arquitectura e obras, depois de aposentada por questões de saúde.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A agressividade competitiva da nossa vida literária desagrada-lhe, e isola-se “num casarão imponente demais para a minha maneira de ser, mas o nosso sossego faz-me lembrar os trinta anos de África”.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;– “Em Portugal tudo é diferente e terrível, porque se vive em círculos fechados”&lt;/em&gt;, desabafa.&lt;br /&gt;Não obstante, colabora na revista “Colóquio” (Letras), e escreve um novo livro sobre os descobrimentos, fruto de pesquisas históricas, em Lagos.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;– “Essencialmente, um livro para me aguentar num período difícil do meu regresso. É que também eu fui navegante nesta rota da vida. Com tempestades e tudo”.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;… A VAGA QUE SE REFAZ… UM RETRATO POSSÍVEL&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É, note-se, quase obsessiva esta sua ligação ao mar.&lt;br /&gt;Tão semelhante ao seu movimento interior e denso; à profundidade límpida e silenciosa e fértil. Tão necessariamente precisos, ambos, do retorno à origem, do recomeço, do refazer-se dos muitos embates.&lt;br /&gt;Ler esta autora é encontrarmo-nos com quem está sempre a partir das suas conclusões e desencantos para uma liberdade criativa:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;… “Lá fora, na baía,&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;a vaga morta se refaz e torna.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;O mesmo fio inexplicado&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;me liga ao vento, ao mar&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;e à gaivota”&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://artigosjornaljoaosemana.blogspot.com/2011/05/homenagem-poetisa-gloria-de-santanna.html"&gt;&lt;strong&gt;Glória de Sant’Anna&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt; (Maria Glória de Sant’Ana Arala Paes), parece-me assim, num humanismo que transparece e se impõe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;… “Quando a dor se levanta&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;ergue o teu rosto:&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;as estrelas só nascem&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;depois do sol posto!”&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há, nas letras portuguesas, omissões que são injustiça. Que Ovar a não esqueça.&lt;br /&gt;Eis-nos perante uma escrita não feminista, porque nada reivindica. E, no entanto, de indubitável matriz feminina, porquanto contemplativa, ligada aos elementos criadores da terra e da água numa fala serena sobre as interrogações humanas, seus enlaces e desenlaces.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A revista REIS agradece tê-la conhecido na simplicidade tocante que lhe é característica.&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;O seu melhor retrato não é o nosso, mas um soneto da própria autora.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Delenda Glória&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;eis-me solta de todas as amarras&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;da canga a que forcei o pensamento&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-BD-13PSA8n0/TdKptC4SpTI/AAAAAAAACH8/tufIBmZHK0E/s1600/gloria-santanna1.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; cssfloat: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="312" j8="true" src="http://4.bp.blogspot.com/-BD-13PSA8n0/TdKptC4SpTI/AAAAAAAACH8/tufIBmZHK0E/s320/gloria-santanna1.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;de novo imersa nesta água pura&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;em que me identifico e apresento&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;limpa dos sulcos de súbitas grades&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;a que me expus de rosto claro e isento&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;– medida consciente para a mágoa&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;que é do tempo sem horas o sustento&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;de novo as mãos abertas e sem nada&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;estendidas à ternura do momento&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;a cada dia pronto que me alaga&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;de novo tão adulta como o vento&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;completa dentro desta pura água&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;por onde me procuram e me ausento&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;Texto publicado no n.º 23 da revista &lt;em&gt;REIS&lt;/em&gt;/1989&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;Edição da Trupe JOC/LOC&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;LEIA MAIS SOBRE A POETISA &lt;a href="http://artigosjornaljoaosemana.blogspot.com/2011/05/homenagem-poetisa-gloria-de-santanna.html"&gt;&lt;strong&gt;AQUI&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2173951761233079456-5921178539121507779?l=revistareisovar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://revistareisovar.blogspot.com/feeds/5921178539121507779/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://revistareisovar.blogspot.com/2011/05/gloria-de-santanna-em-ovar-uma-escrita.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2173951761233079456/posts/default/5921178539121507779'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2173951761233079456/posts/default/5921178539121507779'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://revistareisovar.blogspot.com/2011/05/gloria-de-santanna-em-ovar-uma-escrita.html' title='Glória de Sant’Anna em Ovar – Uma escrita de água e fogo'/><author><name>Fernando Pinto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18068174158604110968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-9ysMD3-E2dw/TdKppAy8coI/AAAAAAAACH4/0TmbyEEBxHQ/s72-c/gloria-santanna.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2173951761233079456.post-1106727207555715085</id><published>2011-03-12T01:37:00.002Z</published><updated>2012-02-18T14:47:45.141Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Revista REIS 1995'/><title type='text'>Caminhos da farinha passam por Ovar</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: #990000; font-size: x-large;"&gt;Gerações de velhos moleiros&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="background-color: #990000;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color: white; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;Revista &lt;i&gt;REIS&lt;/i&gt;/1995&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;TEXTO:&lt;/span&gt; Manuel Pires Bastos&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-SPDgj5afAms/TiDd90UffbI/AAAAAAAACK8/dQuf35RwiN8/s1600/moinho-ponte-reada-caster1.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" m$="true" src="http://1.bp.blogspot.com/-SPDgj5afAms/TiDd90UffbI/AAAAAAAACK8/dQuf35RwiN8/s1600/moinho-ponte-reada-caster1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;﻿﻿﻿﻿﻿﻿﻿&lt;br /&gt;São três os cursos de água que atravessam Ovar: &lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;- &lt;strong&gt;Rio Cáster&lt;/strong&gt; (ou o “rio d’Ovar” como é citado em documentos medievais), que vem da Feira, por Alcapedrinha, Sobral e Ponte Reada (em 1547 fala-se do álveo “do antigo rio” deste lugar, que está infrutífero e que se pretende frutificar, pois “em caso de inundação não represa água e não atrasa a vala do Rio Novo”);&lt;/div&gt;- &lt;strong&gt;Rio Lajes&lt;/strong&gt;, que vem do Salgueiral, pela Ponte Nova e morre no Cáster, junto aos Pelames;&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;﻿- &lt;strong&gt;Rio das Luzes&lt;/strong&gt;, que vem de Sande, por S. Donato, Assões e Madria, desaguando no Cáster, abaixo da Senhora da Graça.&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: left;"&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="https://lh6.googleusercontent.com/-U7a5uZ6MBbQ/TXrWVKSLO4I/AAAAAAAACBM/0EZeIqOCsIo/s1600/moinho-sande1.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" q6="true" src="https://lh6.googleusercontent.com/-U7a5uZ6MBbQ/TXrWVKSLO4I/AAAAAAAACBM/0EZeIqOCsIo/s1600/moinho-sande1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #444444; font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;Moinhos em Sande - S. João de Ovar&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-SsBPTYZMAY0/TiDYajjzL1I/AAAAAAAACKs/fbJng9IbMwU/s1600/moinho-sandeNET.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" m$="true" src="http://3.bp.blogspot.com/-SsBPTYZMAY0/TiDYajjzL1I/AAAAAAAACKs/fbJng9IbMwU/s1600/moinho-sandeNET.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #444444; font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;Um naco de conversa, enquanto o milho cai da moega para a moenga&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;﻿Todos estes ribeiros foram sendo aproveitados, ao longo dos séculos, para alimentar a vida do homem: irrigando as terras de cultivo e fazendo mover moinhos que transformavam os cereais em pão.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="https://lh6.googleusercontent.com/-U7a5uZ6MBbQ/TXrWVKSLO4I/AAAAAAAACBM/0EZeIqOCsIo/s1600/moinho-sande1.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="75" src="https://lh6.googleusercontent.com/-U7a5uZ6MBbQ/TXrWVKSLO4I/AAAAAAAACBM/0EZeIqOCsIo/s1600/moinho-sande1.jpg" style="filter: alpha(opacity=30); left: 322px; mozopacity: 0.3; opacity: 0.3; position: absolute; top: 1607px; visibility: hidden;" width="96" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;﻿ &lt;/div&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="clear: left; cssfloat: left; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: left;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;a href="https://lh4.googleusercontent.com/-I9rxIuUegyw/TXrXegCTgCI/AAAAAAAACBQ/b78Bw7EUj58/s1600/moinho-sande2.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="400" q6="true" src="https://lh4.googleusercontent.com/-I9rxIuUegyw/TXrXegCTgCI/AAAAAAAACBQ/b78Bw7EUj58/s400/moinho-sande2.jpg" width="317" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #444444; font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;Moleiro de S. Donato - S. João de Ovar&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;﻿Pouco a pouco, as águas deixaram de servir para isso. Passaram a mover turbinas hidráulicas e a alimentar a avidez de indústrias, algumas delas sem escrúpulos, com os resultados que todos conhecemos: a contaminação é de tal ordem que não há vida que resista… Abandonados e destruídos, os escombros dos velhos moinhos vão assistindo à destruição da própria vida…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000; font-size: large;"&gt;&lt;em&gt;Moleiros do Cáster – Os Queridas, dos Pelames&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Os moinhos principais do Cáster situavam-se na zona dos Pelames. Eram três casas de molinagem, sendo duas com quatro rodas e uma com três. Na sequência de várias gerações, era seu proprietário, no fim do século passado, Manuel Marques Branco, de apelido “Querida”, que seria assassinado ali perto, por volta de 1935, em consequência de uma rixa travada com um tal Rebelo, que o apunhalou, depois de terem bebido uns copos na loja do Rocha, na Rua da Fonte. Os seus quatro filhos deram continuidade a esta pequena indústria artesanal.&lt;/div&gt;Os netos Manuel Maria Godinho Branco e Manuel António Marques Branco (Mena), primos entre si, continuaram com o mesmo labor, embora com moinhos diferentes. O último veio a falecer em 1989, sem que algum dos seus numerosos filhos quisesse continuar no negócio. O Manuel Maria, ainda vivo, continuou na arte.&lt;br /&gt;Como a generalidade dos moleiros, os Queridas comercializavam o milho e o centeio, em moldes muito característicos, com uma clientela que ia de Ovar à Torreira, passando pela Ribeira, Carregal, Marinha e Torrão de Lameiro: recebiam os cereais e levavam a farinha, correspondendo o lucro de negócios – a maquia – a dois quilos em cada quinze moídos.&lt;br /&gt;A carga era transportada sobre as albardas dos burros. Só mais tarde, quando melhoraram os caminhos, passaram a usar a carroça.&lt;br /&gt;No mesmo rio, a norte, junto à Ponte João de Pinho, há o moinho de José Salgueira, filho de um primeiro Belislau, e na zona da Ponte Reada os dois moinhos de João Palhas (actual restaurante em construção) e o da família Pode, de 2 rodas, comprado, em 1946, por Amélia de Oliveira Dias, viúva, mãe do actual proprietário, José da Silva Pode. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-W8n4lAyuHo4/TiDWms9QD_I/AAAAAAAACKo/cF5ZwuAuhF8/s1600/moinho-podeNET.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" m$="true" src="http://1.bp.blogspot.com/-W8n4lAyuHo4/TiDWms9QD_I/AAAAAAAACKo/cF5ZwuAuhF8/s1600/moinho-podeNET.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #444444; font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;Exterior do moinho do Pode, na Ponte Reada, junto ao caminho de ferro&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;br /&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="https://lh5.googleusercontent.com/-zH9s3JzH5MM/TXrS-9JPNdI/AAAAAAAACBE/VH9ff7NYnL0/s1600/moinho-palhas1.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" q6="true" src="https://lh5.googleusercontent.com/-zH9s3JzH5MM/TXrS-9JPNdI/AAAAAAAACBE/VH9ff7NYnL0/s1600/moinho-palhas1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #444444; font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;Moinho do Palhas - Ovar&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;﻿Junto à fonte do Casal, já no troço comum do Cáster, a sul de Ovar, havia outro moinho, perto do qual foi construída a fábrica do papel.﻿﻿﻿ &lt;br /&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;a href="https://lh4.googleusercontent.com/-YUOTA29Y0xU/TXrZKbTYVvI/AAAAAAAACBU/i8BtdxiLvn0/s1600/fabrica-papel.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" q6="true" src="https://lh4.googleusercontent.com/-YUOTA29Y0xU/TXrZKbTYVvI/AAAAAAAACBU/i8BtdxiLvn0/s1600/fabrica-papel.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #444444; font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;Ponte do Casal,&amp;nbsp;junto ao&amp;nbsp;moinho que veio a transformar-se na Fábrica do Papel&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;﻿&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;&amp;nbsp;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;em&gt;Moleiros do rio Lajes&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Um pouco a norte dos Pelames, no rio Lajes, que vem do Salgueiral, tem assento outro conjunto de moinhos centenários, cujo actual proprietário, Belislau Rodrigues Onofre, hoje com 82 anos, continuou com a esposa, Rosa Maria de Jesus, as tarefas de seu pai, Manuel Rodrigues Onofre, de Cabanões, que ali se instalou com a mulher, Maria José de Oliveira da Graça, depois de ter moído em Alcapedrinha, próximo de Tarei, no rio Cáster.&lt;/div&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-Fj-H4kya4w8/ThuhXPJ5wTI/AAAAAAAACKc/DboLlVZd64A/s1600/moinho-lajes.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" m$="true" src="http://1.bp.blogspot.com/-Fj-H4kya4w8/ThuhXPJ5wTI/AAAAAAAACKc/DboLlVZd64A/s1600/moinho-lajes.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: #444444; font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;Moinho do Belislau, na levada do rio das Lajes, cuja ponte servia de lavadouro&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Ao lado da casa onde reside o Belislau está outra em ruínas, onde vivia um parente, o João Pinéu (pai de Francisco Pinéu), que administrava outro conjunto de moinhos idênticos ao seu. Hoje as águas do rio Lajes (ali, o rio corre mesmo sobre as lajes naturais) já não produzem farinha. Mas com o engenho e a arte do senhor Belislau, ainda fazem funcionar um gerador que, há anos, produzia electricidade para a sua casa.&lt;br /&gt;﻿No mesmo rio, a nascente dos Pelames, próximo da linha férrea, ficam os moinhos da Misericórdia, que foram do &lt;em&gt;Dr. Gonçalinho&lt;/em&gt; (Dr. Gonçalo Huet), da Rua Dr. José Falcão. Tem duas casas de moagem, cada uma das quais com várias moegas. ﻿﻿﻿﻿Ali foram moleiros residentes Francisco Duarte, cantador, de Sande, e Manuel José (Sopinha), cada qual com instalações próprias.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;﻿﻿﻿﻿﻿ &lt;br /&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="clear: left; cssfloat: left; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-5n4TxxDLMS0/Thuh0MV78EI/AAAAAAAACKg/BLKJCeH_b8E/s1600/moinho-escuteiros.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" m$="true" src="http://2.bp.blogspot.com/-5n4TxxDLMS0/Thuh0MV78EI/AAAAAAAACKg/BLKJCeH_b8E/s1600/moinho-escuteiros.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: #444444; font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;Escuteiros limpando os escombros do velho moinho do rio das&amp;nbsp;Lajes (2010)&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-kBnhRKUON6M/TojzblnQIcI/AAAAAAAACVM/Opr-EGVBP5Q/s1600/moinhos-lajes.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" kca="true" src="http://4.bp.blogspot.com/-kBnhRKUON6M/TojzblnQIcI/AAAAAAAACVM/Opr-EGVBP5Q/s1600/moinhos-lajes.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: #444444; font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Moinho da Misericórdia (no rio das Lajes), em recuperação (Setembro de 2011)&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;Ali viveu também, cerca de 20 anos, João Maria Resende, que foi relojoeiro amador, a quem sucedeu sua filha Raquel, última utente das instalações, hoje cedidas aos Escuteiros.&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Na Ponte Nova, perto da actual Carmel, pontificava o Eduardo. Mais a nascente, havia o moinho do Santos (próximo da capela de S. João), o da Olívia Dornas, no Salgueiral, e outros mais.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000; font-size: large;"&gt;&lt;em&gt;Moinhos das Luzes – Um milagre da engenharia&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-wLLgN5u9IMk/TiDcRhSNTaI/AAAAAAAACK0/IAvnfRZvudw/s1600/moinho-LUZESNET2.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" m$="true" src="http://2.bp.blogspot.com/-wLLgN5u9IMk/TiDcRhSNTaI/AAAAAAAACK0/IAvnfRZvudw/s1600/moinho-LUZESNET2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #444444; font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;Moinhos das Luzes, um milagre da engenharia&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;São várias as casas de moagem alimentadas pelas águas do rio Luzes, sobretudo na Levada de moinhos, onde se situa a mais expressiva e exemplar obra de engenharia hidráulica existente em Ovar, mesmo dentro da cidade, constituída por oito casas de moinhos, cada uma das quais com duas e três mós e com habitação, que se sucedem quase ininterruptamente, num pequeno declive de pouco mais de 50 metros.&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-I54s2laLQIo/TnQctW_gIZI/AAAAAAAACTc/zfuKpoegCvA/s1600/moinho-luzes1.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" rba="true" src="http://4.bp.blogspot.com/-I54s2laLQIo/TnQctW_gIZI/AAAAAAAACTc/zfuKpoegCvA/s1600/moinho-luzes1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: #444444; font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;O 6.º e 7.º moinhos das Luzes&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;No 7.º moinho (de três rodas, ainda habitado, junto à fonte, a nascente da estrada, e então pertencente à Quinta das Luzes), residiram e moeram, até 1968, José Maria Tavares (José da Granja), sua esposa Felismina Rainha, de Loureiro, e suas filhas Micas e Romana, com clientela desde Assões à Ribeira, e, até pouco tempo depois, o Joaquim Querida, vindo do 8.º moinho (a poente da estrada, e também ainda habitado, propriedade da família Bonifácio), onde antes viveu, durante mais de 30 anos, Manuel Rosa Paciência (Sopinha), e onde também moía, só para a sua casa comercial, o António da Padaria, da Rua Elias Garcia.&lt;/div&gt;Com os Queridas, acabou a moagem de milho no local.&lt;br /&gt;Os restantes moinhos de cima, dado o aparecimento das fábricas de moagem, foram-se reconvertendo, passando a triturar caulinos para a fábrica de tintas do Sr. Godinho, da Rua do Sobreiro, aproveitando o trabalho dos antigos moleiros Arnaldo do Estevão, Ti Manuelzinho “do barro” (Sioto), e Salgueiro (de Válega).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;Texto publicado no n.º&amp;nbsp;29 da revista REIS/1995&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;Edição da Trupe JOC/LOC&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;b style="background-color: white; font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 15px; line-height: 20px;"&gt;&lt;span style="color: #444444;"&gt;http://revistareisovar.blogspot.com (N.º 10)&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;img height="62" src="http://4.bp.blogspot.com/-W8hDtykGM3k/TiDdhcWN8nI/AAAAAAAACK4/d5zLYAoLCCs/s320/moinho-ponte-reada-caster1.jpg" style="filter: alpha(opacity=30); left: 434px; mozopacity: 0.3; opacity: 0.3; position: absolute; top: 291px; visibility: hidden;" width="96" /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2173951761233079456-1106727207555715085?l=revistareisovar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://revistareisovar.blogspot.com/feeds/1106727207555715085/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://revistareisovar.blogspot.com/2011/03/caminhos-da-farinha-passam-por-ovar.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2173951761233079456/posts/default/1106727207555715085'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2173951761233079456/posts/default/1106727207555715085'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://revistareisovar.blogspot.com/2011/03/caminhos-da-farinha-passam-por-ovar.html' title='Caminhos da farinha passam por Ovar'/><author><name>Fernando Pinto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18068174158604110968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-SPDgj5afAms/TiDd90UffbI/AAAAAAAACK8/dQuf35RwiN8/s72-c/moinho-ponte-reada-caster1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2173951761233079456.post-1123484145046822953</id><published>2010-11-24T01:53:00.002Z</published><updated>2011-09-07T15:23:26.649+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Revista REIS 2003'/><title type='text'>Centenário do Nascimento de Santa Camarão (1902-2002)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #4c1130; font-size: x-large;"&gt;&lt;em&gt;“O Gigante de Ovar”&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/TOx8SAl8tRI/AAAAAAAAB0s/xatTna-l1_I/s1600/camaraoretrato1.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; cssfloat: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" ox="true" src="http://1.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/TOx8SAl8tRI/AAAAAAAAB0s/xatTna-l1_I/s320/camaraoretrato1.jpg" width="252" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;Por &lt;span style="color: #990000;"&gt;&lt;strong&gt;Fernando Pinto&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Sempre ouvi falar de Santa Camarão: que media mais de dois metros, pesava 114 quilos e calçava 49,5! Mas quem era afinal, este vareiro que, no mundo do boxe, chegou a ser campeão nacional de pesados de 1925 a 1932? Se fosse vivo teria apagado, no último Natal, 100 velas.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;José Soares Santa era filho de António Soares Santa, fragateiro de profissão, e de Josefa Pereira dos Santos, forneira, ambos de elevada estatura. Tinha quatro irmãos: o Manuel, o Artur e o António (gémeos), e a Maria, sendo ele o mais novo de todos. Nasceu às nove horas do dia 25 de Dezembro de 1902, na Rua Visconde de Ovar, vindo a falecer na mesma na mesma casa às cinco horas do dia 5 de Abril de 1968. Só o coração desta “santa criatura” foi capaz de o pôr a dormir, KO, no ringue da vida. Contava 65 anos de idade.&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/TQwpCYf1C0I/AAAAAAAAB2Q/8aq7RW2Pd8I/s1600/camaraoretrato3.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" n4="true" src="http://3.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/TQwpCYf1C0I/AAAAAAAAB2Q/8aq7RW2Pd8I/s1600/camaraoretrato3.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;José Soares Santa (à direita), com a família&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;em&gt;De fragateiro a “boxeur”&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Aos 11 anos, feito o exame de instrução primária, José Santa foi para Lisboa ajudar o pai a bordo das fragatas. Chamavam-lhe Camarãozinho. Mas ele cresceu, cresceu, cresceu, e, aos 19 anos, a sua corpulência tirou-o do anonimato e da vida árdua que levava nas docas do Tejo. Honra essa atribuída ao lutador Manuel Grilo, num dia em que “o Camarão” fora assistir a um combate de luta-livre no Coliseu dos Recreios. No entanto, foi no Porto que Alexandre Cal e Aníbal Fernandes lhe deram a conhecer a dor e a adrenalina dos primeiros socos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/TOx4skmZ_RI/AAAAAAAAB0o/NYRmIeawRek/s1600/camaraocombate2.jpg" imageanchor="1" style="cssfloat: right; margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="508" ox="true" src="http://1.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/TOx4skmZ_RI/AAAAAAAAB0o/NYRmIeawRek/s640/camaraocombate2.jpg" width="640" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;strong&gt;Um dos combates do pugilista "Santa Camarão"&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;Em 1921, o “Gigante de Ovar”, ao vencer Joaquim Branco no Palácio de Cristal, na cidade invicta, foi empurrado pelos jornais para outro ringue: o da fama! Os vareiros lançaram foguetes à sua estrela, que viria a brilhar na Alemanha, nos anos 30, no filme “Amor no Ringue”, do realizador Reinhold Schuntzel, contracenando com Max Schmeling, campeão europeu de boxe, e com outros nomes consagrados da época, como a actriz Anny Ondra e o português Artur Duarte. Gostou da experiência, e voltou a entrar noutro filme, “O Boxeur e a Mulher”, desta feita nos Estados Unidos. Hollywood chamava-o, mas o nosso bom gigante não chegou a aceitar nenhum convite.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Passagem pelo “Madison Square Garden”&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Após dezenas de combates vitoriosos que tiveram como palco a Europa, o Brasil e os Estados Unidos, foi na noite de 6 de Dezembro de 1932, no famoso estádio “Madison Square Garden”, em Nova Iorque, que Santa Camarão viria a abandonar, pela primeira vez, o ringue, ao 6.º assalto: – &lt;em&gt;"O meu fracasso diante de Primo Carnera, o actual campeão mundial foi obra exclusiva da precipitação do meu manager Bertys Perry. Estava doente e contrariadíssimo, pois tinha tido uma forte altercação com Perry e subi ao ringue em condições anormais, pois tinha um joelho seriamente contundido e mal me podia movimentar diante do boxeur italiano"&lt;/em&gt;, confessa, mais tarde, o pugilista.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/TOx-RNhZKQI/AAAAAAAAB00/NDxyR548E7I/s1600/camaraoretrato2.jpg" imageanchor="1" style="cssfloat: right; margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="400" ox="true" src="http://2.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/TOx-RNhZKQI/AAAAAAAAB00/NDxyR548E7I/s400/camaraoretrato2.jpg" width="383" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;José Santa com a esposa Mary Loreta de Oliveira&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/TOx-uEa832I/AAAAAAAAB04/RSvmVkMRXtQ/s1600/camaraoretrato7.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" ox="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/TOx-uEa832I/AAAAAAAAB04/RSvmVkMRXtQ/s320/camaraoretrato7.jpg" width="270" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O “Homem Montanha de Portugal” começou a sentir algum cansaço a partir de 1934, sendo aconselhado pelos médicos a abandonar aquele duro desporto, depois de ter travado mais de cem combates! Um ano mais tarde, a 20 de Abril, nascia o seu único filho, Renaldo Oliveira Santa, fruto do seu casamento com Mary Loreta de Oliveira. Esta união não correu bem e Santa Camarão viu o filho partir, aos 12 anos, para a América com a sua mãe. Ainda hoje lá vive, no Oregon, acompanhando, de perto, as lutas que se têm travado na sua terra natal para que a memória de seu pai não seja esquecida. Em correspondência enviada ao artista Marcos Muge, autor de uma escultura de Santa Camarão, enviou algumas das fotografias que aqui publicamos e que desde já agradecemos.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Alguns testemunhos de amigos&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;– “Num dia de Dezembro, andava eu no Orfeão, foram muitas camionetas a Viseu. E o Sr. José Santa foi também misturado com os orfeonistas, porque ele gostava muito de convívios”, lembra Adolfo Ferreira, de 68 anos, amigo de infância do seu filho Renaldo: – “Tinha nevado muito… A certa altura, a camioneta onde ele ia começou a derrapar, indo parar a uma ponte. E as pessoas todas aos gritos… O Sr. Santa saiu do autocarro e, como o piso estava escorregadio, espalhou-se. As pessoas tentaram ajudá-lo, mas como ele era pesado, levantá-lo foi uma tarefa muito complicada”.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;– “O meu pai tinha uma barbearia, que ficava em frente ao antigo cinema de Ovar, no Largo dos Combatentes. Era eu miúdo… Para adiantar o serviço, pedia-me que fosse ensaboando os clientes que queriam fazer a barba”, explica João Mendonça, então aprendiz de barbeiro: – “Um dia chega o Santa Camarão. Ensaboei, ensaboei, mas o meu pai não aparecia, e o Sr. Santa disse: &lt;em&gt;¬ Vá, pega na navalha…&lt;/em&gt; – Mas eu não sei, respondi. &lt;em&gt;– Dá cá, que eu ensino-te&lt;/em&gt;. – Ó Sr. José, espere um pouco que o meu pai vem já. Peguei na navalha, a tremer, e lá lhe fui cortando a barba. Chegou a vez do bigode, que eu não sabia fazer. &lt;em&gt;– Dá cá.&lt;/em&gt; Cada vez que ele punha a navalha debaixo do nariz, fazia um golpe. – Ó Sr. José, está a cortar-se! &lt;em&gt;¬ Não faz mal, não faz mal. Entretanto, chega o meu pai. – O que é que fizeste?&lt;/em&gt; – Não fui eu, foi ele que se cortou.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/TOx_zx5DTDI/AAAAAAAAB08/VI7la0uSO8c/s1600/camaraoretrato8.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; cssfloat: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" ox="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/TOx_zx5DTDI/AAAAAAAAB08/VI7la0uSO8c/s320/camaraoretrato8.jpg" width="318" /&gt;&lt;/a&gt;– “Comecei a fazer-lhe fatos a partir de 1952. Fazia-lhe dois por ano: um em Maio ou Junho e outro no Natal, pelo seu aniversário”, explica o alfaiate José Matos, que tinha a sua alfaiataria no rés-do-chão da casa de Santa “Camarão”. Segundo o mesmo, enquanto o fato de um homem normal precisava de três metros de tecido, o do José Santa não levava menos de quatro e meio. – “No início dos anos 60, fiz-lhe uma gabardina. Estreou-a quando fui ao Porto receber a renda das casas que possuía. Fui com ele e recordo-me do povo perguntar: – Eh diabo, quem foi o alfaiate que lhe fez essa gabardina!? &lt;em&gt;– Olhe, está aqui ao meu lado&lt;/em&gt;, respondeu com aquele ar bonacheirão. – O quê? Este senhor tão pequenino fez uma gabardina deste tamanho?!, recorda o alfaiate, com uma tesourada de saudade.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;– A minha mãe vendia peixe e ele um dia, vendo-me no Largo da Arruela, perguntou-me: &lt;em&gt;"Ó Russinha&lt;/em&gt; (era assim que ele me chamava), &lt;em&gt;queres vir para a minha casa?&lt;/em&gt;, conta Maria de Lurdes Gomes Coelho Carvalho da Costa, de 52 anos, que foi criada por ele em menina – “Para ele eu era como se fosse uma filha. No meu quarto existia uma arca onde ele guardava as luvas de boxe, uma taça muito grande e outras mais pequenas, álbuns de fotografias com as namoradas que teve, entre outras coisas. Onde é que elas estão agora é que eu não sei! Eu conhecia bem aquela casa… Se lá entrasse hoje, apanhava um susto, porque aquilo da parte de fora parece uma casa fantasma, lamenta a pupila do Santa.&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;O n.º 98 da Ria Visconde de Ovar, casa onde estão as raízes de Santa Camarão, pertence hoje a José Gonçalves, dono do “Café Stop”, situado no Largo que tem o nome do pugilista desde 1985. Além desta homenagem e do monumento que lhe vão edificar, obra do artista Emerenciano, será publicado em breve o livro “Com o Mundo nos punhos – elementos para uma biografia de José Santa Camarão, da autoria de Luís Maçarico, encomendado pela Câmara Municipal de Lisboa, a partir de uma sugestão do Grupo de Reflexão Pró-Ovar.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Para quando a tão desejada Casa-Museu?&lt;/strong&gt; Já é altura de acordarmos, como deve de ser, os feitos do mais famoso boxeur português de todos os tempos, que só não conseguiu concretizar dois sonhos: arrecadar o título mundial de boxe e viver até aos oitenta…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;Texto publicado no n.º&amp;nbsp;37 da revista “Reis” (2003)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;Edição da Trupe JOC/LOC&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;iframe allowfullscreen="" frameborder="0" height="390" src="http://www.youtube.com/embed/enMUH0aGLF0" title="YouTube video player" width="480"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;span style="background-color: white;"&gt;&lt;span style="background-color: #ffd966;"&gt;NOTA&lt;/span&gt;: &lt;strong&gt;José&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt; Soares Santa “Camarão” foi incluído na lista “Cem Desportistas, Cem Anos da República”, uma iniciativa da Confederação do Desporto de Portugal, cuja distinção foi entregue em 16 de Novembro de 2010 na 15.ª Gala do Desporto&lt;/strong&gt;, efectuada no Casino Estoril, ao seu biógrafo Luís Filipe Maçarico, em representação da Confederação Portuguesa das Colectividades de Cultura e Desporto. Este reconhecimento deve-se em grande parte à colaboração dada por diversos elementos da comunidade vareira que conviveram com o pugilista ou que possuíam elementos preciosos sobre esta ilustre figura ovarense. &lt;strong&gt;O VÍDEO QUE LHE OFERECEMOS É UM FRAGMENTO DO FILME "AMOR NO RINGUE" (1930).&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2173951761233079456-1123484145046822953?l=revistareisovar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://revistareisovar.blogspot.com/feeds/1123484145046822953/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://revistareisovar.blogspot.com/2010/11/centenario-do-nascimento-de-santa.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2173951761233079456/posts/default/1123484145046822953'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2173951761233079456/posts/default/1123484145046822953'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://revistareisovar.blogspot.com/2010/11/centenario-do-nascimento-de-santa.html' title='Centenário do Nascimento de Santa Camarão (1902-2002)'/><author><name>Fernando Pinto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18068174158604110968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/TOx8SAl8tRI/AAAAAAAAB0s/xatTna-l1_I/s72-c/camaraoretrato1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2173951761233079456.post-3348860401223392662</id><published>2010-11-13T04:50:00.000Z</published><updated>2010-11-24T04:04:37.248Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Revista REIS 1983'/><title type='text'>Edwiges Helena</title><content type='html'>&lt;em&gt;Por &lt;span style="color: #990000;"&gt;&lt;strong&gt;Maria da Graça Muge Costa&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/TOx4HvChKsI/AAAAAAAAB0k/svKRWrTYs5Q/s1600/edwiges1.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; cssfloat: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" ox="true" src="http://1.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/TOx4HvChKsI/AAAAAAAAB0k/svKRWrTYs5Q/s320/edwiges1.jpg" width="208" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;– Hoje estou muito feliz…&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;em&gt;Vim de uma festinha que um grupo de crianças ensaiou e representou na sua simplicidade e modéstia…&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;em&gt;Feliz, por ver florir um grupo cuja semente foi lançada por mim.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Foi com estas palavras que começou a nossa conversa com &lt;strong&gt;Edwiges Helena Gondim da Fonseca&lt;/strong&gt;, mulher bem conhecida do povo vareiro pelo facto de pertencer a uma família que se notabilizou pela sua dedicação à Arte. Basta lembrar seu avô, António Dias Simões, e sua mãe D. Maria Amélia Dias Simões, ambos grandes artistas vareiros.&lt;/div&gt;Edwiges é uma mulher profundamente apaixonada pela Arte em geral, mas com maior incidência na Música, que a fascina de maneira particular. &lt;br /&gt;Sente que a família a influenciou, ainda que inconscientemente.&lt;br /&gt;Como esteve sempre muito ligada a sua mãe, não pôde deixar de a recordar neste momento.&lt;br /&gt;D. Maria Amélia Dias Simões, ilustre vareira, que permanece&amp;nbsp;de tal modo&amp;nbsp;viva na memória de todos nós, que jamais esqueceremos a sua grande dedicação a Ovar.&lt;br /&gt;Ainda bem que fomos capazes de reconhecer todo o seu valor ainda em vida, fazendo-lhe uma festa de homenagem.&lt;br /&gt;A propósito deste facto, Edwiges diz-nos:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;– A festa de homenagem que fizeram a minha mãe foi uma festa muito importante, porque ela viu, apercebeu-se e sentiu quanto o povo de Ovar lhe queria. Se tivesse sido antes, não teria sido pior…&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Na sua infância, sua mãe e sua tia Emilinha falavam-lhe muitas vezes de seu avô.&lt;br /&gt;Foi um homem excepcionalmente inteligente, dado às artes e dotado de muitas faculdades.&lt;br /&gt;Fundou um colégio para crianças, o Colégio Júlio Dinis, chegando mesmo a fazer teatro com elas.&lt;br /&gt;A criança era o ponto fulcral de todas as suas ideias e objectivos. Edwiges terá herdado dele o gosto pela poesia, pela música e pelo teatro. Lembra-se de que, quando seu avô era evocado como um homem extremamente culto e inteligente, não acreditava muito nisso, pois pensava que seria exagero de sua mãe e de sua tia.&lt;br /&gt;Foi só por altura da festa de homenagem, no I Centenário do seu nascimento, que teve oportunidade de reconhecer todo o seu valor, através do Sr. Arada e Costa, que a levou à descoberta do avô, dando-lhe a conhecer toda a sua obra, mostrando-lhe manuscritos das suas poesias, os seus desenhos, muitos deles guardados ainda religiosamente por algumas famílias vareiras, a quem seu avô costumava normalmente ofertar as suas obras. Como exemplo, podemos citar uma obra ofertada à Sr.ª D. Rita Estêvão Arala e ao Sr. Dr. Pedro Virgolino.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;– Foi uma época da minha vida extremamente interessante e importante, em que me apaixonei verdadeiramente pela memória de meu avô. Reconheci, então, que ele era muito mais do que eu pensava!.&lt;/em&gt;..&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Uma vocação contrariada&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dos 7 aos 12 anos, Edwiges frequentou um colégio de freiras. Já aí se começaram a manifestar as suas tendências artísticas. As religiosas notavam a sua habilidade para o canto e para o teatro, incitando-a a continuar…&lt;br /&gt;Aos treze anos, foi para Leiria, onde ingressou num outro colégio, pelo facto de sua mãe aí leccionar Francês e Música.&lt;br /&gt;Com quinze anos, pediu a sua mãe para tirar o Curso do Conservatório.&lt;br /&gt;É aqui que surge o primeiro de muitos entraves que iriam impedir a sua carreira. Esta só poderia ser concretizada muito mais tarde, pois sua mãe não tinha possibilidades de pagar o seu curso…&lt;br /&gt;Como vê o seu sonho desfeito, pede para entrar para o Orfeão.&lt;br /&gt;O seu pedido é aceite, embora com um pouco de relutância…&lt;br /&gt;D. Amélia Dias Simões, apesar de conhecer suficientemente os dotes de sua filha para o canto, o teatro e a música, nunca lho fez notar. Foi Joaquim Calado, violoncelista, que a chamou à atenção, dizendo:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;– Já reparou na voz de sua filha?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;D. Amélia, muito simplesmente, dizia:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;– Já…&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;E nada mais acrescentava a esta interjeição. Como mulher simples que era, nunca quis evidenciar a filha, nem que esta disputasse papéis nas revistas.&lt;br /&gt;Possuía uma maneira muito própria de guardar o que só ela sentia.&lt;br /&gt;Mais tarde, um irmão daquele amigo da família, Álvaro Calado, tocando na revista&amp;nbsp;“Solar das Andorinhas”, convidou-a para cantar no grupo coral do Conservatório de Música do Porto.&lt;br /&gt;Grupo excepcional, do qual Edwiges guarda ainda muitas amizades. Tinha já nessa altura 21 anos.&lt;br /&gt;Foi integrada nesse grupo, que teve possibilidade de ir ao País de Gales, onde participou num festival anual, e onde conseguiram alcançar o 2.º lugar a nível mundial.&lt;br /&gt;Começou aqui a ganhar formas o seu sonho, recebendo aulas de canto da ilustre D. Stella da Cunha. Apesar deste sonho ter durado pouco, Edwiges reconhece algo:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;– Ao fazer uma retrospectiva, verifico que isto alicerçou o meu desejo de entrar no Conservatório.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Edwiges continuou a sua actividade, participando em vários espectáculos, acompanhada por grandes maestros como Resende Dias, Virgílio Pereira, e outros.&lt;br /&gt;Um dia, Virgílio Pereira, ao ouvi-la cantar, deu-lhe um conselho:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;– Faz as malas e vai para o estrangeiro, para que um dia eu possa ouvir falar de ti…&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Mas mais uma vez não foi possível dar corpo ao seu grande desejo de ser actriz.&lt;br /&gt;O tempo passou, até que vai para Angola.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;– Sim, estive em Angola… Esqueço os maus momentos desta minha passagem por terras africanas. Mas a felicidade que aí vivi junto dos meus verdadeiros amigos, como Jaime Mendes, jamais poderei esquecê-la. Foi Jaime Mendes quem orquestrou algumas músicas que cantei na Rádio Clube de Angola.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Regressa a Portugal em 1952/53, ingressando novamente no Orfeão e participando em mais peças.&lt;br /&gt;É então que surge a oportunidade de o Orfeão levar a Lisboa a revista “Aqui Ovar”, onde esta jovem actriz viveu momentos inesquecíveis.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;– Jamais poderei esquecer o entusiasmo e o calor sentidos nas palavras da ilustre actriz D. Palmira Bastos que, ao ir-me abraçar ao palco, me entusiasmou a continuar a fazer teatro.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Edwiges teve, nessa altura, vários convites. Jaime Mendes, Augusto Fraga e Palmira Bastos convidaram-na a fazer Rádio, Cinema e Teatro.&lt;br /&gt;Uma vez mais ficou em Ovar, onde nasceram os seus filhos.&lt;br /&gt;Muito mais tarde, recorre a uma amiga, que lhe dá aulas de canto, e actua, assim, no Ateneu Comercial do Porto.&lt;br /&gt;As suas actuações continuaram, chegando a ser convidada para ir ao S. Carlos, onde foi admitida de imediato.&lt;br /&gt;Mas não lhe foi possível aceitar tão honroso convite.&lt;br /&gt;Nessa altura, acaba por tirar o Curso Superior de Francês, e surge o emprego.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;– Sabia música, sabia cantar, mas uma coisa era certa. Não tinha o Curso do Conservatório.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Até que, em 1979, já com a certeza de tornar realidade aquilo que tanto desejava, diz a sua mãe:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;– Vou tirar o Curso do Conservatório!&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;– Tens coragem para isso?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;– Vamos ver…&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;E foi assim que, quase avó, iniciou o seu Curso no Conservatório.&lt;br /&gt;No livro da Academia ficou escrito a seu respeito:&lt;br /&gt;“Exemplo a seguir, pela dedicação à música”.&lt;br /&gt;É então que perguntámos:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;– Sente-se vaidosa por isso?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;– Não há ninguém que não seja vaidoso. O artista que não luta, que não sente vaidade da sua arte, não é artista. Pessoalmente, não sou vaidosa. Preocupo-me pouco com a minha pessoa.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Academia de Música para as crianças de Ovar&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Actualmente, Edwiges, quase com o seu Curso do Conservatório concluído, está a dar aulas de música na Murtosa, mas não se sente totalmente realizada ao exercer esta actividade.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;– Tenho ainda um grande desejo na vida… Morreria feliz se conseguisse que todas as crianças de Ovar pudessem aprender música; mas aprendessem mesmo…&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;A criança é o centro das minhas atenções. Elas têm, para mim, uma importância fundamental. Esse meu desejo é, nem mais nem menos, fundar uma Academia de Música em Ovar. Não posso aceitar que nesta terra ela ainda não exista”.&lt;br /&gt;Tudo seria fácil para que este seu desejo se concretizasse, se houvesse disponibilidade e preocupação por parte de quem de direito… Mas o emprego, a família, o estudo, tudo são obstáculos difíceis de transpor.&lt;br /&gt;Apesar de todas as dificuldades, Edwiges tem bastante confiança.&lt;br /&gt;–&lt;em&gt; Tenho confiança em Deus, e como tudo tem a sua hora própria, é possível que este meu sonho venha a ser realidade dentro de um curto espaço de tempo.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Algumas das últimas palavras de sua mãe marcaram-na, e dão-lhe força para continuar a lutar por este seu grande desejo.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;– Não desistas, porque és capaz de lá chegar!...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Estas palavras continuam a ecoar nos seus ouvidos e a dar-lhe coragem para prosseguir a carreira que foi impedida, ao longo da sua vida, por obstáculos que constantemente surgiam e a ultrapassavam.&lt;br /&gt;Uma esperança renasce para Edwiges, que vê sua filha quase a terminar o seu Curso de Ballet, o que a irá ajudar, sem dúvida, na concretização do seu grande sonho.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;– Sempre os músicos, os pintores, os escultores, foram marginalizados, mas é deles que o Mundo fala… Sendo assim, não me importaria nada de ficar nesta lista, desde que conseguisse pôr de pé, nesta terra de Ovar, a Academia de Música e Ballet.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O meu grito de esperança e alerta aqui fica! – Fundemos uma Academia em Ovar! Amparemos os jovens, e saibamos estender a mão amiga aos que se afundam nos convites a outras formas menos próprias de ocupar o tempo!....&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/TOHL9_qx3XI/AAAAAAAAB0M/NwuWeo56cCg/s1600/edwiges1.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="307" px="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/TOHL9_qx3XI/AAAAAAAAB0M/NwuWeo56cCg/s400/edwiges1.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O espírito reiseiro&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois deste desabafo, ao qual damos todo o nosso apoio, a nossa conversa prosseguiu com o objectivo de falarmos no tradicional Cantar dos Reis em Ovar.&lt;br /&gt;Edwiges trabalha nos Reis há 30 anos. Foi o cansaço de sua mãe que a levou a entrar nestas actividades. Inicialmente, começou apenas por ajudar, mas, a certa altura, viu-se a fazer poesia para as várias trupes que sua mãe tinha a seu cargo: Orfeão, Bombeiros, JOC, Ovarense.&lt;br /&gt;E foi um não mais acabar de actividades…&lt;br /&gt;Actualmente Edwiges tem a seu cargo as trupes da Ovarense e Orfeão.&lt;br /&gt;Sobre o cantar dos Reis, diz-nos:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;– Fazer poesia para as trupes dos Reis é um pouco difícil, pois o tema é sempre o mesmo, e não se pode fugir dele. Mas, com um pouco de criatividade, sempre se consegue…&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Inicialmente, a poesia era adaptada a músicas já conhecidas. Hoje vai-se muito para as músicas inéditas. Acho que é uma iniciativa valorosa, pois evidencia a capacidade criadora de cada um. No entanto, acho que peca pelos exageros…&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;A simplicidade neste tema “Reis” deve ser uma tónica a não perder. Importa, sobretudo, o espírito reiseiro, para que a mensagem que se leva a cada lar fique bem na mente de quem a ouve.&lt;br /&gt;Quanto aos instrumentos, devem permanecer os de corda. Meu avô revolucionou um pouco as Janeiras em Ovar. Inicialmente, estes grupos não tinham instrumental. Foi ele que, ao fundar a Trupe dos Velhos, lhe introduziu os violões.&lt;br /&gt;Uma trupe fica tanto mais bela quanto mais instrumentos de corda possuir.&lt;br /&gt;Quanto a trupes femininas, não são uma novidade desta época. Já em tempos idos, elas existiam.&lt;br /&gt;Recordo-me, ainda criança, da existência das “Noelistas”, trupe composta, na sua maioria, por senhoras. Não me recordo bem se na parte instrumental entrariam ou não homens.&lt;br /&gt;Mas deixemos os homens brilhar na noite de Reis, com os seus cantares. Esse brilho que manifestam é, muitas vezes, fruto de trabalho de mulheres… Sem elas, talvez os Reis tivessem menos brilho… Recordo, mais uma vez, minha mãe, que sempre lhes deu apoio, os entusiasmou, ensaiou e até guardava segredo do que cada um cantava…&lt;br /&gt;Havia uma pontinha de ciúme entre as diversas trupes que a minha mãe ensaiava, mas nunca ela manifestou maior ou menor carinho por esta ou aquela. Olhava-as a todas com a mesma ternura e a mesma vontade, para que brilhassem nessa noite divinal.&lt;br /&gt;Hoje, os tempos são outros, e isso já não se justifica. Vê-se mesmo que os elementos dos diferentes grupos fazem a sua análise, sabendo dar o verdadeiro valor a quem o tem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/TN4dA4Ll7YI/AAAAAAAAB0I/jTJPxjiNWpw/s1600/edwiges2.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" px="true" src="http://2.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/TN4dA4Ll7YI/AAAAAAAAB0I/jTJPxjiNWpw/s400/edwiges2.jpg" width="385" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Quase a terminar a análise e comentário a um passado não muito longínquo, não podemos deixar de referir a visita feita, há pouco tempo, por &lt;strong&gt;Edwiges, à América do Norte&lt;/strong&gt;, de onde regressou extremamente comovida, sensibilizada e feliz pela maneira como foi recebida.&lt;br /&gt;A maravilhosa &lt;strong&gt;cidade de Elisabeth&lt;/strong&gt;, onde residem tantos vareiros e com quem Edwiges esteve vários dias, deu-lhe luz verde para a gravação de um disco, a expensas da &lt;strong&gt;Filantrópica Ovarense&lt;/strong&gt; (na foto).&lt;br /&gt;Damos-lhe todo o nosso apoio e entusiasmo para esta gravação, que permitirá aos nossos vindouros reconhecerem o seu talento.&lt;br /&gt;Aguardemos, pois, e apoiemos em todos os seus sonhos esta artista, que, apesar de ter a nacionalidade brasileira, é legitimamente portuguesa e vareira.&lt;br /&gt;Ao longo de toda esta conversa, uma coisa concluímos com satisfação: – a dinastia Simões continuará, por certo, a reinar por muitos e muitos anos, pois já sua filha Alexandra cursa Ballet e seu filho Rogério cursa Arquitectura. Corre nas suas veias a predestinação para a Arte…&lt;br /&gt;Que orgulho para todos os vareiros!...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;Texto publicado no n.º 17 da revista “Reis” (1983)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;Edição da Trupe JOC/LOC&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2173951761233079456-3348860401223392662?l=revistareisovar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://revistareisovar.blogspot.com/feeds/3348860401223392662/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://revistareisovar.blogspot.com/2010/11/edwiges-helena.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2173951761233079456/posts/default/3348860401223392662'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2173951761233079456/posts/default/3348860401223392662'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://revistareisovar.blogspot.com/2010/11/edwiges-helena.html' title='Edwiges Helena'/><author><name>Fernando Pinto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18068174158604110968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/TOx4HvChKsI/AAAAAAAAB0k/svKRWrTYs5Q/s72-c/edwiges1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2173951761233079456.post-6586460315819295716</id><published>2010-09-18T04:44:00.000+01:00</published><updated>2011-05-17T18:51:20.797+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Revista REIS 2004'/><title type='text'>Redes e Artesãos [Furadouro]</title><content type='html'>&lt;span style="background-color: #990000; color: white; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;Revista &lt;em&gt;REIS&lt;/em&gt;/2004&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;Por&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;span style="color: black;"&gt;&lt;strong&gt;Maria Amélia Tavares &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/TJQ6c0oKKGI/AAAAAAAABvI/w8NHqxvenjk/s1600/01-pesca-foto-FMOP.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" qx="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/TJQ6c0oKKGI/AAAAAAAABvI/w8NHqxvenjk/s1600/01-pesca-foto-FMOP.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;A safra&lt;/strong&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;Portugal, devido ao recortado da costa, foi um país de pescadores, sendo a pesca costeira, em simultâneo com a agricultura, o principal ganha-pão das gentes do litoral.&lt;/div&gt;A Pesca do Arrasto, também conhecida por &lt;a href="http://olharovarense.blogspot.com/search/label/ARTE%20X%C3%81VEGA"&gt;&lt;strong&gt;Arte Xávega&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;, teve grande incremento na faixa costeira, desde Espinho a Pedrógão.&lt;br /&gt;No Furadouro, aquando do seu apogeu, chegaram a existir sete companhas, desta actividade primária nasceram múltiplas outras dela derivadas.&lt;br /&gt;Vamos dar especial relevo à manufactura e tratamento das redes, das quais depende, em grande escala, o sucesso das pescarias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: #990000; font-size: large;"&gt;OS REDEIROS&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: #990000; font-size: large;"&gt;Entre a azáfama do passado e o marasmo do presente&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao mestre redeiro era incumbida a tarefa de zelar pelas redes. Esta sabedoria, que exigia uma técnica muito especializada, era adquirida quase sempre na infância, ao sabor da mão paterna e protectora, quando o arrais das companhas incutia nos filhos, ainda em idade escolar, a arte e os saberes de fazer e tratar as redes, para além de uma fé inabalável, à mistura com alguma superstição. Naquela época, os adolescentes tinham já a sua tarefa a desempenhar, colaborando com a família nos trabalhos mais leves. Foi assim que alguns redeiros se iniciaram nesta arte e fizeram profissão disso quase até aos nossos dias.&lt;br /&gt;No Furadouro, a pesca era dominada por três grandes famílias que se cruzaram entre si pelo casamento: os MALDADES, os MARTELOS e os SUDEGAS. (As alcunhas eram um apanágio das gentes do mar).&lt;br /&gt;Os MALDADES, como arrais de mar. Em terra prevaleciam os MARTELOS e os SUDEGAS. Abordámos alguns redeiros oriundos destas duas últimas famílias.&lt;br /&gt;As mulheres desempenhavam um papel fundamental na feitura das redes, conseguindo exceder na produção, pela prática adquirida, os homens.&lt;br /&gt;﻿﻿Zeferino, hoje com 69 anos, iniciou-se nas lides aos catorze, e lembra: – Antes de irmos para a cama tínhamos que encher as 36 agulhas e deixá-las prontas no cesto para a minha mãe, às cinco da manhã, começar a trabalhar. Cheguei a ir com o meu pai na carroça do “Bolacha” a Esmoriz levar as mangas da rede para satisfazer uma encomenda. Em época de aperto trabalhava-se pela noite fora. A minha mãe chegou a fazer, em quinze dias, duas mangas. (Cada manga significa o comprimento de rede com cerca de 250 metros, desde a corda até ao início do saco). ﻿ &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;table cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/TJQ2oVzupRI/AAAAAAAABu4/3Ia9o8ETkSk/s1600/01-redeiro-martelo.jpg" imageanchor="1" style="cssfloat: left; margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="400" qx="true" src="http://2.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/TJQ2oVzupRI/AAAAAAAABu4/3Ia9o8ETkSk/s400/01-redeiro-martelo.jpg" width="300" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;António "Martelo" (Furadouro, Agosto de 2006)&lt;/strong&gt; &lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;﻿ Na época, custavam cerca de mil escudos. Eram encomendadas por várias empresas de Esmoriz e Cortegaça – os Sousa Marques, os Ramalhos, os Peniscas… – e seguiam para várias zonas piscatórias ao longo da costa, como a Vagueira, Mira, Vieira…&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Zeferino, hoje proprietário do restaurante “O Tasco”, no Furadouro, mostra muito orgulho e sabedoria, e diz: &lt;em&gt;– Agora algumas redes das companhas são feitas com menos cuidado, sem obedecerem aos pormenores e técnicas de outrora, o que também contribui para o insucesso da pesca costeira.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;﻿﻿O fio, tecido nas empresas de Cortegaça, era feito de linho, algodão ou sisal. Actualmente usa-se o nylon. Era despachado em madeixas formadas por seis fios, em fardos muito enleados. Alavam o fio mesmo nas ruas ou em dobadouras, para depois poderem encher as agulhas. Para determinar os tamanhos da malha, que variavam ao longo das peças, eram usadas umas bitolas de madeira a que chamavam muros. O instrumento de corte era uma navalha bem afiada. Na rede das companhas a medida da malha variava desde a maior, com cerca de 28 cm, até terminar no saco, com menos de 1 cm.&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;António Martelo, um dos arrais redeiros, hoje aposentado, iniciou-se também muito cedo, e um dos primeiros trabalhos que fez foi pregar as&lt;strong&gt; pandas&lt;/strong&gt;, isto é, as &lt;strong&gt;cortiças presas às redes servindo de bóias&lt;/strong&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Lembra a sua adolescência: &lt;em&gt;"– Fui com o meu pai para Paramos-Espinho, e só mais tarde para o Furadouro. Trabalhei também na mugiganga e na pesca da enguia".&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/TJlf2ypN0oI/AAAAAAAABvY/v0h9Y8uaLJs/s1600/Pesca-Furadouro-037.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" qx="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/TJlf2ypN0oI/AAAAAAAABvY/v0h9Y8uaLJs/s1600/Pesca-Furadouro-037.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;As pandas&amp;nbsp;(cortiças presas às redes servindo de bóias)&lt;/strong&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Aos dezoito anos foi para as traineiras para Matosinhos, onde continuou esta actividade, mas já com carácter mais empresarial. – Eu era o encarregado de terra. Tinha a meu cargo quarenta e tal homens, cinco por cada barco. O nosso trabalho era consertar e encascar as redes.&lt;br /&gt;No Furadouro, quando a faina da pesca estava no auge, foi grande a azáfama dos redeiros. A praia ficava pejada de redes que permaneciam a secar ao sol e ao vento, pousadas na areia ou suspensas em bordões, onde as crianças do Furadouro faziam os seus esconderijos e abrigos durante as brincadeiras. Lá bem ao sul, solitários e distantes permaneciam os palheirões, grandes armazéns onde na época do defeso, eram arrumados os apetrechos da pesca e as redes.&lt;br /&gt;﻿ &lt;br /&gt;&lt;table cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="float: right; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/TJgFumf6qgI/AAAAAAAABvQ/HWsdosQBcrM/s1600/redes-Furadouro.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" qx="true" src="http://3.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/TJgFumf6qgI/AAAAAAAABvQ/HWsdosQBcrM/s1600/redes-Furadouro.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Remendando as redes. Imagem da mãe e da irmã de Eurico e &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Zeferino Oliveira, homens ligados à faina piscatória do Furadouro&lt;/strong&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;﻿Eurico, irmão mais velho do Zeferino, foi também redeiro toda a vida. Serviu algumas vezes de protagonista nos postais ilustrados divulgados por estrangeiros pelo mundo fora. Recorda quantas vezes teve de se levantar de madrugada para consertar as redes, que tinham de estar prontas quando o barco largasse para o mar. Lembra também os caldeirões onde as redes eram encascadas com casca de salgueiro para as proteger, engrossando-as e tingindo-as na cor mais adequada para o peixe. Eram, depois, transportadas para a praia em bordões, ao ombro dos pescadores.&lt;br /&gt;Com o rodar dos tempos e o declínio da actividade da pesca, esta arte, que teve grande expressão e deu trabalho a muitas famílias, e que ainda hoje as gerações descendentes lembram com saudade e nostalgia, quer pelo convívio que estabeleciam entre as famílias quer pelas tarefas que os responsabilizavam mesmo enquanto crianças, está longe de ser aquilo que já foi.&lt;br /&gt;﻿﻿A falta de pesqueiros, as cotas impostas pela CEE e uma maior activação no turismo transformaram, definitivamente, a paisagem da nossa costa e o “modus vivendi” das nossas gentes.&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Outrora, o colorido e a vivacidade dos barcos, que partiam e chegavam ao som do ranger das cordas e do cadenciado dos remos, à mistura dos cantares de cariz religioso para afugentar os medos e servir de estímulo e coragem aos homens em momentos difíceis, as grandes lotas rodeadas pelos mercantéis e outros compradores, os pescadores com os seus pregões e dichotes, a canastra à cabeça das mulheres e aos ombros dos homens, e o estendal das redes a secar na praia, ao sol, são cenários que já pertencem ao passado.&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Alguns dos nossos redeiros dedicam-se hoje a outras actividades, nomeadamente à exploração de restaurantes, e assim se vão perdendo as raízes e os valores desta gente tão genuína, tão extrospectiva, que alia a fé com alguma superstição, à mistura com a crendice, e que em tempos idos foram o motor das suas vidas, impelindo-os para o mar com a bravura e tenacidade dos homens do Gama, pondo em risco, quantas vezes, a vida humana, em troca do pão de cada dia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Cá em terra ficavam todos aqueles que também na dureza da vida lutavam para que tudo desse certo. Naturalmente, aí estavam os redeiros.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;Texto publicado no n.º 38 da revista &lt;em&gt;REIS&lt;/em&gt;/2004&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;Edição da Trupe JOC/LOC&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: black; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Fotos do jornalista &lt;a href="http://olharovarense.blogspot.com/search/label/ARTE%20X%C3%81VEGA"&gt;Fernando Pinto&lt;/a&gt; (excepto a última)&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2173951761233079456-6586460315819295716?l=revistareisovar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://revistareisovar.blogspot.com/feeds/6586460315819295716/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://revistareisovar.blogspot.com/2010/09/redes-e-artesaos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2173951761233079456/posts/default/6586460315819295716'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2173951761233079456/posts/default/6586460315819295716'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://revistareisovar.blogspot.com/2010/09/redes-e-artesaos.html' title='Redes e Artesãos [Furadouro]'/><author><name>Fernando Pinto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18068174158604110968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/TJQ6c0oKKGI/AAAAAAAABvI/w8NHqxvenjk/s72-c/01-pesca-foto-FMOP.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2173951761233079456.post-4802072347915296656</id><published>2010-07-21T02:07:00.003+01:00</published><updated>2011-10-29T04:21:37.552+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Revista REIS 2005'/><title type='text'>Ovar: onde a cor tem berço - Das Ocas e Caulinos às Tintas e Vernizes em Ovar</title><content type='html'>&lt;em&gt;Por &lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;Manuel Pires Bastos&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Ovar mantém, desde os princípios do século XX, uma tradição persistente na laboração de produtos ligados à pintura civil – caulinos, ocas, tintas, vernizes e esmaltes. Muito antes das conhecidas tintas a óleo S. João da Firma Abreu, Silva &amp;amp;; Gomes, na década de 40, e da sua continuadora Ferreira &amp;amp; Marinho (1955), da Sital (1957), da sua sucessora Sika Portugal, e ainda da Isoltintas (1987), as duas últimas ainda em plena actividade, outras empresas houve que, utilizando moinhos de água ou de força motriz, se aventuraram na arte de produzir, primeiro tintas em pó (a partir de caulinos e ocres) e, posteriormente, tintas plásticas, esmaltes e vernizes.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Dyonísio de Araújo Passos – a primeira fábrica de Ocas em Portugal?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O Annuário Comercial de 1900 refere a existência, em Ovar, de um estabelecimento de Ocas, de Dyonísio de Araújo Passos, na Rua Visconde de Ovar.&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Informa-nos Vitória Leite Ventura, nascida em Ovar em 19/7/1929, que na Arruela, na antiga viela do Matos (depois Travessa Visconde de Ovar, e hoje Rua Manuel Maria de Matos), foi implantada por Dionísio Passos a 1.ª fábrica de Ocas (tintas de ocre) em Portugal, logo secundada por uma empresa de Leiria &lt;span style="color: #990000; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;(1)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;.&lt;/div&gt;A firma denominava-se Dionísio Passos, Sucessor (o que significa que já vinha de trás), e uma parte da fábrica estava situada na propriedade daquele industrial e outra em edifícios da família da citada informadora.&lt;br /&gt;Os moinhos eram movidos manualmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-DF1LAGJZOjI/Tqtv4G0T1hI/AAAAAAAACYI/Gy2ixx1qjDg/s1600/ocas-artigo.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" ida="true" src="http://4.bp.blogspot.com/-DF1LAGJZOjI/Tqtv4G0T1hI/AAAAAAAACYI/Gy2ixx1qjDg/s1600/ocas-artigo.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Restos da Fábrica de Dyonísio de Araújo Passos, na Rua Manuel Maria de Matos (Poça), &lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;que &lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;terá&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;sido, segundo a tradição local, a primeira fábrica de Ocas e Caulinos criada em Portugal&lt;/strong&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Faria &amp;amp; Dias Lda&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Por falecimento de Dyonísio de Araújo Passos, a fábrica passou para nova sociedade, fundada por escritura de 25/7/1932 &lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000; font-size: x-small;"&gt;(2)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, destinada “ao fabrico de tintas e respectivo comércio, bem como qualquer outro ramo deliberado por acordo dos sócios”. Estes eram Casimiro Gomes de Faria (cota de 3000$00) &lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000; font-size: x-small;"&gt;(3)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, Augusto Dias e António Marques (15000$00 cada um). Em 13/12/1935 passou a ter apenas os dois primeiros.&lt;br /&gt;A força motriz era produzida com um gerador a carvão de pedra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Armando Pereira Lda&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Em 27/4/1945, a firma anterior passou para Armando Pereira, do Porto (gerente, com cota de 149000$00) e Francisco Costa (1000$00), sendo, nesta altura, comprado o primeiro motor para a fábrica.&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Segundo D. Vitória, o Armando chegou a ter sociedade com o Faria, inventando o carbonil, um produto novo para a conservação da madeira.&lt;/div&gt;Tendo a família Ventura posto e vencido uma acção de despejo contra o Lajes e o Armando Pereira (por lhe ocuparem novos espaços e por pagarem uma renda insignificante) &lt;span style="color: #990000; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;(4)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;, a firma teve que abandonar as instalações e mudar para o lugar do Brejo, ocupando um espaço novo, mas limitado, continuando a produzir, como até aí, tintas em pó, a partir de barros, mas já a electricidade.&lt;br /&gt;Numa placa da nova fábrica do Brejo constava o nome Armando Pereira, Lda &lt;span style="color: #990000; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;(5)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;SITAL – Sociedade Industrial de Tintas e Anticorrosivos, Lda&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Por escritura de 29 de Agosto de 1957 &lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000; font-size: x-small;"&gt;(6)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, foi constituída a firma SITAL, “com sede e instalações fabris no lugar do Brejo, freguesia de Ovar, e escritório na Rua de Entreparedes, 62, 1.º, Porto”, que viria a adquirir a fábrica de Armando Pereira, com o respectivo Alvará &lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000; font-size: x-small;"&gt;(7)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, em 1959, para “o fabrico de tintas, vernizes, gessos, hidrófugos, adjuvantes para cimentos e materiais de construção e ainda quaisquer outros deliberados em assembleia geral dos sócios”. &lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;O capital era, de acordo com a lei, 55% português e 45% suíço.&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/TFOBDfix-gI/AAAAAAAABrk/Edpgd1lfic4/s1600/sital1.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" bx="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/TFOBDfix-gI/AAAAAAAABrk/Edpgd1lfic4/s1600/sital1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;A antiga entrada da firma de Armando Pereira que ainda se mantém na actualidade nas traseiras das actuais instalações&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Surgiu, então, um complexo moderno, dirigido, do Porto, por Walter Tschopp, obrigando à compra de novos terrenos e de moderna maquinaria &lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000; font-size: x-small;"&gt;(8)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/TFN-yAUDyII/AAAAAAAABrc/WgPxZcD1l98/s1600/sital1.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" bx="true" height="439" src="http://1.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/TFN-yAUDyII/AAAAAAAABrc/WgPxZcD1l98/s640/sital1.jpg" width="640" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Carregando os bidões de tinta na SITAL&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Em 1963 parte do capital da SITAL é cedido ao Grupo Lechler Chemie, de Estugarda, Alemanha, e a SITAL faz um contrato, sob licença, com a firma suíça Meynadier &amp;amp; C.ie, para fabrico da mesma gama de aditivos para betão e argamassas de cimento, contrato rescindido em 1986.&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/TFN95q0aqJI/AAAAAAAABrU/bKOwtukjTkQ/s1600/cabora-bassa.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" bx="true" height="432" src="http://2.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/TFN95q0aqJI/AAAAAAAABrU/bKOwtukjTkQ/s640/cabora-bassa.jpg" width="640" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Para a Barragem de Cabora Bassa (Moçambique), sairam da SITAL, em Ovar, grandes carregamentos de tintas, &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;que seguiam de barco e até de avião (em casos de urgência)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Da SITAL do Porto veio o primeiro encarregado, António Graça &lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000; font-size: x-small;"&gt;(9)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, que teve como sucessores António Lacerda e António dos Santos Almeida (de 1966 a 1974), fundador em 1987, da Isoltintas. (Ver adiante).&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;SIKA Indústria Química, S. A.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Em 1990 é alterado o regime jurídico da SITAL, que se torna sociedade anónima, passando a fazer parte do Grupo Internacional &lt;a href="http://www.sika.pt/"&gt;&lt;strong&gt;SIKA&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt; (fundado em 1910 na Suiça), e continuando a fabricação de tintas, aditivos para betão, argamassas e mástiques &lt;span style="color: #990000; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;(10)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;strong&gt;Godinho &amp;amp; C.ª &lt;span style="color: #990000; font-size: x-small;"&gt;(11)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Comerciante de azeites, com loja no antigo High Life (actual Mercado), frente à sua residência, António Sousa Godinho, em sociedade com a esposa e o filho David Martins Godinho, montou uma fábrica de tintas em pó junto ao pequeno largo da Rua do Sobreiro (Rua Camilo Castelo Branco), tendo como encarregado Manuel Lourenço da Silva (“Latas”) &lt;span style="color: #990000; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;(12)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;, responsável pelo motor a carvão. (Passou, mais tarde, a electricidade).&lt;br /&gt;Muito do barro e caulino era moído nos moinhos de água das Luzes, propriedade da firma, depois de partido, a martelo, por empregados seus. Outro era preparado em outros moinhos de água e electricidade.&lt;br /&gt;Em 1944, a firma convivia com outras duas, Faria Dias Lda e Abreu Silva &amp;amp; Gomes, e em 1948 com Abreu Silva &amp;amp; Gomes, Armando Pereira, Lda e Fábrica de Ocas e Caulinos, Lda (Anuário Comercial).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Azevedo, Cardoso &amp;amp; Santos&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Empresa formada depois de 1948, a partir da compra de Godinho &amp;amp; C.ª (fábrica, e moinhos das Luzes).&lt;br /&gt;Após a saída do Cardoso, ficaram os outros sócios, até que, com o abandono do Santos, restou o Azevedo, mantendo-se o nome da firma &lt;span style="color: #990000; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;(13)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;O produto final era acondicionado em barricas, destinadas, sobretudo, às colónias portuguesas.&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Nos últimos tempos de actividade o encarregado era José Gomes de Pinho (Pardal), que se despediu, ficando apenas o empregado Manuel Santiago até ao fecho da empresa &lt;span style="color: #990000; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;(14)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;strong&gt;Abreu &amp;amp; Silva &lt;span style="color: #990000; font-size: x-small;"&gt;(15)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;Fábrica de caulinos e tintas em pó, nascida em 1935 na Rua das Luzes (actual Rua Dr. João Semana), por iniciativa de António Augusto de Abreu, natural do Porto, cidadão influente, a quem se deve a introdução do Escutismo em Ovar &lt;span style="color: #990000; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;(16)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;O sócio Silva, que residia nas Ribas, trouxe da América, onde fora emigrante, conhecimentos do ofício.&lt;br /&gt;As instalações eram rudimentares, “caracterizadas pelo seu motor, a vento, de tirar água, cujas palhetas nos eram tão familiares”, segundo uma crónica de jornal &lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000; font-size: x-small;"&gt;(17)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;strong&gt;Abreu, Silva &amp;amp; Gomes&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Com a entrada de um novo sócio, Manuel de Oliveira Gomes (Ravásio) &lt;span style="color: #990000; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;(18)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;, com loja no início da Rua Camilo Castelo Branco, a firma passou a ter nova denominação e maior desenvolvimento, aconselhando a criar, de raiz, um espaço mais adequado, o que aconteceu com a compra de terrenos na Rua de S. João, onde foram levantadas instalações amplas e bem estruturadas, aptas a produzir vernizes, secantes e esmaltes, além das tradicionais tintas em pó.&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/TEeVyQEeCSI/AAAAAAAABqc/seg_jre7s8g/s1600/Fabrica-tintas-SJOAO.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="309" hw="true" src="http://1.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/TEeVyQEeCSI/AAAAAAAABqc/seg_jre7s8g/s640/Fabrica-tintas-SJOAO.jpg" width="640" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Foram famosas as tintas e os esmaltes Beira-Mar, que dali saíam para todo o país, ilhas e colónias, em latas com rótulos atraentes.&lt;/div&gt;A fábrica ocupava 10000 m2, com diversas secções bem dimensionadas. Em 1951, tinha “a capacidade produtiva de 10000 kg semanais de tinta em pó, e de 70000 kg semanais de tinta esmalte e outras para construção civil e naval, utilizando a técnica da indústria química alemã &lt;span style="color: #990000; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;(19)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;. Fechou em 1957, por não aguentar a pressão dos credores, particularmente Alberto Sousa, do Porto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Uma Empresa de 3 sócios&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Luís Costa Amador, José Maria da Silva Miranda e José Pereira da Silva (Cacêna) foram sócios de uma empresa de caulinos e tintas, talvez substituindo a firma anterior, acabando, ao fim de alguns anos, por abrir falência &lt;span style="color: #990000; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;(20)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;strong&gt;Ferreira &amp;amp; Marinho, Lda&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/TEeXczCwO2I/AAAAAAAABqk/HYpfzCDOUYA/s1600/bel-ovar.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; cssfloat: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" hw="true" src="http://1.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/TEeXczCwO2I/AAAAAAAABqk/HYpfzCDOUYA/s320/bel-ovar.jpg" width="178" /&gt;&lt;/a&gt;Por 1957, Armando Ferreira da Costa e Edmundo Marinho Costa, aproveitando as instalações da Abreu, Silva &amp;amp; Gomes, criaram a firma Ferreira &amp;amp; Marinho Lda, Fábrica de Tintas, Vernizes e Produtos Químicos, produzindo as famosas tintas S. João e a nova tinta Bel-Plast &lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000; font-size: x-small;"&gt;(21)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, a que se seguiu a Valpamur (fixa, sem gelatina).&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;De tal modo as tintas S. João se expandiram, que se tornaram concorrentes de outra marca de renome, a Esfinge, tendo as duas firmas decidido associar-se, em 1946, criando a REO, Fábrica de Tintas Reunidas, Lda, com sede e instalação fabril na Rua Rodrigues de Freitas, 302, Vila Nova de Gaia” &lt;span style="color: #990000; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;(22)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;, e com um depósito em Ovar, na Travessa do Passo &lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000; font-size: x-small;"&gt;(23)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;. &lt;br /&gt;As instalações das Tintas S. João, que ficaram vagas, foram, entretanto, adquiridas pela firma Borges, que ali criou a NOVECO (Construções) e que, mais tarde, após o fecho desta empresa, alugou os seus espaços a diversos comerciantes e pequenos industriais &lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000; font-size: x-small;"&gt;(24)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fábrica de Ocas e Caulinos, Lda&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Em 24/1/1946, no notário Dr. António Santiago, de Ovar, foi feita Escritura de Instituição de sociedade entre José Maria da Silva Miranda, Manuel da Silva Ferreira, Carlos de Sousa Nunes da Silva, Joaquim Moreira Póvoas, António Moreira Póvoas e Francisco Brandão dos Santos, com sede provisória na Praça da República, 50, Ovar (loja do Miranda), tendo por objecto a indústria e comércio de tintas e corantes com início em 1/1/1946 &lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000; font-size: x-small;"&gt;(25)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;Em Maio do mesmo ano, a firma pediu licença “para instalar uma moagem de barros, barita, terras corantes, caulino (tintas em pó) na Estrada Nova de S. João” (junto à antiga Rabor), incluída na 2.ª classe, confrontando a norte, sul e poente com Paulino de Andrade, José Cacêno e herdeiros do Dr. Paulo, e a nascente com a Estrada Nacional (Edital de 23/5/1946) &lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000; font-size: x-small;"&gt;(26)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;Caindo a firma em situação de falência, o terreno foi comprado pelo médico Dr. Arlindo Marques Leal, de Cucujães, que possuía uma oficina de carroçarias nessa vila, e que, na expectativa de produzir carruagens para os comboios, optou por vir para Ovar. Como não lhe foi possível adquirir mais espaço junto à Rabor, decidiu vender o seu terreno aos irmãos Ramires (1947/1948) &lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000; font-size: x-small;"&gt;(27)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; e comprar um terreno mais amplo na Pardala, onde construiu a fábrica de montagem de automóveis Dalfa &lt;span style="color: #990000; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;(28)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;. &lt;/span&gt;(Alberto Ramires, ao instalar, no espaço que adquiriu, o estaleiro das suas pistas de feira, ainda encontrou objectos e produtos da antiga fábrica de Ocas. Posteriormente cedeu o terreno à Rabor, fundando a empresa de plásticos Fapral).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;strong&gt;Isoltintas Fábrica de Tintas, Lda&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/TFN79Ikw5LI/AAAAAAAABrM/OOSZJn2UhDE/s1600/ANTONIO-ALMEIDA1.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; cssfloat: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" bx="true" height="200" src="http://2.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/TFN79Ikw5LI/AAAAAAAABrM/OOSZJn2UhDE/s200/ANTONIO-ALMEIDA1.jpg" width="150" /&gt;&lt;/a&gt;Fundada em 26/1/1987 na Estrada de Carvalho, Válega, em Ovar, por António dos Santos Almeida (na foto), que fora afinador de tintas (1964) e encarregado geral (de 1966 a 1974) da SITAL &lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000; font-size: x-small;"&gt;(29)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, e que em 1977 começou com pequeníssimas instalações, sendo, simultaneamente, representante da SITAL, aplicador (de materiais) e impermeabilizador.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Hoje, a Isoltintas, com amplas instalações, fornece a construção civil e a indústria com tintas, aditivos, primários, betuminosos, vernizes e argamassas, no continente e ilhas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pinho &amp;amp; Cruz Lda&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Empresa de moagem de pedra calcária e caulinos fundada em 1945/46 por António Armando de Pinho (Poeira) &lt;span style="color: #990000; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;(30)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; e Mário Cruz (da Salgueira) &lt;span style="color: #990000; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;(31)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;. Situava-se na Travessa Licínio de Carvalho (Bajunco e Madria), a poente da linha férrea, onde produziam, a partir de pedra calcária, gesso cré (para betumes vidreiros, tintas e colas para alcatifa) e alguns caulinos (destinados à goma para colar sacos).&lt;br /&gt;Neste período trabalhavam ali o filho Armando Abrantes de Pinho e cerca de meia dúzia de empregados, cuja principal tarefa era partir a pedra destinada aos moinhos eléctricos.&lt;br /&gt;A introdução de um britador mecânico coincidiu com a remodelação da fábrica.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/TEeY1weVuhI/AAAAAAAABqs/jofNxwnDzw8/s1600/fabrica-de-pinho-e-cruz.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" hw="true" src="http://2.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/TEeY1weVuhI/AAAAAAAABqs/jofNxwnDzw8/s1600/fabrica-de-pinho-e-cruz.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Ruínas da antiga fábrica de Pinho e Cruz, Lda, e, posteriormente, &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;de Armando de Pinho (Tintas Ria-Sol)&lt;/strong&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;strong&gt;Armando de Pinho - Tintas Ria-Sol&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Fábrica de tintas em pó, caulinos e outros corantes, nas instalações anteriores (Madria, Ovar) &lt;span style="color: #990000; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;(32)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;, criada cerca de 1958, após a saída de Mário Cruz, que se estabeleceu por conta própria (ver adiante). Ali continuou a trabalhar o filho Armando &lt;span style="color: #990000; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;(33)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; com alguns empregados (António Capela, António Pirolito, Ala, o “Manquinho”, etc.) &lt;span style="color: #990000; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;(34)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;strong&gt;Mário Cruz – Fábricas de Tinta em pó&lt;/strong&gt; &lt;span style="color: #990000; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;(35)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Antigo maquinista (fogueiro) da firma Godinho &amp;amp; C.ª, e sócio da Pinho &amp;amp; Cruz, Lda., passou, depois (cerca de 1958/60), a produtor independente, com duas rodas de moinho (a electricidade) dentro de um pequeno edifício que adaptou no lugar do Temido (por trás das oficinas da CP), intitulando-se “industrial de mim mesmo”. Utilizava pedra calcária (para produzir pó de gesso-cré) e caulino (para colas de papel, que vendia sobretudo em Paços de Brandão). Montou uma fábrica em Paçô, Válega, perto da loja do Reis, que fornecia outras fábricas, e que depois foi continuada por Tábuas &amp;amp; Leite, Lda (caulinos, gesso, tijolo moído). Após a sua morte, a fábrica do Temido foi comprada por um Borges, servindo de armazém de máquinas de jogo.&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #444444; font-size: large;"&gt;&lt;em&gt;Moinhos de caulinos e gessos&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;strong&gt;Moinhos do “Frazão”&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Moinho de levada, de 4 mós, para moer farinha, com assento no rio Lajes, no lugar do Temido. José Maria Onofre transformou-o em fábrica de caulinos, ainda funcionando como tal em 1923 &lt;span style="color: #990000; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;(36)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Sucedeu-lhe seu filho Augusto Onofre, antigo empregado dos Bonifácios (e, como tal, fiscal das obras do Cine-Teatro), que emigrou para o Brasil.Moíam para outras fábricas, incluindo a Godinho e C.ª.&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Os barros eram secos ao sol, numa eira próxima (comprada ao Frazão, com o resto do terreno, por Mário Miranda). Um filho do Frazão &lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000; font-size: x-small;"&gt;(37)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, residente no Brasil, vendeu o moinho, por escritura de 1930, a Salviano Pereira Soares &lt;span style="color: #990000; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;(38)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;, voltando a moer farinha, negócio continuado pelos seus descendentes.&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;strong&gt;Moinho das Luzes&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Dos sete moinhos existentes, há 50 anos, na levada das Luzes – “extraordinária obra de engenharia hidráulica” &lt;span style="color: #990000; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;(39)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; –, cinco (os amarelos) eram da Godinho &amp;amp; C.ª e dos seus continuadores &lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000; font-size: x-small;"&gt;(40)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Ali moeram caulinos, entre outros, o Arnaldo do Estevão &lt;span style="color: #990000; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;(41)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;, o Ti Manuelzinho “do barro” e o Salgueiro (de Válega).&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;As pedras eram secas ao sol, sobre zincos.&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;strong&gt;Moinhos do Dr. Huet&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Moeu caulinos (2 rodas) e cereal (1 roda) neste moinho do Rio das Lajes (actuais instalações dos Escuteiros), próximo da estação dos caminhos-de-ferro, durante muitos anos, João Maria da Costa Resende, com a ajuda da mulher e dos filhos &lt;span style="color: #990000; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;(42)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;, que partiam o barro. O pó era vendido ao José Miranda, residente em S. João, mas com loja na Praça. O João Maria era perito em arranjo de relógios e máquinas de costura.&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;strong&gt;Moinho do Sobral (Moledo)&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Ângelo Ruído moeu, durante muitos anos, em moinho movido a electricidade, pedras de brancoliz para Godinho &amp;amp; C.ª e para Azevedo Cardoso &amp;amp; Santos, que lhas levavam de camioneta e lhe pagavam x por tonelada. &lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;span style="color: #990000; font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;NOTAS:&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;(1)&lt;/span&gt; Talvez trate da “Fábrica de Terras Corantes de Leiria” onde, antes de vir para Ovar, trabalhou um Cardoso, da firma Azevedo, Cardoso &amp;amp; Santos (ver adiante).&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;(2)&lt;/span&gt; Escritura publicada no “João Semana” de 31/5/1945.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;(3)&lt;/span&gt; O Faria residiu na Rua Visconde de Ovar, 126, casa que, tal como a fábrica, era da Família Ventura.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;(4)&lt;/span&gt; O julgamento sumário teve lugar nas instalações da Travessa Visconde de Ovar, “com o escrivão Carregã a escrever à máquina” (informação de João da Silva Costa).&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;(5)&lt;/span&gt; Informação de Manuel Valente (da Hermínia), da Rua Ferreira Meneres, que foi ali empregado durante um ano e meio, “a partir barro”, ficando, depois, ao serviço da SITAL.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;(6)&lt;/span&gt; Publicada no Diário do Governo n.º 219, III Série, de 19/8/1957 e “Notícias de Ovar” de 19/8/1957.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;(7)&lt;/span&gt; Alvará n.º 51315 certificado pela 1.ª Circunscrição Industrial do Porto em 10/4/1961.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;(8)&lt;/span&gt; Foram enterradas nos alicerces da nova fábrica diversas pedras da antiga, e a sua maquinaria terá ido para a fábrica de Pinho &amp;amp; Cruz (ver adiante). Foram introduzidos em 1965 moinhos de cuba, com esferas de vidro para moer esmaltes (informação de Manuel Valente). Foram sócios Correia da Silva (Porto) e Lobão (pai do actual responsável João Lobão).&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;(9)&lt;/span&gt; Passou para a SITAL onde esteve dois anos, emigrando, depois, para o Brasil.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;(10)&lt;/span&gt; Em 1985 a Lechler Chemie adquiriu a maioria do capital social da SITAL e foi vendida à multinacional SIKA Finanz AG.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;(11)&lt;/span&gt; Godinho &amp;amp; C.ª Fábrica a vapor de tintas em pó (“Tradição”, V. da Feira, 1930/1940). A firma era irregular, segundo nos afiança Augusto Gomes dos Santos, sócio da empresa que lhe sucedeu. O espaço tinha sido ocupado por uma olaria.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;(12)&lt;/span&gt; O apelido “Latas” veio-lhe da anterior profissão do latoeiro.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;(13)&lt;/span&gt; O António Cardoso era de Leiria, onde trabalhava na Fábrica de Terras Corantes de Leiria. O Azevedo, natural do Porto, e ali escriturário na delegação da Fábrica de Leiria, chegou a residir em Ovar. Augusto Gomes dos Santos prosseguiu o negócio de fabricação de tintas em Arcozelo (V. N. de Gaia), em nome próprio, levando consigo o encarregado João Rodrigues Conde. Dedicado cultura popular, viria a ser presidente da Federação Portuguesa de Folclore.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;(14)&lt;/span&gt; O Alvará terá saído de Ovar, e o prédio foi vendido, com os moinhos das Luzes, a António Godinho Valente (Parreira), emigrante em França.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;(15)&lt;/span&gt; Abreu &amp;amp; Silva Almagres, ocres, sombras (Tradição, V. da Feira, 1939/1940).&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;(16)&lt;/span&gt; Cf. Bastos, Manuel Pires, “73 Anos de Escutismo em Ovar”, em Dunas, n.º 4, Novembro de 2004).&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;(17)&lt;/span&gt; “Coisas da Nossa Terra – A Fábrica de Tintas e Vernizes”, em “Notícias de Ovar”, 6/9/1951.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;(18)&lt;/span&gt; Natural de freguesia próxima, e falecido em Braga, em casa de uma filha professora.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;(19)&lt;/span&gt; “Notícias de Ovar”, 11/11/1948 e 15/9/1949.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;(20)&lt;/span&gt; Informações de José Maria Fernandes da Graça.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;(21)&lt;/span&gt; Tinta Bel-Plast: - Ferreira &amp;amp; Marinho, Lda, um produto S. João (anúncio no Boletim GAV, n.º 1, Agosto de 1958). Tintas “S. João”, anúncio no Guia Turístico Comercial e Industrial de Ovar”, 1959.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;(22)&lt;/span&gt; “Notícias de Ovar”, 17/12/1946.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;(23)&lt;/span&gt; Revista “Reis”, 1967.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;(24)&lt;/span&gt; “Uma novidade por semana”, em “Notícias de Ovar”, 17/12/1964.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;(25)&lt;/span&gt; Fábrica de Ocas &amp;amp; Caulinos, Lda, escritura publicada no “João Semana” de 14/2/1946.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;(26)&lt;/span&gt; “João Semana” de 6/6/1946.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/TEehoqfAwNI/AAAAAAAABq8/AhwoVoRSL0c/s1600/tintas-SJoao1.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; cssfloat: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;&lt;img border="0" height="320" hw="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/TEehoqfAwNI/AAAAAAAABq8/AhwoVoRSL0c/s320/tintas-SJoao1.jpg" width="200" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;(27)&lt;/span&gt; Revista “Reis”, 1985, “Alberto Ramires – Do Poço da Morte à Alta Indústria”.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;(28)&lt;/span&gt; Depois cedida a Tasso de Sousa para montagem dos carros Sunbean e, depois, Mazda.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;(29)&lt;/span&gt; Vítima dos saneamentos políticos de 1974, estabeleceu-se, em 26/11/1977, com a firma A. Almeida, Lda, e com agência da SITAL. Nascido em Santa Marinha de Gaia, em 18/1/1940, casou em Valbom com Maria América Moreira, daí natural.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;(30)&lt;/span&gt; Natural de Ovar. Antigo empregado da Godinho &amp;amp; C.ª, casado com Zulmira Rodrigues Abrantes da Costa, também de Ovar, residente na Rua Ferreira Meneres.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;(31)&lt;/span&gt; Natural de Ovar, residindo na Rua Ferreira Meneres.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;(32)&lt;/span&gt; No Annuário Comercial de 1961 aparece como Fábrica de António Armando de Pinho, sendo a única referida como tal. (Jaime Bernardes Silva, também citado, deve ser apenas comerciante de Ocas).&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;(33)&lt;/span&gt; Trabalhou na fábrica mais de 30 anos, servindo as duas firmas.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;(34)&lt;/span&gt; Em 1967, a revista Reis ainda traz um anúncio desta firma, referindo a venda de gesso- cré nacional e gesso-cré superior por A. Armando de Pinho, Madria, Ovar&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;(35)&lt;/span&gt; Anúncio no Guia Turístico Comercial e Industrial de Ovar 1959.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;(36)&lt;/span&gt; Informação de Mário Miranda, que ali viveu desde criança.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;(37)&lt;/span&gt; Filhos do Frazão velho: João Luís (armazenista de azeite na Rua Alexandre Herculano, actual garagem do Paciência) e, no Brasil, uma filha, mãe de Mário Frazão.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;(38)&lt;/span&gt; Casado com Maria Ferreira Nunes (Marquinhas da Fargola), que vive no moinho.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;(39)&lt;/span&gt; Manuel Pires Bastos e João da Silva Costa, “Caminhos da Farinha Passam por Ovar”, revista Reis, n.º 29, 1995.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;(40)&lt;/span&gt; Os dois últimos, o dos Bonifácios (o mais a poente, mais tarde demolido) e o das Silveiras (o seguinte, que passou, com a quinta anexa, para os Almeidas dos vinhos) apenas moíam farinha.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;(41)&lt;/span&gt; Vivia no Moinho mais a nascente, com o seu burro. Passou, depois, a moer casca.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;(42)&lt;/span&gt; Era casado com Olívia Marques Resende. Filhos: Domingos, Maria (Rua Camilo Castelo Branco); Glória (falec. em Ovar), Venceslina (falec. no Brasil), Anselmo (músico e escuteiro, falec. na América).&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;Texto publicado no n.º 39 da revista “Reis” (2005)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;Edição da Trupe JOC/LOC&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2173951761233079456-4802072347915296656?l=revistareisovar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://revistareisovar.blogspot.com/feeds/4802072347915296656/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://revistareisovar.blogspot.com/2010/07/das-ocas-e-caulinos-as-tintas-e.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2173951761233079456/posts/default/4802072347915296656'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2173951761233079456/posts/default/4802072347915296656'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://revistareisovar.blogspot.com/2010/07/das-ocas-e-caulinos-as-tintas-e.html' title='Ovar: onde a cor tem berço - Das Ocas e Caulinos às Tintas e Vernizes em Ovar'/><author><name>Fernando Pinto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18068174158604110968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-DF1LAGJZOjI/Tqtv4G0T1hI/AAAAAAAACYI/Gy2ixx1qjDg/s72-c/ocas-artigo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2173951761233079456.post-2843597896511470558</id><published>2010-07-21T01:10:00.000+01:00</published><updated>2011-01-08T00:49:58.064Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Revista REIS 2004'/><title type='text'>Recordando o Café Paraíso</title><content type='html'>&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;em&gt;Por &lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;José de Oliveira Neves&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Os cafés serviram, através dos tempos, como ponto de encontro entre pessoas das mais diversas categorias sociais. Alguns tornaram-se famosos pelas suas tertúlias, frequentadas pelos grandes vultos das artes, das letras e da política. São muito conhecidos em Lisboa o “Nicola”, ligado à actividade literária de Bocage, e o “Martinho d’Arcada” à obra de Fernando Pessoa. No Porto, o café “Águia d’Ouro” anda ligado às figuras de Camilo, Arnaldo Gama e de muitos outros escritores e artistas do séc. XIX.&lt;/div&gt;O Dr. Alberto Sousa Lamy refere, na sua “Monografia de Ovar” (Vol. 2), que em 1959 Ovar tinha oito cafés, e menciona nesse número o “&lt;a href="http://artigosjornaljoaosemana.blogspot.com/2010/07/o-primeiro-cafe-em-ovar.html"&gt;&lt;strong&gt;Café Paraíso&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;”.&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;É dele que vou avivar algumas recordações.&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/TEY9yb97uPI/AAAAAAAABo0/uSxvx4vT8eU/s1600/cafe-paraiso1.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" hw="true" src="http://1.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/TEY9yb97uPI/AAAAAAAABo0/uSxvx4vT8eU/s1600/cafe-paraiso1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Interior do 2.º Café Paraíso, com o proprietário Eduardo Sousa ao balcão, &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;onde estão expostos&amp;nbsp;três frascos de rebuçados&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Fundado em 30 de Julho de 1933, na Rua Dr. Manuel Arala, na casa onde hoje se encontra a Relojoaria Ovarense, mudou-se em Janeiro de 1937, para a Praça da República, fazendo esquina com a Rua Júlio Dinis, e encerrou as suas portas em 1979, para dar lugar a um Banco.&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Nos anos 30 e até finais de 60 foi um café frequentado pela melhor sociedade da nossa terra, visto que ali se encontrava quase todas as noites, nas horas de ócio, como se de uma tertúlia se tratasse, gente ligada ao comércio, à medicina, à religião, à política, etc.&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Entre os mais conhecidos frequentadores daquele local destacamos os médicos doutores Esperança e Nunes da Silva, Padres António Sanfins, Torres e Travessa, o ourives Afonso Carvalho, o Dentista Taveira, e os cidadãos Fernando Carrelhas, Matos, Muge, Firmino Carvalho, Nunes Branco, José Ramos, etc.&lt;/div&gt;Sentados em cadeiras de verga existentes ao fundo da sala, lá iam abordando, em longas cavaqueiras, os mais diversos temas da época, intercalando as conversas com partidas de dominó, que jogavam em cima das mesas onde lhes era servido o café.&lt;br /&gt;Quero aqui sublinhar que o café servido nesta casa era o que havia de melhor em Ovar naquele tempo, segundo a opinião dos bons apreciadores desta bebida. As pessoas interrogavam-se sobre qual seria o segredo do senhor Eduardo Sousa, proprietário do estabelecimento, chegando a dizer que lhe punha sal; mas o verdadeiro segredo para confeccionar o precioso líquido estava na qualidade dos lotes, que ele comprava na “Brasileira” do Porto, e na sua feitura em saco, pois nunca utilizou a máquina para esse fim.&lt;br /&gt;No “Café Paraíso” realizaram-se alguns espectáculos musicais, com artistas portugueses e estrangeiros, especialmente espanhóis, que chegaram a instalar-se em Ovar para ali actuarem durante vários dias.&lt;br /&gt;Estavam muito em voga naquela época os cafés-concerto, e o “Café Paraíso”, em Ovar, também seguiu essa moda em determinado tempo.&lt;br /&gt;Num palco improvisado ao fundo, do lado da Rua Júlio Dinis, os artistas, virados para o público frequentador do estabelecimento, tocavam e cantavam para ele.&lt;br /&gt;Havia ainda, do outro lado, uma mesa de bilhar que era o entretenimento dos mais jovens.&lt;br /&gt;O “Café Paraíso” funcionava igualmente como posto de Correio, pois tinha uma venda de selos autorizada pelos CTT e um telefone público.&lt;br /&gt;Aquilo que da minha meninice mais recordo desta casa eram os três frascos de vidro, com boca larga, cheios de rebuçados, em cima do balcão… Era o freguês dos de coco, que me deliciavam, quando, amealhados alguns tostões, eu os podia comprar. Lembro ainda o exterior deste estabelecimento, com grandes vasos de canas-da-índia, do lado da praça, a ladearem as portas de entrada, bem como um episódio muito curioso protagonizado por um dos frequentadores mais assíduos deste Café, o Dr. Esperança. Este médico, um fumador inveterado, entrava sempre nesta casa a fumar e, de forma ininterrupta, ia acendendo novos cigarros, sem nunca gastar um fósforo, uma vez que o cigarro que acabava de fumar servia de mecha para o que iria fumar seguidamente.&lt;br /&gt;Recordar o “Café Paraíso” é trazer à memória um estabelecimento que foi, no género, um dos primeiros de Ovar, tornando-se, durante vários anos, local de encontro de vários ovarenses ilustres que, a pretexto de uma chávena de café, ali passaram muitas horas falando de negócios e comentando os acontecimentos políticos e sociais da época…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;Texto publicado no n.º 38 da revista “Reis” (2004)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;Edição da Trupe JOC/LOC&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2173951761233079456-2843597896511470558?l=revistareisovar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://revistareisovar.blogspot.com/feeds/2843597896511470558/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://revistareisovar.blogspot.com/2010/07/recordando-o-cafe-paraiso.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2173951761233079456/posts/default/2843597896511470558'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2173951761233079456/posts/default/2843597896511470558'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://revistareisovar.blogspot.com/2010/07/recordando-o-cafe-paraiso.html' title='Recordando o Café Paraíso'/><author><name>Fernando Pinto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18068174158604110968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/TEY9yb97uPI/AAAAAAAABo0/uSxvx4vT8eU/s72-c/cafe-paraiso1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2173951761233079456.post-5925572469458871074</id><published>2010-05-05T00:30:00.000+01:00</published><updated>2011-01-08T00:49:22.814Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Revista REIS 1998'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ESCUTEIROS'/><title type='text'>História do Escutismo em Ovar</title><content type='html'>&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;em&gt;Por &lt;span style="color: #990000;"&gt;&lt;strong&gt;Augusto Lopes Vilela&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;No Verão de 1907, Lord Baden Powell of Gilwell ensaiou na Ilha de Brownsea, em Inglaterra, a pedagogia do serviço ao próximo, deixando de ser um audaz tenente-general do exército britânico para assumir o desafio de se tornar um educador de rapazes.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Nascia assim o Escutismo, como uma escola de cidadania e de vida ao ar livre, onde se reconhecia que &lt;em&gt;“o melhor meio para se alcançar a felicidade é contribuir para a felicidade dos outros, deixando o mundo um pouco melhor do que se encontrou”.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Em 1923, na cidade de Braga, o Escutismo deu os primeiros passos em Portugal, chegando a Ovar alguns anos mais tarde, pela dedicação do então Núcleo Local da Cruzada Nacional Nuno Alvares Pereira, donde nasceria o &lt;a href="http://artigosjornaljoaosemana.blogspot.com/2010/03/nos-25-anos-do-549-73-anos-de-escutismo.html"&gt;&lt;span style="color: #0b5394;"&gt;Grupo Scout 66 de Ovar&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; e a Alcateia 52. Para tal facto, em muito contribuíram o Padre José Ribeiro de Araújo, António Augusto Abreu e Eugénio Vinagre, que logo reconheceram o valor desta iniciativa para a mocidade vareira, tanto mais que &lt;em&gt;“quando todas as liberdades fossem coarctadas ao homem, uma se lhe devia conservar ampla e vasta como os descampados do céu: a de fazer o bem, como ensina o Escutismo”.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Segundo os relatos do “João Semana”, pesquisados pacientemente por José Rodrigues Palhas, o primeiro exercício do Grupo Scout decorreu em 27/07/1930, consistindo numa série de acções de formação sobre a prática escutista, daqui resultando a filiação no Corpo Nacional de Scouts, o que aconteceu em Dezembro, após a aprovação nas provas de aptidão realizadas em 9 de Novembro.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Em 5 de Julho de 1931 inaugurou-se a sede do Grupo 66, que escolheu como patrono o Beato Nuno Alvares Pereira, e realizaram-se as primeiras promessas dos cerca de 25 rapazes que aceitaram o desafio e a exigência de se tornarem escuteiros. Como fundadores tínhamos o Chefe de Grupo, Manuel Ferreira Regalado (pouco depois substituído por Eugénio Vinagre), o Capelão, Padre José Maia de Resende, e o Chefe da Administração, Padre José Ribeiro de Araújo.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;A 26 de Agosto do mesmo ano, realizou-se em S. Miguel o 1.º Acampamento, sobre o qual apresento um interessante relato publicado no semanário da Paróquia, tanto mais que explica a importância da vida ao ar livre e do jogo na formação do carácter: &lt;em&gt;“O dia de Domingo foi anunciado pelo toque da Alvorada. As notas vibrantes do clarim soavam em uníssono com aquelas almas juvenis que pela primeira vez se acoitaram sob a tenda dum acampamento e em plena Natureza viram raiar pela primeira vez a aurora (…) Todo o resto do dia, assim iniciado, se passou dentro da quinta entre canções e agradáveis e instrutivos entretimentos”.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/S-CwMq6dQPI/AAAAAAAABVk/VU3zYm8quKo/s1600/escuteiros1.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/S-CwMq6dQPI/AAAAAAAABVk/VU3zYm8quKo/s1600/escuteiros1.jpg" tt="true" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Em 1932, no início do Escutismo em Ovar, um grupo de Escuteiros posa junto à primeira sede, no lugar do Serrado. Ao centro, o 1.º Assistente, Padre Maia, ladeado pelo P.e Brandão e pelo P.e José Ribeiro de Araújo, que lhe sucedeu no cargo e que veio a ser a alma-mater do Agrupamento 66 de Ovar do CNE – Corpo Nacional de Escutas, ao longo de muitos anos&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;O gosto de acampar levou uma delegação vareira ao 4.º Acampamento Nacional, corria o mês de Agosto de 1932. Entretanto, o grupo de rapazes escuteiros revelava outras capacidades, destacando-se o dom da caridade e os dotes artísticos, que os levaram a realizar vários espectáculos e récitas, até com peças de teatro da sua autoria. Curioso é o facto de se saber que D. Amélia Dias Simões chegou várias vezes a acompanhar ao piano partes desses saraus escutistas.&lt;/div&gt;Em 1941 começou a notar-se um certo desalento na actividade escutista em Ovar, que coincidiu com a tristeza dos milhares de escuteiros espalhados por todo o mundo pela notícia da morte de Baden Powell. Facto que obrigou ao &lt;em&gt;“reconhecimento de que existia uma certa dificuldade em movimentar a classe jovem de Ovar no espírito do Escutismo”.&lt;/em&gt; Uma intervenção da Junta Regional do Porto não obteve sucesso, pois em 1946, e apesar do constante empenho de D. Maria Celeste Carrelhas, a actividade escutista em Ovar teve a sua primeira interrupção.&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Em Dezembro de 1950, o grupo 66 reiniciou a sua actividade pelo esforço de António de Oliveira Neves Júnior e do Padre José Manuel Torres, integrando-se no recente denominado Corpo Nacional de Escutas. Em notícia publicada no &lt;strong&gt;Jornal “João Semana” de Julho de 1951&lt;/strong&gt;, fundamenta-se o sentido desta opção, afirmando-se que o método escutista é &lt;em&gt;“o melhor que se ajusta à educação integral da juventude e lhe dá, por assim dizer, a rir e a brincar, a educação física, intelectual e moral de que eles (jovens) precisam para serem cidadãos prestimosos, úteis a si e à sociedade”.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/S-DVOX6aSyI/AAAAAAAABV8/U3Xq7bNG1vA/s1600/chefe-guimaraes.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; cssfloat: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://2.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/S-DVOX6aSyI/AAAAAAAABV8/U3Xq7bNG1vA/s200/chefe-guimaraes.jpg" tt="true" width="160" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Precisamente nessa altura fez a sua promessa de Explorador o actual Chefe de Agrupamento dos Escuteiros de Ovar, Joaquim Costa Guimarães&lt;span style="color: #444444;"&gt;.[Na foto]&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;Em 1953 reiniciava-se a actividade da Alcateia 52, e o Grupo de Escuteiros, então sediado na actual Escola dos Combatentes, dedicava-se à recolha de um conjunto de artefactos e à sua exposição, concretizada, a partir de Dezembro de 1960, &lt;strong&gt;através de uma&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;Exposição Permanente, começando a dar-se forma ao que mais tarde viria a tornar-se no Museu de Ovar&lt;/strong&gt;, criado pela dedicação do então Chefe Secretário José Augusto de Almeida, que se tornou seu Director, dignificando a comunidade vareira ao recolher e ao divulgar o seu “modus vivendi”. Já em 1969 fora criada uma trupe de reis denominada “&lt;strong&gt;Escutas e Juventude Operária Católica”&lt;/strong&gt;, englobando duas organizações juvenis que, para além de partilharem o mesmo edifício, comungavam da mesma vontade em criar um Museu em Ovar.&lt;br /&gt;O empenhamento dos escuteiros nesta iniciativa contribuiu para um novo período de inactividade do CNE de Ovar. &lt;br /&gt;Cerca de 1976, António Claro, antigo escuteiro e Chefe de Agrupamento em Lamego, após uma conversa com o vareiro José Vítor Duarte que desde 1970 vinha sentindo atracção pelo Escutismo, lançou ao recém-chegado pároco de Ovar, Manuel Pires Bastos, o desafio de alterar este rumo. Bem acolhida a mensagem, logo este se empenhou em disponibilizar instalações para uma sede e em colaborar no processo de filiação no Corpo Nacional de Escutas.&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;No sótão da antiga sede da JOC, na rua Alexandre Herculano (actual Escola de Música da JOC/LOC), deu-se então início à prática escutista, com uns 12 rapazes, convidando-se para integrar a equipa de monitores José Maria Costa e Raimundo Patrício.&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/S-DYANpJ7-I/AAAAAAAABWU/cihf311JSWI/s1600/escuteiros-flor_de_liz.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://4.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/S-DYANpJ7-I/AAAAAAAABWU/cihf311JSWI/s200/escuteiros-flor_de_liz.jpg" tt="true" width="125" /&gt;&lt;/a&gt;Entretanto, e enquanto o reconhecimento da Junta Regional do Porto ia sendo protelada, o Grupo continuava na sua formação, encontrando um excelente auxiliar na pessoa do antigo escuteiro Joaquim Costa Guimarães, que desde então tem sido um testemunho vivo de entrega à causa escutista e ao bem da juventude. A decisão dos monitores de frequentarem um curso de formação pedagógica de chefes em Março de 1978 possibilitou a legalização do agrupamento vareiro, dirigido pelos chefes com promessa: António Pereira Claro, Chefe de Agrupamento, e Joaquim Costa Guimarães, Adjunto do Chefe de Agrupamento, tendo como Assistente o Padre Manuel Pires Bastos.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Na Velada de Armas de 21 de Outubro de 1978, fizeram a promessa José Maria Costa e José Vítor Duarte, que viriam a ser, respectivamente, Chefe de Grupo e Chefe Secretário. No dia seguinte, realizou-se a promessa de 18 escuteiros, assistindo às cerimónias a Madrinha do Agrupamento, D. Laura Poças. Os “Actos Oficiais” da Ordem de Serviço Nacional n.º 369, de 1 de Fevereiro de 1979, tornavam real a refundação do agrupamento, que seria o 549 do CNE, continuando a ser o grupo 66 da Região do Porto.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Hoje, volvidas duas décadas de actividade ininterrupta, constata-se a existência de cerca de 200 escuteiros no agrupamento vareiro, que ultimam a concretização de um velho sonho: a construção de uma sede adequada às actividades da prática pedagógica escutista.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/S-DWVaW8eiI/AAAAAAAABWM/su5t-LP8UTk/s1600/sede-escuteiros.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/S-DWVaW8eiI/AAAAAAAABWM/su5t-LP8UTk/s1600/sede-escuteiros.jpg" tt="true" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;Sede actual do Agrupamento 549, um excelente complexo em construção junto aos moinhos dos Pelames (1998), onde mais de 200 jovens e crianças dão largas aos seus sonhos e aventuras, preparando-se com a orientação de dedicados Chefes, para encararem com esperança e sucesso os (des)encantos da vida&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Uma história que o tempo terá dificuldade em apagar, na medida exacta em que o Agrupamento de Ovar do CNE deixou marcas indeléveis na sua terra, que se habituou a ter orgulho nos jovens que o integram, que aqui nasceram e cresceram, e que vão deixando um testemunho de serviço à comunidade. Também porque os momentos de autêntica felicidade e de verdadeira camaradagem os acompanham ao longo da vida, fazendo-os olhar para o amanhã com uma nova esperança.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;&lt;strong&gt;Texto publicado no n.º 32 da revista “Reis” (1998)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;&lt;strong&gt;Edição da Trupe JOC/LOC&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2173951761233079456-5925572469458871074?l=revistareisovar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://revistareisovar.blogspot.com/feeds/5925572469458871074/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://revistareisovar.blogspot.com/2010/05/historia-do-escutismo-em-ovar.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2173951761233079456/posts/default/5925572469458871074'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2173951761233079456/posts/default/5925572469458871074'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://revistareisovar.blogspot.com/2010/05/historia-do-escutismo-em-ovar.html' title='História do Escutismo em Ovar'/><author><name>Fernando Pinto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18068174158604110968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/S-CwMq6dQPI/AAAAAAAABVk/VU3zYm8quKo/s72-c/escuteiros1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2173951761233079456.post-340731433408033739</id><published>2010-04-24T00:41:00.002+01:00</published><updated>2012-02-18T14:39:45.112Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='VÁLEGA'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Revista REIS 1995'/><title type='text'>VÁLEGA - Às voltas com um canhão de guerra</title><content type='html'>&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;span style="background-color: #990000; color: white; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;b&gt;Revista &lt;i&gt;REIS&lt;/i&gt;/1995&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;TEXTO: &lt;/span&gt;Manuel Pires Bastos &lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;No lugar da Carvalheira de Válega, mesmo na fronteira com Portovedo de Guilhovai (S. João de Ovar), há uma casa conhecida como &lt;strong&gt;&lt;em&gt;casa da peça&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;por ali ter existido o cano de um canhão, possivelmente usado nas campanhas napoleónicas ou nas lutas liberais.&lt;/strong&gt; (A casa foi construída em terreno baldio, da Câmara de Ovar, e daí talvez a explicação da presença, lá, de tal espólio).&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Tomando conhecimento de que um canhão estava a servir de esteio de ramada, o &lt;a href="http://artigosjornaljoaosemana.blogspot.com/2010/04/memoria-de-monsenhor-miguel-de-oliveira.html"&gt;&lt;span style="color: #0b5394;"&gt;&lt;b&gt;Padre Miguel de Oliveira&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, então ainda novo, muito dado à História e dotado de espírito aventureiro, animou os jovens de Válega, numas férias, a trazerem aquele despojo de guerra para o cemitério ou adro velho, que acabavam de limpar. Era mais uma iniciativa da já denominada “Comissão de Melhoramentos”, também inspirada pelo Padre Miguel e composta por esses jovens, que conseguiram, com o apoio do Pároco e de homens grandes de Válega, fundar a Cantina da Escola, arborizar o adro da Igreja e construir uma capela-museu no dito cemitério. O canhão ficaria mesmo a matar ali à entrada do adro, como que a defender o seu património. &lt;strong&gt;Foi José Magina, de Vilarinho, que tinha estado na América, que se encarregou de trazer, sozinho, num carro de bois, aqueles cerca de 500 quilos de bronze, trocados facilmente por um esteio de pedra.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Limpo da cal com que o tinham enchido, foi entronizado com solenidade, metendo, até, procissão, com o futuro Dr. Pereira a alombar com a cruz. A presença do Regedor Matos e de outras forças vivas da freguesia exigiu, mesmo, os discursos da praxe.&lt;br /&gt;&lt;table cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="float: right; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/S9I3vSDEouI/AAAAAAAABTU/QtlXGzCLwnk/s1600/canhao3.jpg" imageanchor="1" style="cssfloat: right; margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://2.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/S9I3vSDEouI/AAAAAAAABTU/QtlXGzCLwnk/s400/canhao3.jpg" tt="true" width="374" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: #444444; font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;A peça jazendo no pátio da Junta (1995)&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt; &lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;Só que… a irrequietude do grupo juvenil entendeu que o canhão deveria entrar… em manobras. À custa de grandes esforços físicos, que só por acaso não levaram à morte o mais magricela – o farmacêutico Oliveira –, os jovens tentaram mudar a peça para o Seixo, no extremo sul da freguesia, na expectativa de ali o instalarem, como medida de defesa dum pretenso ataque dos de Avanca.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Não desanimando da aventura, o Pereira Morgado foi buscar dois possantes bois, amarrando ao cano de bronze uma forte corrente. Não contava ele que tão brilhante ideia fosse derrotada pelos paralelos de granito, que fizeram estourar a amarra, deixando a peça na estrada até ao outro dia, a embaraçar o trânsito. De novo reposta no adro, pela Junta de Freguesia, que fez vista grossa a tal desplante, a Comissão de Melhoramentos, envergonhada, deu tréguas às suas actividades bélicas.&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Anos depois, uma rapaziada de Avanca, tudo gente amiga, com o José Borges de Pinho (Zé Macabelo) à frente, planeou um assalto ao canhão, que reentrou em manobras. Numa noite em que, como todos os dias, veio a camioneta do leite carregar as bilhas mesmo em frente, o Macabelo e alguns comparsas roubaram o cano e levaram-no para a sua terra, colocando-o no adro da Capela de Santo António, em pleno centro da freguesia!&lt;/div&gt;O desforço não tardou, pelas mãos de uma nova geração de jovens valeguenses, capitaneados, agora, pelo Benjamim, filho de João António do Rato, o Regedor substituto.&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Esses briosos rapazes, que viriam a fundar o Centro Cultural e Recreativo de Válega, conseguiram restituir à freguesia o precioso tesouro. Não sem que tivessem de se sujeitar a episódios picarescos, que envolveram as duas carroças de Joaquim &lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Pesca, caseiro do Dr. Pereira e moleiro com clientela em Esmoriz. A primeira viatura, de duas rodas, cedeu ao primeiro embate do canhão, arrastando-se, desconjuntada, algumas centenas de metros adiante, os suficientes, porém, para se porem a recato. Valeu ao Pesca a segunda carroça, de quatro rodas e dois cavalos, que de imediato foi buscar, e que voou, lépida e triunfal, a caminho do centro de Válega, em cujo jardim foi recolocada a peça, no meio de grande galhofa, como se de um troféu de guerra se tratasse. &lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Para evitar mais escaramuças entre os dois povos, afinal vizinhos e amigos, os jovens decidiram destruir o canhão. Nada melhor, pensaram, do que com um tiro a valer. Desentupida a boca e aberto o suspiro, encheram de pedras e pólvora o cano, virado para o alto, meteram o rastilho, e… PUM! era ver os estilhaços projectarem-se pelo ar, e, de volta, partirem alguns vidros da Igreja e algumas telhas das casas vizinhas. Mas nada que parecesse um bombardeamento… Até o canhão ficou intacto, ufano das suas glórias. E tudo acabou em bacanal.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;A peça jaz, hoje, envergonhada, no chão do pátio da Junta, disponível para novas investidas. Só que os jovens de hoje não estão para aventuras. E os jovens de ontem, adultos de hoje? Quando quererão retomar as glórias e as facécias do famoso canhão, cúmplice de suas aventuras de outrora? Nem que seja para lhe dar um lugar mais condizente com a sua história…&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;Texto publicado no n.º 29 da revista “Reis” (1995)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;Edição da Trupe JOC/LOC&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;b style="background-color: white; font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 15px; line-height: 20px;"&gt;&lt;span style="color: #444444;"&gt;http://revistareisovar.blogspot.com (TEXTO N.º 3)&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/S9QY8jeBALI/AAAAAAAABTk/GCB4hKcGUvs/s1600/CANHAO2.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="480" src="http://2.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/S9QY8jeBALI/AAAAAAAABTk/GCB4hKcGUvs/s640/CANHAO2.jpg" tt="true" width="640" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #444444; font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;O canhão no seu novo posto, junto à Casa do Povo de Válega (Abril, 2010)&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-BvEDT68IJ1o/Tx6_iFxknfI/AAAAAAAACmg/6gtVBaBn8ek/s1600/canhao-valega.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" nfa="true" src="http://1.bp.blogspot.com/-BvEDT68IJ1o/Tx6_iFxknfI/AAAAAAAACmg/6gtVBaBn8ek/s1600/canhao-valega.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2173951761233079456-340731433408033739?l=revistareisovar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://revistareisovar.blogspot.com/feeds/340731433408033739/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://revistareisovar.blogspot.com/2010/04/valega-as-voltas-com-um-canhao-de.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2173951761233079456/posts/default/340731433408033739'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2173951761233079456/posts/default/340731433408033739'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://revistareisovar.blogspot.com/2010/04/valega-as-voltas-com-um-canhao-de.html' title='VÁLEGA - Às voltas com um canhão de guerra'/><author><name>Fernando Pinto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18068174158604110968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/S9I3vSDEouI/AAAAAAAABTU/QtlXGzCLwnk/s72-c/canhao3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2173951761233079456.post-5131506769381261611</id><published>2010-04-21T03:05:00.000+01:00</published><updated>2012-02-18T14:34:52.014Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='PROFISSÕES'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Revista REIS 2000'/><title type='text'>Ovar em 1920 – Uma vila próspera em olarias</title><content type='html'>&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;span style="background-color: #990000;"&gt;&lt;span style="color: white; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;b&gt;Revista &lt;i&gt;REIS&lt;/i&gt;/2000&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;TEXTO:&lt;/span&gt;&amp;nbsp;Maria Amélia Tavares &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/S998v01ueBI/AAAAAAAABVc/fT2AO671Ipw/s1600/oleiro1-museu.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://3.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/S998v01ueBI/AAAAAAAABVc/fT2AO671Ipw/s200/oleiro1-museu.jpg" tt="true" width="136" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Ovar, nos anos vinte, era uma vila próspera em olarias. Em 1912 laboravam vinte e quatro. Não é por acaso que esta actividade deu o nome a um largo – &lt;strong&gt;Largo da Olaria&lt;/strong&gt; –, precisamente por estarem aí localizadas algumas &lt;a href="http://artigosjornaljoaosemana.blogspot.com/2010/04/louca-de-ovar-e-aveiro-na-barra-do.html"&gt;&lt;span style="color: #0b5394;"&gt;&lt;strong&gt;olarias&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="background-color: white;"&gt;&lt;span style="color: #444444;"&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;[CLIQUE NO LINK]&lt;/span&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; Ainda hoje, e a comprovar este facto, aparecem nos quintais limítrofes cacos vermelhos, reminiscência dessa arte tão antiga que é trabalhar o barro. Hoje, o Largo está preservado e asseado, mas sem a intensidade das risadas e traquinices das crianças de outrora, que brincavam, em grupo, à corda, à macaca ou à caçadinha…, e subiam às amoreiras à procura de folhas para a criação dos seus bichos de seda. É que também ali funcionavam as mestras régias nas escolas daquele tempo.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;A olaria em Ovar caracterizava-se por uma indústria pequena, constituída por uma forte componente familiar, e quase sempre funcionava no local da residência.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Um oleiro fazia-se porque geralmente o pai já o era e desde pequeno começava a conviver com o barro e a aprender a arte. Mas este mister não era fácil. Era preciso ter talento, ter qualidades de artista…&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/S9962DHGsmI/AAAAAAAABVU/bq6MGBhthsk/s1600/regalado-oleiro.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/S9962DHGsmI/AAAAAAAABVU/bq6MGBhthsk/s1600/regalado-oleiro.jpg" tt="true" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="color: #444444;"&gt;António Maria Regalado, um dos últimos grandes oleiros de Ovar&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Quase sempre a aprendizagem era feita depois da diária normal de trabalho, e para se fazer um oleiro o aprendiz precisava de se dedicar ao ofício pelo menos durante quatro anos. A primeira etapa era a de ajudante, aquele que fazia o trabalho bruto e primário de amassar o barro e preparar a liga.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Nessa época os oleiros não tinham mãos a medir. Fabricava-se grande quantidade de “burretos” para os fins mais variados e quase ligados ao quotidiano da vida. Os cântaros de boca larga para a cura da azeitona, os tachos para acondicionar e conservar os rojões no meio do pingue, as tigelinhas para guardar e conservar a manteiga, as bilhas para a água (levavam-nas para as terras durante o tempo quente para matar a sede), os vasos para as plantas, os tijolos e as telhas para a construção civil…&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;strong&gt;Os clientes eram muitos, e alguns com grande porte de encomendas. Vinham do Porto, de Matosinhos, Murtosa, Espinho, Aveiro, Oliveira de Azeméis…&lt;/strong&gt; A grande procura de vasos para os hortos tornava a Câmara do Porto um dos mais fortes consumidores.&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;A matéria-prima usada era o barro, oriundo de Vagos. Nos primeiros tempos transportado em barcos até ao cais do Carregal, donde seguia, depois, para as olarias, em carros de bois. Mas este barro era muito forte e, trabalhado só por si, rachava facilmente. Era, então, adoçado com outro mais pobre, extraído da zona dos “Barreiros”, em S. João de Ovar.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;O combustível que alimentava os fornos na cozedura era a lenha e a caruma e, mais tarde, o serrim. Evaristo Estarreja negociava com o Colares Pinto toda a caruma dos seus pinhais. Era assim acondicionada em molhos e transportada por quinze mulheres da Ponte Nova, que a carregavam à cabeça até ao Alto de Saboga. Junto à Quinta do Belo, que ficava aproximadamente a meio da jornada, aliviavam-se, poisando a carga nos muros durante alguns momentos.&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Do equipamento constava o forno, onde os ajudantes entravam para arrumar a lenha e a roda, que era manual. Era aí que a peça era moldada, o que exigia do oleiro toda a sua habilidade, a sua perfeição, o seu saber.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: #660000; font-size: large;"&gt;O avanço voraz das novas tecnologias&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/S85gECA5pUI/AAAAAAAABSc/CeBGgRnhdWg/s1600/reis-2000-olaria.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; cssfloat: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://2.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/S85gECA5pUI/AAAAAAAABSc/CeBGgRnhdWg/s320/reis-2000-olaria.jpg" width="225" wt="true" /&gt;&lt;/a&gt;Com o decorrer do tempo, muita coisa muda. O avanço voraz das novas tecnologias, em que a máquina se sobrepõe à especificidade da pessoa humana, foi fazendo desaparecer as olarias que, em alguns casos e de acordo com as leis do progresso, deram lugar à construção de grandes prédios. A &lt;strong&gt;olaria do Zé Regalado&lt;/strong&gt; foi adaptada a armazéns de construção; a do &lt;strong&gt;Evaristo&lt;/strong&gt; deu lugar a uma oficina de cerâmica, “O Caco”, cuja proprietária é &lt;strong&gt;Georgina Queiróz, uma jovem ceramista que tem ideias muito definidas e seguras para o futuro da sua oficina.&lt;/strong&gt; Reconvertida aos tempos modernos, tempos de desafio, muito mais exigentes, competitivos e selectivos, a sua produção é caracterizada por peças únicas decorativas, o que exige um grau de criatividade baseada na busca constante quer nos temas da vida quer nos novos designs, onde a cor, a forma e a medida não têm limites. Ali aposta-se num produto para uma clientela que prefere a diferença, mais receptiva ao moderno e talvez ao rústico em algumas peças. &lt;em&gt;&lt;span style="color: #444444;"&gt;[Na foto: Evaristo Estarreja, oleiro e antigo proprietário da Olaria do Alto Saboga, e Georgina Queiróz]&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: #990000; font-size: large;"&gt;A máquina dá uma machadada de morte nas mais antigas tradições&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Desta indústria artesanal milenária, tão valorizada já pelos antigos gregos e que nasceu das necessidades do quotidiano, combinando o prático com um alto valor estético, o que resta em Ovar é “O Caco”.&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Os leigos na matéria pensam que terá sido o florescer do reino do plástico, mais leve e de mais fácil acondicionamento, mas contudo, menos saudável, a causa do desaparecimento desta grande actividade vareira. No entanto, como nos diz Zé Regalado, hoje fabrica-se tanta ou mais louça de barro do que outrora. Porém, com a modernidade e o advento de novas tecnologias, a máquina deu uma machadada de morte nas mais antigas tradições. Era preciso fazer grandes investimentos duma forma global e não faseada, o que implicava grandes riscos. O estímulo não era nenhum, pois ser oleiro, ao contrário de hoje, era uma profissão pouco “dignificada e dignificante”.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Por volta da década de oitenta, as pessoas tinham de dar o salto. Ou se abalançavam, ou não conseguiam sobreviver.&lt;/div&gt;Os vareiros acharam que o barco era muito grande e que ainda maior era a tormenta.&lt;br /&gt;É pena que a modernidade e o progresso não tenham deixado que registos mais fortes desta arte milenária, que tanto prosperou em Ovar, perpetuassem uma faceta tão importante do viver e do sentir do povo vareiro.&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;em&gt;&lt;b&gt;Contribuiu para este trabalho o testemunho dos vareiros: Evaristo Estarreja (oleiro e antigo proprietário da Olaria do Alto Saboga), Eng.º José Eduardo Regalado (proprietário da antiga Olaria do Regalado) e Georgina Queiróz (ceramista e proprietária da oficina “O Caco”)&lt;/b&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;A todos agradecemos a disponibilidade e a simpatia com que nos receberam.&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;&lt;strong&gt;Texto publicado no n.º 34 &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;&lt;strong&gt;da revista “Reis” (2000)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;&lt;strong&gt;Edição da Trupe JOC/LOC&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #444444;"&gt;&lt;b&gt;http://revistareisovar.blogspot.com (TEXTO n.º 2)&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2173951761233079456-5131506769381261611?l=revistareisovar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://revistareisovar.blogspot.com/feeds/5131506769381261611/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://revistareisovar.blogspot.com/2010/04/ovar-em-1920-uma-vila-prospera-em.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2173951761233079456/posts/default/5131506769381261611'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2173951761233079456/posts/default/5131506769381261611'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://revistareisovar.blogspot.com/2010/04/ovar-em-1920-uma-vila-prospera-em.html' title='Ovar em 1920 – Uma vila próspera em olarias'/><author><name>Fernando Pinto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18068174158604110968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/S998v01ueBI/AAAAAAAABVc/fT2AO671Ipw/s72-c/oleiro1-museu.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2173951761233079456.post-2352153500359322815</id><published>2010-03-25T23:46:00.006Z</published><updated>2012-02-18T14:28:50.152Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Revista REIS 1993'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='PROFISSÕES'/><title type='text'>Lavadeiras de Ovar</title><content type='html'>&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;span style="background-color: #990000; color: white; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;b&gt;Revista &lt;i&gt;REIS&lt;/i&gt;/1993&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;TEXTO:&amp;nbsp;&lt;/span&gt;Rosa d’Assunção &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Quem não se lembra das lavadeiras, batendo a roupa nas pedras de moinho, nos rios que atravessam a nossa cidade?&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Eram lindas as suas vozes, os seus cantares!... De manhã, ainda antes de alvorecer, começavam o seu dia, que se prolongava, muitas vezes, até ao anoitecer.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/S6wDUsE2jII/AAAAAAAABPE/o2RN0Z3OmVY/s1600/LAVADEIRAS2.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" nt="true" src="http://3.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/S6wDUsE2jII/AAAAAAAABPE/o2RN0Z3OmVY/s1600/LAVADEIRAS2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #444444; font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;Lavadeiras de Ovar&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Ainda conheci o trabalho, o viver, de algumas lavadeiras do rio dos Pelames: a Sr.ª Emília, com uma linda voz e muito sentido de humor; que de qualquer palavra fazia uma quadra humorística; a Sr.ª Adelaide da Locádia, conheci-a já com muita idade e ainda nessas lides; a Sr.ª Palmira do “Santinho” que, em paralelo, e ao fim-de-semana, também era tremoceira; a Sr.ª Ana, a Sr.ª Rosa Correia, e tantas, tantas outras…&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;É bom recordar…&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Mas também no rio da Mota, das Luzes, do Palhas, da Senhora da Graça, do Casal e outros, havia lavadeiras de profissão.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Não era raro ver um turista estrangeiro fotografando as lavadeiras nos rios, de saia ensacada e traçada no meio das pernas, para que não se molhasse, ou um pintor, amador ou não, com o seu pincel esboçando todo aquele cenário, digno de ser memorizado na tela.&lt;/div&gt;Um dia, um desses forasteiros debruçou-se na ponte do rio dos Pelames e, dirigindo-se a uma das lavadeiras, à guisa de piropo, dizia-lhe:&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;– Então, menina, não sente a água fria? Olhe que se constipa”.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; E logo ela respondeu: &lt;strong&gt;&lt;em&gt;“ – Não, não se preocupe, eu tenho aqui um fogareiro que a aquece”&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;. E ele, logo de seguida: &lt;strong&gt;&lt;em&gt;– “Quem me dera comer duas castanhas assadas nesse fogareiro!” &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;E ela logo lhe retorquiu com uma gargalhada, acompanhada de um som estranho: &lt;strong&gt;&lt;em&gt;– “Ora vá pegando nessa, enquanto a outra se assa!...”&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A gargalhada foi geral, enquanto o moço se afastava, encabulado.&lt;br /&gt;Era assim aquela gente simples, irrequieta e alegre.&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Como a técnica ainda não estava desenvolvida e as máquinas de lavar e secar estavam por descobrir, era um “ver se te avias” à procura do melhor sítio na pedra do rio ou no relvado adjacente (coradouro), para aí estender a roupa a corar ao sol, pois eram muitas as lavadeiras de ofício e as pessoas que lavavam a sua própria roupa.&lt;/div&gt;Era nesta disputa do melhor sítio que às vezes elas, as lavadeiras, zaragateavam. Como eram engraçadas!...&lt;br /&gt;Cada uma procurava que a sua razão fosse a melhor, e então evocava-se a antiguidade naquele rio, a propriedade da pedra onde lavavam, enfim…&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Mas tudo terminava com uma cantiga, um dito engraçado, uma gargalhada ou uma conversa amena, entre uma e outra regadela de roupa.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/S6wFOXdLN7I/AAAAAAAABPM/VDo_dIXIfhg/s1600/LAVADEIRAS4REIS.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="276" nt="true" src="http://3.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/S6wFOXdLN7I/AAAAAAAABPM/VDo_dIXIfhg/s640/LAVADEIRAS4REIS.jpg" width="640" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #444444; font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;Lavadeiras de Ovar&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;﻿﻿Hoje são poucas as pessoas que se dedicam a esses trabalhos, embora ainda haja quem prefira os seus cobertores, mantas de agulha ou outras peças congéneres lavadas no rio. Por isso, ainda há quem dê continuidade a esse ofício, nos raros lavadouros de águas não poluídas…&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Era uma vida muito alegre, talvez despreocupada, mas difícil, de sacrifício, especialmente no Inverno.&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;b&gt;Como não havia botas de água, lembro-me de colocar-se no leito do rio uma bacia grande, ficando as lavadeiras com os pés dentro, evitando o contacto com a água. Quando vieram as botas de água, a vida passou a ser um pouco melhor; todavia, não evitava que os pés e as pernas ficassem adormecidos pelo frio. Oh! vida dura…&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;Começavam as lavadeiras por ir buscar a roupa a casa das senhoras para quem lavavam. Contavam as peças gradas e miúdas, pois cada qual tinha o seu preço: gradas, como lençóis, 1$00, miúdas, como almofadas, $50. Isto por volta da década de 40, 50.&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Então a roupa era trazida, como num atado, até ao rio. Aí, desfeito o carrego, toda a roupa, peça por peça, era ensaboada com sabão amarelo (um sabão bastante gordo, usado só para ensaboar). Ficava a roupa em sabão geralmente de um dia para o outro, ou durante algumas horas. Só depois se lavava, amoissando-se peça por peça, com o dito sabão, tirando-se o primeiro sujo, lavava-se em seguida e, depois de corrida naquela água corrente e limpa, voltava-se a ensaboar com sabão de veia azul e estendia-se a corar ao sol. Este estender de roupa tinha o seu saber. Fosse ele feito de qualquer maneira, e a roupa não ficaria bem corada. Conhecia-se até uma boa lavadeira pelo estender da roupa no coradouro. Durante o dia, várias vezes se regava a roupa, a fim de não secar o sabão que continha. Era uma regra a não descurar. A determinada altura do dia dava-se uma volta à roupa no coradouro. Dizia-se mesmo: &lt;strong&gt;“Vou dar volta à roupa”.&lt;/strong&gt; No fim do dia, às peças mais brancas, como lençóis, e à roupa anterior mais delicada ou branca, tirava-se-lhes aquele sabão do coradouro. Só no fim do segundo dia de cora era corrida, torcida e posta a secar. Não havia lixívias, apenas se usava um pouco de cloreto nas toalhas de mesa com nódoas difíceis. Depois de seca, bem sacudida e dobrada, entregava-se ao dono e recebia-se o ajustado, conforme as peças.&lt;/div&gt;Como aquela roupa cheirava bem! &lt;em&gt;À còrado&lt;/em&gt;, dizia-se.&lt;br /&gt;Para tantas horas de trabalho…, o lucro seria assim tanto?...&lt;br /&gt;Havia também quem trabalhasse ao dia, em casa das senhoras, mas só para fazer as barrelas, duas ou três vezes por ano. (As barrelas eram feitas com água a ferver e cinza peneirada no interior dum cortiço).&lt;br /&gt;Decorria assim a vida das lavadeiras da nossa terra, que a pouco e pouco se foram substituindo pelas sofisticadas máquinas de lavar.&lt;br /&gt;Arte terna e bucólica, mas dura e ingrata. Dela ficaram, para recordar, as cantigas que ajudavam a suavizar as agruras e as penas das nossas lavadeiras:&lt;br /&gt;﻿ &lt;br /&gt;&lt;table cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="float: right; margin-left: 1em; text-align: right;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-Wl429uqxKqY/TmfUECxtYSI/AAAAAAAACRs/GJw38YFTQ4A/s1600/lavadeira-de-ovar-FOTO-FMOP.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; cssfloat: right; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="400" nba="true" src="http://3.bp.blogspot.com/-Wl429uqxKqY/TmfUECxtYSI/AAAAAAAACRs/GJw38YFTQ4A/s400/lavadeira-de-ovar-FOTO-FMOP.jpg" width="306" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: #444444; font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;Lavadeira de Ovar&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;(Foto: &lt;a href="http://olharovarense.blogspot.com/"&gt;Fernando Pinto&lt;/a&gt;)&lt;/span&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;﻿&lt;em&gt;&lt;strong&gt;A água corre p’ró rio&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;O rio corre p’ró mar&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Olha a pobre lavadeira&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Sem ter água p’ra lavar&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Ora bate, lavadeira, lavadeira bate bate&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;As nossas cantigas já não têm remate&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Ora bate, lavadeira, lavadeira bate bem&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;As nossas cantigas remate não têm.&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou então:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Fui-me despedir do rio&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;E das pedras de lavar&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Só de ti, amor, não posso&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Despedir-me sem chorar.&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Vão as damas para o meio&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;E também o cidadão&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Já não há quem queira amar&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Este nosso coração.&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E vale a pena referir a canção eternizada por Júlio Dinis em “As Pupilas do Senhor Reitor”:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Ó Rio das águas claras&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Que vais correndo para o mar…&lt;/em&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;Texto publicado no n.º 27 da&amp;nbsp;revista “REIS” (1993)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;Edição da Trupe JOC/LOC&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color: #444444;"&gt;http://revistareisovar.blogspot.com (TEXTO N.º 1)&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2173951761233079456-2352153500359322815?l=revistareisovar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://revistareisovar.blogspot.com/feeds/2352153500359322815/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://revistareisovar.blogspot.com/2010/03/lavadeiras-de-ovar.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2173951761233079456/posts/default/2352153500359322815'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2173951761233079456/posts/default/2352153500359322815'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://revistareisovar.blogspot.com/2010/03/lavadeiras-de-ovar.html' title='Lavadeiras de Ovar'/><author><name>Fernando Pinto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18068174158604110968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_KvwX2AfAgwc/S6wDUsE2jII/AAAAAAAABPE/o2RN0Z3OmVY/s72-c/LAVADEIRAS2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
